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Viveiro de experiência

Diogo Pires Gonçalves · 5 min

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Em qualquer desafio, o seu conhecimento é o ponto de partida. É preciso conhecer o que se enfrenta para se saber qual a melhor forma de o ultrapassar. Isto é aplicável no futebol a todos os níveis, começando desde logo com os treinadores. Expressões como “raposa velha” são utilizadas constantemente, e, não por acaso, são elas as detentoras do maior conhecimento da prova em questão. Se isso é suficiente para derrotar a irreverência da juventude que vai aparecendo, só os jogos o dirão.

A treinadores como Jorge Jesus, Manuel Machado, Manuel Cajuda ou Vítor Oliveira são desculpadas eventuais “gafes” ou aplaudidas e destacadas as constantes análises precisas e acertadas. É esta a vantagem da experiência no que diz respeito à comunicação com o exterior, mas não ficam por aqui. Dentro do campo, onde realmente importa e onde os jogos são disputados, a experiência do treinador é também aplicável, mas só pode ditar o sucesso se houver compreensão, colaboração e comprometimento por parte dos intervenientes, os jogadores. E é pelos jogadores que se percebe a importância da experiência, do calo, do hábito.

Miguel Cardoso tem em Cássio uma voz de comando experiente dentro de campo
Fonte: Rio Ave FC

Para além do universo dos “três grandes”, a experiência mescla-se no balneário com os jovens à procura de afirmação. Uma das equipas que melhor futebol pratica no nosso campeonato, o Rio Ave FC, é um bom exemplo disso mesmo; conta no seu plantel com dois conhecidos intervenientes do desporto rei, Cássio e Tarantini. O primeiro, guarda-redes brasileiro de 37 anos, atua em Portugal desde a época de 2008/09 e está na quarta época ao serviço dos vilacondenses. Passou ainda cinco épocas na capital do móvel e uma em Arouca. O segundo, médio português de 34 anos, cumpre a décima época no clube de Vila do Conde, depois de passagens por Gondomar, Portimão ou Covilhã.

No Bessa, mora uma das figuras mais conhecidas do nosso campeonato dos últimos tempos, talvez não pelos melhores motivos. Mateus construiu a sua carreira quase exclusivamente em Portugal, passando seis anos no CD Nacional, dois em Barcelos e Arouca e vai no segundo ao serviço dos axadrezados. Na cidade berço, Douglas e Moreno apresentam-se como dois dos símbolos maiores do clube. O guarda-redes brasileiro de 34 anos está há oito épocas em Portugal, todas ao serviço do Vitória SC. O defesa português de 36 anos vai na 11ª época pelos conquistadores e conta, por exemplo, com uma passagem de dois anos pelo CD Nacional, num total de 18 temporadas no nosso campeonato.

O CD Tondela e o seu treinador, Pepa, contam no seu plantel e, em particular, no seu eixo defensivo, com um poço de experiência, conhecimento do jogo e das relações humanas no âmbito desportivo, que é Ricardo Costa. O defesa central português de 36 anos acumula nove épocas em Portugal, a maior parte ao serviço do FC Porto, mas também passagens pelo VfL Wolfsburg, PAOK ou Valencia CF, onde é muito querido entre os adeptos espanhóis.

Na capital do móvel, Ricardo é um dos jogadores mais experientes. O defesa de 37 anos está na nona época no Paços de Ferreira FC e conta ainda com passagens pelo SC Beira-Mar, Vitória SC, FC Famalicão ou SC Freamunde. Convivem também no balneário pacense os médios André Leão e Rúben Micael, de 32 e 31 anos, respetivamente. O primeiro cumpre a sexta época ao serviço deste clube, tendo passado pelo CFR Cluj da Roménia e pelos espanhóis do Valladolid CF. O segundo experimenta novo clube português, depois de alinhar na Madeira ao serviço do Nacional e do União, no Porto ou em Braga. Passou ainda pelo Real Zaragoza e pelos israelitas do Maccabi Tel Aviv.

Ainda a Norte, mora na Vila das Aves a baliza mais experiente do campeonato português. Os avenses vêm a disputa da sua baliza entregue a Quim, Facchini e Artur Moraes, de 42, 34 e 37 anos, respetivamente. O guardião português vai na vigésima quarta(!) época em Portugal, maioritariamente ao serviço do SC Braga (13 anos), mas também pelo SL Benfica (seis) e CD Aves (cinco). O mais novo deste lote, o brasileiro Facchini, está na sua oitava época no país e para além das passagens pelo Gil Vicente FC e CF União da Madeira, esteve ainda dois anos na Turquia, nos quadros do DC Karabukspor. Artur Moraes, o guarda-redes que esteve ao serviço do SL Benfica por quatro temporadas, regressa a Portugal para a sexta temporada no nosso campeonato, vindo dos brasileiros da Chapecoense.

Ricardo Costa experimenta um novo clube português depois do FC Porto
Fonte: CD Tondela

Mas nem só na baliza se verifica a experiência dos avenses. O meio campo desta equipa conta com o contributo de Braga e Paulo Machado. O primeiro, de 34 anos, já passou dois anos no Leixões SC, quatro no Rio Ave FC e dois no GD Chaves, por exemplo. O segundo, de 31 anos, vai na sexta época em Portugal e passou três anos GNK Dinamo Zagreb, dois no PAE Olympiacos e três no Toulouse FC.

Mais a sul do país, temos o exemplo de Moreira no GD Estoril Praia e de Edinho no Vitória FC. O guarda-redes português de 35 anos, que esteve doze anos no SL Benfica, regressa a Portugal depois de passagens de três épocas nos cipriotas do AS Omonia e de um ano nos ingleses do Swansea City AFC. O avançado de 35 anos vai na sua 12ª época em Portugal, depois de experiências no AEK, PAOK e Málaga CF.

Em Portimão, para além do vasto conhecimento do treinador Vítor Oliveira, o clube local conta ainda com os contributos dos portugueses Ricardo Pessoa e Pires. O defesa de 36 anos está na 12ª época em Portugal, com uma passagem de quatro anos pelo Vitória FC e um contributo fundamental no ano de subida do Moreirense FC. O avançado, também de 36 anos, vai na sexta época no Portimonense SC, num total de 18 épocas no nosso país.

Longe dos índices físicos de outros tempos, são estas as figuras que empurram as suas equipas para os seus objetivos com pequenos detalhes que valem pontos. Um grito na altura certa, um conselho certeiro ao intervalo ou uma pausa no jogo num momento preciso podem ser fundamentais no desfecho da época destes clubes. Claro que, no final do jogo, são as bolas que entraram em cada uma das balizas que contam para a classificação, mas o caminho até lá percorrido pode ser ser feito de várias formas. Espera-se destes jogadores um comportamento exemplar e uma relação de excelência com os árbitros e adversários. Afinal, são figuras conhecidas do nosso meio e vêm não só trazer conhecimento aos seus colegas, mas também abrilhantar e apetrechar com qualidade as nossas competições.

Foto de capa: Para Eles

Revisto por: Rita Manique

Diogo Pires Gonçalves

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Diogo Ribeiro · 5 min de leitura
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