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Esperar por um salto maior ou sair aquando da oportunidade?

Tiago Serrano · 2 min

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Após o aparecimento da Geração de Ouro, o campeonato português tem-se afirmado como uma rampa de lançamento para os principais campeonatos europeus. Apesar disso, nem todos têm tido o mesmo sucesso ao dar o salto. Um factor que muitas vezes é a principal razão da falta de sucesso de um jogador ao sair para um clube maior tem a ver com a sua escolha e com o timing desta.

Há uns tempos, falei aqui do facto das estrelas emergentes do futebol português como Renato Sanches ou André Silva darem o salto cedo demais, saltando para um clube de grande renome europeu sem estarem preparados para tal. E com isso acabam por não jogar com a regularidade desejada e, consequentemente, atrasam a sua evolução.

No entanto, existem outros atletas que ao darem o salto para outro clube, deixam a impressão de que mereciam mais e melhor. Creio que Ricardo Pereira é um desses casos. Poucos dias após anunciada a sua presença entre os 23 escolhidos para representarem o nosso país na Rússia, seria anunciada a transferência do lateral-direito para o Leicester City FC, a troca de 20 milhões de euros, mais cinco em objectivos.

A meu ver, esta transferência é um mau negócio, não pelos valores envolvidos (que são justos na mina opinião), mas sim pelo potencial desportivo e financeiro que ainda tem. Onde é que eu quero chegar com isto? Bem, todos nós sabemos que vai competir no melhor campeonato do mundo e que existem poucos futebolistas no mundo que diriam não a uma proposta dessas. E também sabemos do sufoco financeiro que o FC Porto atravessa devido ao fair-play financeiro e à consequente intervenção da UEFA.

Ricardo Pereira realizou uma época de grande nível e optou por dar o salto para o Leicester City FC
Fonte: FC Porto

No entanto, ao termos noção da qualidade do jogador e do que ainda pode atingir, concluímos que este salto é curto para ele. Ainda para mais, tendo em conta que ele já jogou duas temporadas no OGC Nice, onde ajudou o clube a qualificar-se para as competições europeias. Dadas as circunstâncias, eu chego à conclusão que se ele permanecesse mais uma ou duas temporadas no FC Porto, daria um salto maior. Seria titular nos azuis e brancos, competia nas competições europeias e já mais experiente e mais maduro, seria vendido por valores superiores a um clube com uma maior estatuto que um clube do meio da tabela da Premier League.

Aos 24 anos, Ricardo Pereira ainda vai muito a tempo de rumar a um grande clube europeu. Um bom exemplo disso mesmo é Rui Costa, que aos 22 anos foi para a ACF Fiorentina e, aos 29, seguiu para o AC Milan. Mas quem fica aqui a perder é o clube que o vende.

Esta política das “vendas rápidas” sem fazer com que o jogador em questão cresça e fique perto de atingir o seu potencial máximo tem sido uma prática comum no futebol nacional. Todos sabemos que os clubes portugueses estão muito dependentes da venda de jogadores para conseguirem equilibrar as contas. Porém, no caso de jogadores mais jovens que ainda não atingiram o pico de valorização, tentar segurá-los por mais uns aninhos seria o mais benéfico para ambas as partes.

Foto de Capa: Leicester City FC

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

Tiago Serrano

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