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A alegria contagiante do leão Beto

Diogo Janeiro Oliveira · 4 min

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Há vários anos que o Sporting não tinha concorrente à altura para Rui Patrício na luta pela titularidade da baliza leonina. Marcelo Boeck, apesar de ter caído no goto dos adeptos, não era a mesma garantia de segurança que o internacional português, e também saiu na temporada passada.

Foi por isso que vi com enorme satisfação a contratação de Beto no início de 2016/17. Este outro internacional português vinha do Sevilha, onde tinha ganho a Liga Europa nos últimos três anos. Com onze jogos na seleção A nacional e todas estas competições internacionais no currículo (há ainda a acrescentar a que ganhou em 2011, no FC Porto), víamos então regressar a Alvalade um guardião com enorme experiência, que havia saído ainda jovem após épocas na equipa B e emprestado a outros clubes. Beto nunca desistiu do seu sonho e, depois de um ano no FC Marco, voltou às luzes da ribalta no Leixões, onde subiu à Primeira Liga. A ida para o FC Porto resultou em três Supertaças Cândido de Oliveira, duas Taças de Portugal, uma Liga Portuguesa e uma das quatro Ligas Europa que tem no currículo. Depois disso, seguiu-se uma aventura na Roménia ao serviço do Cluj, onde ganhou um campeonato, meia época em Braga e, por fim, a já mencionada experiência num clube apaixonante como o Sevilha.

Beto com uma das várias Ligas Europa que ganhou até agora na sua carreira Fonte: Facebook de Beto Pimparel
Beto com uma das várias Ligas Europa que ganhou até agora na sua carreira
Fonte: Facebook de Beto Pimparel

Contudo, Beto nunca escondeu que é sportinguista. Fez muita da sua formação em Alvalade, após ter dado nas vistas ao serviço do Ponte de Frielas. Com o enquadramento competitivo atual, talvez nunca tivesse saído do clube. Mas na altura, as equipas «bês» não estavam tão bem estruturadas e o jovem natural de Loures teve de ir para outras paragens. O sonho ficou adiado. Mas não era só o sonho de Beto. Era também o sonho do seu maior ídolo, o seu pai. Beto nunca escondeu a admiração enorme que tem pelo seu progenitor e prometeu que um dia iria voltar a Alvalade. Esse foi um dos principais motivos de satisfação e orgulho quando consumou o regresso a Alvalade. Atualmente, cumpriu o sonho de mais uma pessoa, o seu filho, conforme o guarda redes também já admitiu publicamente.

Nesta temporada, naturalmente, Beto partiu atrás de Rui Patrício, titular há muitos anos na baliza leonina. Contudo, foi a tempo de completar nove partidas, tendo sofrido apenas seis golos sofridos, divididos da mesma forma por campeonato, Taça de Portugal e Taça da Liga. Apesar de apenas ter regressado esta temporada, Beto é um dos homens fortes do balneário. Muito experiente, é um dos elementos mais carismáticos e bem dispostos do grupo de trabalho, conforme é dito várias vezes publicamente pelos seus colegas. O número 34 dos leões sempre foi assim, uma força da natureza, que ultrapassou várias dificuldades e obstáculos para chegar onde está hoje.

É extremamente importante ter elementos com estas características, mas é absolutamente vital ter muitos dos elementos com outra característica: serem sportinguistas de coração, como é Beto. Um elemento que também seja adepto, que cante «O Mundo Sabe Que» com os adeptos, que vibre com eles e que sinta e saiba perfeitamente o que é o Sporting Clube de Portugal, um grande clube, tão grande como os maiores da Europa. Sempre foi um dos meus guarda redes preferidos, pelas suas características técnicas, mas sobretudo pelo seu carisma e pela sua forma de ser. Não escondo que a final da Liga Europa ganha ao Benfica nas grandes penalidades foi um momento que vi com alegria, não sou hipócrita para dizer que não fiquei contente. Esta semana, recebeu uma ótima notícia: a convocatória para a Taça das Confederações onde, juntamente com Rui Patrício e José Sá, formará o trio de guarda redes da nossa seleção. Uma chamada que se justifica, não só pela qualidade técnica, mas também pelas qualidades humanas e pelo seu estatuto dentro do grupo nacional, onde é um dos elementos mais bem dispostos e extremamente importante para a existência de um coletivo forte. Só a reação do guarda redes à chamada é elucidativa da sua felicidade: “Sonhei. Quis. Trabalhei. (re)conquistei. Vou com tudo. Confiaram em mim para ser uma vez mais Herói do Mar e vou para mais um troféu conquistar.

 

O momento em que Beto acompanha os adeptos no cântico inicial em Alvalade Fonte: Facebook de Beto Pimparel
O momento em que Beto acompanha os adeptos no cântico inicial em Alvalade
Fonte: Facebook de Beto Pimparel

Penso que só falta agora a Beto ganhar títulos com a camisola do leão rampante. Penso que poderá entrar no lote de capitães da próxima temporada e será uma das vozes de comando do balneário leonino, ou não fosse ele um orgulhoso filho de um antigo elemento do grupo de operações especiais da polícia, a profissão que Beto escolheria se não fosse jogador profissional de futebol. Senhor António Alberto Bastos Pimparel, é um prazer tê-lo na família leonina. Espero que assim continue durante muitos anos e com muitos títulos celebrados.

Foto de Capa: Facebook de Beto Pimparel

Diogo Janeiro Oliveira

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