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Reestruturação das ligas secundárias: Campeonato de Portugal e Distritais

Diogo Pires Gonçalves · 4 min

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Cabeçalho Futebol NacionalTal como a Primeira Liga, todas as divisões que lhe sucedem são suscetíveis de críticas, tanto às equipas, treinadores, dirigentes, como até à estrutura das provas. No entanto, entenda-se crítica como uma sugestão, reparo e oportunidade para melhorar. Nunca como objeto de destruição daquilo que cresceu até agora e tanto nos apaixona; o futebol. Porque é sempre disso que se trata e é nesse sentido que surge este artigo e as palavras de Jorge Silas na sua página de Facebook, ex-jogador dos nossos campeonatos, com passagem por várias equipas.

Neste momento, o Campeonato de Portugal (CP), primeiro escalão a nível nacional, é disputado através de duas fases; numa primeira, 80 equipas, divididas em cinco séries (A, B, C, E e E) com 16 participantes, disputam a subida à Segunda Liga ou evitam a descida aos Distritais. É precisamente na passagem à segunda fase, onde se disputa a subida, que reside o maior problema. É que para lá, apenas se apuram oito equipas! Os primeiros classificados de cada série e os três segundos classificados com melhor desempenho. Ou seja, num universo de 80 competidores, apenas um décimo (oito) tem possibilidades de atingir a divisão seguinte. Daqui resulta, naturalmente, um desinteresse a meio da competição. A meio ou até antes.

A certa altura, metade da tabela já percebe que não terá qualquer hipótese de atingir a fase que se segue e o objetivo passa a ser não descer. Um objetivo, no mínimo, desmotivador porque a qualidade não se descola destes jogadores. Apesar da distância à Primeira Liga, há jogos e jogadores de grande qualidade, como provam alguns atletas que lá vão parar.

O FC Vizela lidera a séria A do Campeonato de Portugal Fonte: FC Vizela
O FC Vizela lidera a séria A do Campeonato de Portugal
Fonte: FC Vizela

À nona jornada do CP, lideram as séries A, B, C, D e E o FC Vizela (23 pontos), o CD Cinfães (21 pontos), a UD Leiria (25 pontos), o CD Mafra (20 pontos) e o SC Farense (24 pontos), respetivamente. Ocupam os lugares mais baixos das mesmas séries o CCD Minas de Argozelo (3 pontos), a UD Sousense (3 pontos), a AD Fornos de Algodres (0 pontos), o CA Pêro Pinheiro (6 pontos) e o Lusitano FC (4 pontos), respetivamente.

A esta altura, é prematuro arriscar quem desce e quem passa à fase seguinte, mas o fosso pontual é já bem grande e a tendência é a aumentar porque o desinteresse também aumenta. As direções percebem que o caminho se afigura complicado e dão início à redução de custos através do despedimento de jogadores ou em alguns casos, lamentavelmente, ao incumprimento salarial. As equipas anteriormente mencionadas não são necessariamente exemplo destas situações, servem apenas para demonstrar a realidade pontual desta competição.

O desejo de quem escreve e de todos os adeptos e seguidores dos clubes e da modalidade é, naturalmente, que todos atinjam aquilo a que se propõem. Mas mais do que ver os clubes cumprirem os seus objetivos (e pagamentos salariais…), é necessário criar essas condições. Não é de admirar, neste cenário desencorajador, que clubes históricos terminem nos Distritais ou até mesmo ponham um ponto final na sua existência. Onde param a Ass. Naval 1º de Maio, o SC Salgueiros ou o SC Campomaiorense?

Alguns conseguem aguentar os anos menos positivos, as descidas de divisão e as dificuldades financeiras, mas o mesmo não acontece com outros exemplos que, tristemente, abandonam competições e os palcos nacionais. As dificuldades de subida garantem, à partida, a qualidade de quem alcança esse objetivo, mas o facto de ser exageradamente restrito origina a quedas sucessivas, desde a Primeira ou Segunda divisões até aos Distritais. Uma vez que se baixa de escalão, perde-se os melhores jogadores e raramente se consegue subir logo de seguida. Que subam apenas duas ou três equipas, sim! Mas que se alargue essa possibilidade a muitas mais!

É incompreensível como se alarga a Primeira Divisão mas se mantém em apenas dois o número de equipas que são despromovidas. Veja-se o que se faz nas Ligas Inglesa, Italiana, Espanhola ou Francesa. A troca de apenas dois participantes é relativamente pouco interessante, pouco aliciante. Quantas mais equipas descerem, maior é a luta pela manutenção e mais clubes são envolvidos na mesma. O interesse é alargado, começa mais cedo e não apenas nas últimas jornadas da competição.

A AD Os Limianos, na AF Viana do Castelo, tenta o regresso ao CP onde esteve presente por longos anos consecutivos Fonte: AD Os Limianos/Ricardo Brito
A AD Os Limianos, na AF Viana do Castelo, tenta o regresso ao CP onde esteve presente por longos anos consecutivos
Fonte: AD Os Limianos/Ricardo Brito

É incompreensível como se gaba tanto a competitividade da Segunda Liga, onde descem quatro equipas no final da prova, e não se transporta isso para a divisão principal. Os exemplos são inúmeros mas o que melhor serviria esta problemática seria aquele que envolvesse o maior número de equipas no mesmo objetivo durante todo o campeonato. A luta aqui é pelo fim do desinteresse, do desinvestimento, a favor da competitividade e da própria defesa do jogador! Passa por aumentar o número de equipas que passam à fase seguinte. Em vez de uma segunda fase com oito equipas, imagine-se o que seria esta mesma luta entre 16 equipas… A decisão pelos lugares de “playoff” era alargada não só a mais equipas como no tempo; nas últimas jornadas ainda nada estaria decidido e o interesse era, assim, preservado. As mesmas 80 equipas seriam divididas em quatro séries de 20 e lutariam pela subida todos os quatro primeiros classificados de cada uma. É assim na Segunda Divisão B espanhola e funciona; diz quem sabe, diz quem conhece.

Necessário mesmo é agir. Estudar antes de mudar e mudar sempre para melhor. Esta reestruturação afeta a base do nosso futebol mas não há que receá-la. Medo devíamos ter de perder jogadores nos escalões inferiores porque não têm as condições de trabalho mínimas e de que precisam. E somos campeões europeus…

 

Foto de Capa: CD Santa Clara

Diogo Pires Gonçalves

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