Última horaImprensa espanhola escreve sobre Vitinha: «É uma impossibilidade para os restantes clubes»
Publicidade

Alarcón vence Volta ferida na sua credibilidade

José Baptista · 3 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Raul Alarcón vestiu em Fafe a camisola amarela, na final da Volta a Portugal 2018, alcançando a sexta vitória consecutiva para o conjunto que representa, a W52/FC Porto. O líder da equipa dos “Dragões” levou ainda para casa três etapas, a camisola da montanha e o prémio do combinado e ajudou a triunfar na classificação coletiva. 

O espanhol, que já tinha ganho a Volta e duas etapas em 2017, é cada vez mais a figura maior do pelotão nacional. Em relação ao domínio da W52/FC Porto, esse não dá sinais de abrandar. Se a primeira semana da Volta deu a sensação de que os azuis e brancos podiam não estar ao nível habitual, a segunda foi mais do mesmo, com o contrarrelógio final como corolário de um domínio avassalador.

O homem que mais luta deu foi o melhor português, Joni Brandão, que ficou pela segunda vez na carreira no lugar mais agridoce. Nas etapas mais duras, o ciclista do Sporting tentou testar a equipa do líder, mas nunca conseguiu deixar Alarcon em dificuldades. Ainda assim, após a ausência do ano passado, foi o regresso de Joni à luta pela Volta e a equipa deu uma boa resposta, com Frederico Figueiredo a terminar no quinto posto.

O pódio foi fechado pelo vencedor da classificação dos pontos e de três etapas, Vicente de Mateos. O polivalente espanhol repetiu o lugar de 2017, mas os seus resultados deixam uma sombra sobre a Volta. De Mateos foi suspenso provisoriamente por anomalias no passaporte biológico, mas acabou por lhe ser permitido que continuasse a correr enquanto corre o processo, ou seja, está no limbo e poderá vir a ser castigado e os resultados desta Volta retirados.

De Mateos venceu três etapas e a camisola verde, apesar de estar a ser investigado pelas autoridades anti-doping espanholas
Fonte: José Baptista/Bola na Rede

A verdade é que a Volta a Portugal já não tem, por vezes, a melhor imagem internacionalmente, exatamente pela estranheza dos desempenhos demasiado bons de ciclistas que não são capazes de fazer o mesmo tipo de exibições em provas fora de portas e uma situação destas só vem confirmar essa ideia.

Neste caso em particular, nem a equipa nem a organização estiveram bem. A equipa, porque não quis proteger a modalidade e garantir que o processo fosse gerido com a devida razoabilidade. A organização da Volta, pela incoerência, porque não se manifestou sobre este caso, mas, por uma questão idêntica, retirou o convite à Burgos-BH para participar. 

Entretanto, saíram a público informações de que também o vencedor da Juventude, Xuban Errazkin, estará sob investigação por dois controlos positivos no GP Abimota. Mais uma notícia triste e que fere a credibilidade da prova e do desporto. Resta esperar por mais desenvolvimentos.

Fora tudo isso, o principal nome foi o italiano Ricardo Stracchiotti, que venceu as duas chegadas em pelotão compacto desta edição da Volta. O campeão nacional de fundo e de crono, Domingos Gonçalves, também esteve em destaque com vários ataques e uma vitória em etapa, enquanto Rafael Reis, vencedor do prólogo, foi o único a envergar a amarela além do suspeito do costume.

Foi, sem dúvidas, uma excelente Volta, com lutas bem mais interessantes que as edições mais recentes, mas que perde pela previsibilidade do resultado e pelo domínio absoluto de uma só equipa. Ainda assim, a organização esteve melhor quanto ao percurso desenhado – claramente uma melhoria face ao passado mais próximo. Por fim, é de destacar a falta de qualidade das equipas portuguesas para os sprints, em que, apesar de alguns bons esforços de João Matias e Luís Mendonça, se deixaram dominar pelos adversários estrangeiros.

Foto de Capa: José Baptista/Bola na Rede

José Baptista

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

O início da revolução tática de Franclim Carvalho | Braga 2-0 Gent

Fechado o capítulo com Carlos Vicens, o primeiro teste do Braga sob o comando de Franclim Carvalho deixou indícios de uma equipa a procurar novos sinais de identidade e a querer agarrar o rumo da temporada, vencendo o Gent por 2-0 em frente aos adeptos gverreiros. O futebol de Vicens encantou em muitos momentos, surpreendendo até os três grandes do futebol português, mas a falta de produto final e a instablidade defensiva ditaram vários resultados negativos, acabando por forçar a mudança. Com o novo líder, a verticalidade do ataque bracarense foi sentida desde cedo e, apesar de ainda estar longe do ideal, o desempenho do Braga acabou por ser mais que suficiente para somar os primeiros três pontos da temporada na Conference League. A primeira grande alteração passou pelo sistema base, deixando o 3-4-3 de Vicens e instalando um 4-2-3-1, cujas nuances encaixaram muito bem com as características do plantel. Começando pelo momento ofensivo, o Braga mostrou grande variabilidade na quantidade e disposição dos elementos envolvidos na primeira fase de construção. A saída mais utilizada foi em 3+1, com Bright Arrey-Mbi a fechar como central e com João Moutinho como o elemento mais recuado do meio-campo, fazendo Gorby Baptiste «crescer», como referiu o treinador na conferência de imprensa, em resposta ao Bola na Rede. O francês é claramente o jogador com características que mais se adaptam a esta função, sendo assim alguém que pode vir a ter uma temporada em que dá mais um salto na carreira. No entanto, os minhotos conseguiram também construir em 3+2, deixando Gorby mais recuado, e ainda em 4+2, com Bright aberto na esquerda e Victor Gómez mais recuado na direita.

Dinis Jacob · 5 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.