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Lendas do “Universo” Portista: Aurora Cunha

Nélson Mota · 2 min

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A história do atletismo em Portugal é recheada de momentos memoráveis e conquistas notáveis que ainda hoje são recordados na modalidade. Foram vários os atletas que integraram uma geração de ouro do atletismo português e elevaram a modalidade a níveis nunca antes vistos. Hoje recordamos Aurora Cunha, atleta portuguesa que esteve em atividade na alta competição durante mais de vinte anos e sempre de dragão ao peito.

Aurora Cunha entrou no atletismo com apenas 15 anos de idade ao serviço do Juventude de Ronfe, clube da sua terra natal. Depois de uma breve passagem pelo Sporting CP, acabou por optar pelo FC Porto, seu clube do coração. Começou a impressionar logo desde cedo, batendo os recordes nacionais das provas de 1500 metros e 3000 metros, e foi portanto sem grande surpresa que Aurora Cunha se estreou numa grande competição internacional em 1982.

Nesse mesmo ano a sua “rival” Rosa Mota viria a ganhar a medalha de ouro na maratona do Campeonato da Europa em Atenas e essa conquista fez com que a carreira atlética de Aurora Cunha fosse para sempre ensombrada pela rival da Foz. No entanto, o feito de Rosa Mota nunca foi impeditivo para que Aurora Cunha tivesse construído uma carreira e legado impressionantes com as cores do FC Porto.

Participou em Jogos Olímpicos e conquistou títulos mundiais, e rapidamente se tornou um símbolo de grandeza no atletismo nacional e uma referência mundial no desporto. Foi campeã mundial de estrada em três anos consecutivos (1984, 1985 e 1986) e venceu as maratonas de Paris (1988), Tóquio (1988), Chicago (1990) e Roterdão (1992), bem como a São Silvestre de São Paulo em 1988. Aurora Cunha representou Portugal em três edições dos Jogos Olímpicos (1984, 1988 e 1992) sem, no entanto, conseguir ser medalhada. A nível de competições nacionais venceu 22 títulos ao serviço do FC Porto. O seu clube do coração distinguiu-a por duas vezes com “Dragões de Ouro”, em 1985 (Atleta do Ano) e em 1989 (Atleta de Alta Competição do Ano).

De dragão ao peito, Aurora Cunha construiu um legado invejável Fonte: all-athletics.com
De dragão ao peito, Aurora Cunha construiu um legado invejável
Fonte: all-athletics.com

A geração de ouro de que falei no início do texto marcou um período muito positivo na história do atletismo português, mas acabou por retirar algum mediatismo e valorização ao trabalho de Aurora Cunha. As medalhas de Carlos Lopes e Rosa Mota, assim como os recordes de Fernando Mamede, estarão mais presentes na memória dos portugueses que acabam por esquecer o notável palmarés de Aurora Cunha desde a época em que a atleta nunca tinha pisado uma pista de sintético no clube da sua terra natal até se deslocar a Lisboa para uns Campeonatos Nacionais.

Após ter sido operada três vezes aos tendões e de ter sido mãe, Aurora Cunha viria naturalmente a “pendurar as botas”. Mesmo assim a atleta nunca deixou o desporto e continua a praticá-lo como forma de se manter saudável e em boa forma física. Atualmente é uma das grandes dinamizadoras de eventos desportivos sendo regularmente madrinha de provas de atletismo por todo o país. Os triunfos memoráveis de Aurora Cunha tornarão a sua alma portista para sempre imortal e conferem-lhe o estatuto de lenda do atletismo tanto do seu clube como de todo o país.

Foto de Capa: Move Notícias

artigo revisto por: Ana Ferreira

Nélson Mota

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