Força da Tática: O monstro que Sarri está a criar (Parte 1)

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A Primeira aventura do Italiano no estrangeiro conta com uma ajuda importante.

No passado dia 14 de julho, Maurizio Sarri foi anunciado como novo treinador do Chelsea, substituindo o compatriota Antonio Conte no comando dos Blues. Apesar de partilharem a mesma nacionalidade, podemos esperar um Chelsea completamente diferente daquele que vimos nos últimos anos. Sarri procura transferir para Inglaterra o projeto apaixonante que construiu em Itália!

A questão que todos colocaram, depois desse anúncio, era se o Italiano conseguiria adaptar a “roda que inventou“ em Nápoles, a um terreno totalmente diferente, que ia exigir à tal roda uma rotação mais rápida e dinâmica.

O que fez Maurizio Sarri? Adaptou-se e criou uma “nova roda?” Claro, que não: trouxe com ele, o génio que a comandava.

O Génio tem um nome

E esse nome é Jorginho. É nele que me vou focar ao longo destas linhas.

O futebol é para Sarri, como deveria ser para todos, um jogo simples. O objetivo é movimentar a bola em direção á baliza contrária, invadir o campo do inimigo, quebrando a suas linhas e apesar de existirem várias formas de o fazer, a mais rápida é usando a verticalidade. E poucos a usam de forma mais brilhante que Jorginho.

O brasileiro é preponderante na fase inicial de construção, não porque dê segurança através de distribuição de curta e média distância, como vemos muitos jogadores da sua posição, mas pela forma como executa de forma eficaz uma ação de alto risco por ser feita logo na primeira fase de construção, os passes verticais.

Jorginho é o fiel companheiro de Sarri
Fonte: Chelsea FC

Dá segurança e confiança à equipa, ao executar ações de risco de forma eficaz.

Jorginho consegue, através dessa ação, quebrar uma e duas linhas de pressão do adversário, encontrando companheiros livres nas costas da linha média do adversário. Ao encontrar companheiros (Hazard, Kovavic, Pedro, entre outros) nessas zonas apenas através do seu passe, o Chelsea consegue (porque não precisa desses jogadores no início de construção) rodear o recetor do passe de jogadores, para dar sequência à jogada através de rápidas combinações de apoios frontais e movimentos sem bola.

Pressão louca

Quando falamos de Sarri, dois termos surgem imediatamente na nossa cabeça: Verticalidade (já abordada) e Pressão.

E a razão não é aleatória. A forma como a equipa pressiona sem bola está diretamente relacionada com o sucesso/insucesso do momento ofensivo, onde a verticalidade é a maior arma. Essa relação de dependência, consegue-se explicar precisamente recorrendo a Jorginho.

Se por um lado a forma desestruturada com a maior parte das equipas da Premier League (PL) pressionam, com uma constante falta de acesso à bola, pode maximizar as qualidades de Jorginho de que falei, o jogo direto e físico da PL vai expor as suas debilidades como a falta de capacidade aérea e de controlo pela segunda bola. As equipas recorrem muito ao jogo direto e ajustam-se para ganhar a segunda bola, numa situação de perda de bola no meio-campo ofensivo, e com a equipa do Chelsea FC subida e com muitos homens na frente, Jorginho ficará muito exposto a estas segundas bolas, logo é necessário recuperar a bola o mais rapidamente possível e o mais longe da sua área.

Aqui para além da rápida resposta à perda da bola, é necessário a subida da linha defensiva, por conseguinte o papel do guarda-redes protegendo a profundidade atuando como libero.

Já vemos a importância de Jorginho também nesse momento, quando a equipa perde a bola, a indicar com os braços abertos para pressionar o adversário. Todos. Todos a reduzir espaços a e a pressionar a tomada de decisão do adversário, este não pode ter tempo para pensar.

Manipulação do lado cego, do próprio Jorginho

A maior parte das equipas vai tentar pressionar o início de construção do Chelsea FC (vimos logo isso no primeiro jogo contra o Huddersfield), mas na eventualidade dos comandados de Sarri conseguirem ultrapassar este primeiro momento ou se os adversários escolherem defender mais baixo (por exemplo, na linha de meio-campo) em Organização Defensiva, com a equipa compacta verticalmente, a manipulação das costas dos jogadores adversários será fundamental para o sucesso do Chelsea FC.

Todos nós sabemos como os movimentos no lado cego dos adversários são destruidores, sejam estes em lances de cruzamento ou de bolas diagonais. Agora muito menos comum é vermos um jogador usar o que ele próprio não vê, em favor da sua equipa.

Três jogos, três vitórias
Fonte: Chelsea FC

Muitas equipas pressionam em resposta a determinados estímulos como a bola chegar ao corredor lateral, onde a equipa usa a linha lateral para estrangular o adversário, ou o adversário receber de frente para a sua baliza. O que Jorginho faz é muitas vezes colocar-se de costas para a baliza adversária propositadamente para atrair o adversário mais próximo para o pressionar, quando o passe é efetuado, Jorginho devolve a bola de primeira de volta para o jogador que fez o passe (David Luiz muitas vezes), isto abre uma linha de passe vertical para um outro colega (Hazard ou Pedro) nas costas dessa linha de pressão.

Apesar dessa qualidade, na primeira fase de construção é mais difícil ter esse comportamento, porque os adversários adiantam a marcação e ficam logo em cima, impedindo Jorginho de receber. Aqui uma solução é Jorginho receber de frente para a baliza adversária, sendo necessário vir um dos médios interiores receber o primeiro passe dos centrais, devolvendo de frente para Jorginho, que assim já recebe de frente para a baliza adversária.  Para isso é necessário ter médios resistentes à pressão e no Chelsea não faltam.

Essa é uma questão a ser muito trabalhada pelo Chelsea FC, criar uma estrutura que cada vez mais permita a Jorginho receber a bola de frente para o jogo, logo desde posições recuadas e onde o papel dos parceiros de meio-campo será importante.

É deles que falarei na segunda parte…

 

Foto de Capa: Chelsea FC

Artigo revisto por: Jorge Neves

João Mateus
João Mateushttp://www.bolanarede.pt
A probabilidade de o Robben cortar sempre para a esquerda quando vinha para dentro é a mesma de ele estar sempre a pensar em Futebol. Com grandes sonhos na bagagem, está a concluir o Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial, pela Uni-Nova e procura partilhar a forma como vê o jogo com todos os que partilham a sua paixão.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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