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Sporting CP e FC Porto. Vamos fazer as pazes?

Ricardo Gonçalves · 2 min

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Vamos fazer as pazes? Claro que sim. Faz sempre sentido fazer as pazes. Está escrito nos Tratados do Universo, faz parte da moralidade constitucional. Sou um cidadão do Mundo, tal como o é quem está a ler este texto, e nós devemos desejar o bem desse espaço comum, mesmo que pareça romântico.

A começar pelo futebol, que ainda não esteve na origem de nenhum conflito bélico, caso excluamos a agressividade das discussões de café e afins, mas que é um bom tópico para se resolver já, de bandeira branca na mão, abanando-a devagarinho e pedindo tréguas em conjunto. É por isso que valorizo todos os passos que se dão em direcção ao Mundo perfeito. O aperto de mãos entre o Sporting e o Porto pode ser interpretado assim. Um gesto intencional de amenizar a intensidade das disputas dos lances fora do campo.

Não foi uma separação assim tão extensa, mas vale sempre a pena reatar os laços institucionais, porque sem ironia assim é que é bonito. E de repente, qualquer pai ganha de novo a esperança de um dia poder levar o gaiato mais novo ao estádio para ver um jogo grande. Os próprios noticiários destacaram a novidade, equiparando-a a um cessar-fogo ou a uma estratégia geopolítica. Lá constatamos que afinal o cenário estava mesmo complicado quando a estupefacção domina os ânimos no momento em que o Sporting e o Porto fazem as pazes, como se isso fosse uma coisa anormal e estar em conflito fosse, afinal, o estado natural dos clubes e da nação em geral.

Sporting CP e FC Porto reataram as relações institucionais entre si Fonte: FC Porto
Sporting CP e FC Porto reataram as relações institucionais entre si
Fonte: FC Porto

As Ciências Sociais estudam o homem e os seus conflitos. Bem sei que o Futebol devia centrar-se em si mesmo, no remate e na defesa, na falta e no apito, na corrida e no nó- cego e em todos os restantes acasalamentos possíveis, mas isso seria pedir paz demais. O Futebol acompanha os ciclos e gera os seus próprios ciclos, isto é: daqui a vinte anos o esquema das zangas será outro e os comunicados que decretam as pazes feitas também. A paz, essa, será sempre residual e não genérica. E é muito simples explicar o motivo. É que no Futebol, como em tanta coisa nesta vida, só ganha um – o que implica a existência de mais perdedores do que vencedores. Não quero dar lições de lógica. Estamos a falar de paz, e a paz não é uma ciência. Talvez seja este o problema. É que para nos darmos todos bem é preciso estarmos todos satisfeitos. Esta é a regra.

Vale tudo pela paz, assino por baixo. Enquanto Sportinguista, beijo na mão do meu clube por ser pioneiro na actualidade diplomática. Mas se tenho direito ao cepticismo, deixem-me esperar pelo dia, que estará para breve, em que o Sporting será o vencedor e não o vencido. E aí? Quem irá fazer as pazes?

Foto de Capa: Super Sporting

Ricardo Gonçalves

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