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O Vitória Sport Clube já nos habituou a ser sempre uma das equipas mais fortes e temíveis fora do conjunto dos denominados “três grandes”. Os vimaranenses pela sua história e por toda a paixão que envolve os seus aficionados são um clube que tem legitimas aspirações de se proclamar como o “quarto grande”.
As coisas, no entanto, não correm sempre bem para os lados de Guimarães. O Vitória SC tem sido um clube marcado por períodos de grande instabilidade neste século. Ora faz grandes épocas, ora tem uma época mais desapontante. Este tem sido o grande obstáculo ao crescimento efetivo do clube que teima em não se afirmar como um clube europeu.
A época passada foi uma dessas épocas, que foram um claro retrocesso, por comparação com a época anterior. O treinador até foi o mesmo, Pedro Martins, mas parece-me que o planeamento do plantel não foi o melhor. Depois de um grande quarto lugar, à frente do seu grande rival, SC Braga, e de ser finalista da Taça de Portugal, esperava-se, no mínimo, que o Vitória SC conseguisse estabilizar-se na luta pela Europa. A verdade é que as coisas não correram nada bem e o treinador Pedro Martins acabaria por sair a meio da época, depois de perder 5-0 contra o SC Braga em casa. Para o seu lugar veio José Peseiro que não conseguiu inverter muito as coisas. Feitas as contas, o Vitória SC acabaria a temporada 2017/2018 em nono lugar. Os tais altos e baixos constantes que eu já referi.

Fonte: Vitória SC
Ora, o facto de mesmo após o treinador Pedro Martins ter sido dispensado as coisas não terem melhorado muito aponta, claramente, para erros estruturais no início da temporada. E nesse aspeto o presidente dos vimaranenses, Júlio Mendes, não pode ser isento de culpas. Acho que existe um certo “comodismo” que leva o Vitória ora a fazer uma aposta forte e a retirar frutos, ora a desinvestir e a ter uma época mais negativa. Em Guimarães, certamente, olha-se para os vizinhos de Braga e sonha-se que o Vitória um dia consiga atingir o patamar da estabilidade que o SC Braga conseguiu atingir. Com boas exibições europeias aliadas a qualificações constantes para a Europa.
Esta parece ser outra época de aposta forte em Guimarães. O treinador, para mim, foi muito bem escolhido. Luís Castro tem tido uma carreira em crescendo dentro do futebol português. Depois de ser campeão da Segunda Liga pelo Porto B, seguiu para o Rio Ave FC e de Vila do Conde saiu para Chaves, onde fez uma época não perfeita, mas razoável. A escolha de Júlio Mendes parece-me bem pensada.
O plantel também tem sido alvo de bons ajustes. O Vitória SC tem tido uma aposta forte em alvos do mercado interno e valores seguros. Florent (ex-Belenenses), Frederico Venâncio (ex-Vitória FC), Rafa Soares (ex-Portimonense), Alexandre Guedes (ex-Desportivo Aves), Davidson (ex-Chaves), André André (ex-FC Porto), Osório (ex-FC Porto) e Pedro Rodrigues (empréstimo do Benfica), são todos novas contratações para o Vitória SC que partiram do mercado interno português.

Fonte: Vitória SC
Certamente que este ainda não será o elenco definitivo para a época 2018/2019. Ainda se poderão registar algumas saídas e algumas entradas, mas aquilo que se vê, para já, é bastante promissor. O Vitória SC está a juntar um plantel bastante experiente e talentoso, aliado com alguma juventude. Depois claro há sempre o fator do treinador de que eu já falei, mas que reforço a sua importância, também me parece ser um treinador com “unhas” para tocar esta “guitarra”.
Os adeptos em Guimarães, como se sabe, nunca exigem pouco. E o discurso ambicioso que Luís Castro tem tido durante esta pré-época certamente que lhes agrada. O campeonato irá começar, desde logo, com uma deslocação difícil ao Estádio da Luz, mas estão reunidas as condições, em Guimarães, para uma grande temporada, com o objetivo de chegar novamente às competições europeias e, quem sabe, conquistar um dos troféus nacionais.
Acho que o maior desafio, depois de confirmada a boa temporada do Vitória SC, será conseguir continuar na mesma senda e não voltar a cair no caminho da mediocridade.
Foto de Capa: Vitória SC
Artigo revisto por: Rita Asseiceiro









