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Diamond League 2018 – As finais de Bruxelas: Antevisão

Pedro Pires · 18 min

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Continuando o nosso especial das finais da Diamond League, hoje fechamos as antevisões, com o que poderemos esperar do segundo dia de finais, na próxima sexta-feira, em Bruxelas.

100 metros (M): Christian Coleman e Ronnie Baker começaram a época indoor em grande forma, a dividir as atenções e ambos fizeram história. Christian Coleman, é certo, num patamar acima, pois fez o que mais ninguém alguma vez fez, correndo os 60 metros em 6.34 segundos, um novo recorde mundial da distância, sendo que Ronnie Baker com os 6.40 segundos tornou-se no terceiro mais rápido de sempre! Coleman viria a ser campeão mundial em Birmingham, onde Baker foi terceiro e entre os dois, o chinês Su Bingtian, ele que com os seus 6.42 passaria a ser o 5º mais rápido de sempre. O chinês não estará aqui – pois está a competir nos Jogos Asiáticos, onde já venceu o Ouro nos 100 metros – mas é um fechar de época com significado especial, quase como que encerrando o ciclo que foi iniciado na pista coberta, ao termos aqui os dois rivais norte-americanos.

O dia em que Christian Coleman bateu o recorde mundial Indoor, nos Nacionais Indoor norte-americanos
Fonte: IAAF

E os dois poderão ser encarados como os grandes favoritos, embora cheguem aqui a Bruxelas numa posição diferente do que a que chegaram à final de Birmingham. Ronnie Baker tem-se superado sucessivamente e apresenta-se na Bélgica como o novo líder mundial dos 100 metros, tendo corrido em 9.87 segundos (0.3) na semana passada na Polónia. Com um vento ligeiramente acima do legal (+2.4) já correu em 9.78 este ano, em Eugene, onde bateu Christian Coleman. Mais tarde, em Rabat, Coleman bateu Baker, ambos terminando em 9.98 (-0.1). Ainda assim, Coleman passou por um período de pequenas lesões neste verão, pelo que é incerto se já se sente totalmente na máxima força. Certo é que em condições normais, Coleman vale mais do que os 9.94 (-0.5) que tem de recorde pessoal nesta temporada. Em pista não estará Noah Lyles (correrá apenas os 200, onde ainda se sente mais confortável), mas nomes como Yohan Blake, Akani Simbine, Reece Prescod ou Mike Rodgers garantem que nenhum dos dois favoritos se poderá distrair, caso queiram vencer o Diamante.

A nossa aposta: Ronnie Baker (USA)

200 metros (F): Não se deixem enganar pelo seu lugar no ranking mundial. Se há quem domine os 200 metros em 2018, essa atleta é Shaunae Miller-Uibo. Miller-Uibo participou em 7 provas de 200 metros e venceu as 7, batendo todas as suas mais fortes adversárias. Havia a dúvida se a atleta das Bahamas iria participar nos 200 ou nos 400 metros (a sua distância de eleição), mas ela irá mesmo fechar a época com participações nos 200 metros aqui em Bruxelas e na Continental Cup em Ostrava. A líder mundial, Dina Asher-Smith, não estará presente, pois fará os 100 metros de Bruxelas, mas no ar não fica qualquer sensação de dúvida de como poderia ser o duelo entre ambas, uma vez que Shaunae Miller bateu Asher-Smith em Birmingham há menos de duas semanas, já depois da britânica fazer história em Berlim. Quanto a quem estará presente em Bruxelas, no papel a ameaça para Miller poderá vir da jamaicana Shericka Jackson, que já correu em 22.05 este ano, mas a jamaicana tem-se mostrado bastante inconsistente. Ao mesmo tempo, quem tem começado a melhorar, a nível de marcas e de prestações, é Dafne Schippers, a campeã mundial da distância, que bateu Miller há um ano em Londres. Não sabemos se será suficiente. Os últimos 30 metros de Schippers ainda aparentam estar muito longe daquilo a que nos habituou e aí a atleta das Bahamas continua fortíssima.

A nossa aposta: Shaunae Miller-Uibo (BAH)

400 metros (F): Duas atletas dominaram o circuito nesta temporada, embora nas 3 provas que Shaunae Miller-Uibo fez este ano, ela tenha vencido sempre, incluindo dois meetings Diamond League. Acontece que a atleta das Bahamas, tal como já mencionámos, escolheu realizar a prova de 200 metros, em vez dos 400. Assim sendo, a grande favorita tem que ser Salwa Eid Naser, a jovem do Bahrain que apenas perdeu uma vez durante todo o ano, e foi para Miller-Uibo, no dia em que a atleta das Bahamas baixou pela primeira vez na carreira dos 49 segundos. Naser também ficou lá próximo e aos seus 20 anos, correu no Mónaco em 49.08 segundos, demonstrando uma forma impressionante e um futuro ainda mais promissor. Ela foi medalhada de Prata em Londres na temporada passada e chega a Bruxelas, depois de dois Ouros nos Jogos Asiáticos (400 e 4×400 misto), mas veremos se a longa viagem de Jakarta para Bruxelas um dia antes desta final não influenciará no seu rendimento. Como principais adversárias terá a jamaicana Stephenie Ann McPherson e um enorme batalhão norte-americano (5 atletas!), que inclui a 3ª mais rápida do ano, Shakima Wimbley (em 49.52) prata nos Mundiais Indoor, a campeão desses Mundiais Indoor – Courtney Okolo – e também a campeão mundial ao ar livre na época passada, em Londres, Phillys Francis.

Francis e Naser em mais um duelo
Fonte: Rabat Diamond League

E cuidado com Francis. É que ela é conhecida por apresentar a sua melhor forma nos momentos decisivos – as únicas 3 vezes que baixou dos 50 segundo foram sempre em finais: duas vezes nos Campeonatos/Trials Norte-Americanos e na final dos Mundiais de Londres!

A nossa aposta: Salwa Eid Naser (BHR)

800 metros (M): Serão 5 os quenianos presentes nesta final dos 800 metros, incluindo o líder mundial Emmanuel Korir. Korir correu, em Londres, em 1:42.05, o mais rápido que o mundo viu alguém correr nos últimos 6 anos, tornando-se no 6º mais rápido de sempre a percorrer a distância. Mais tarde, em Birmingham, foi um pouco mais lento, mas terminou outra vez em 1:42 e esse tempo bastaria para continuar a ser o mais rápido, este ano, entre os presentes em Bruxelas. É logicamente o favorito, embora existam muitos homens rápidos em pista, num field que apresenta outros 5 atletas que baixarem do 1:44 este ano. Entre eles estará o seu compatriota Ferguson Cheruiyot Rotich e o norte-americano Clayton Murphy – dois atletas que sabem o que é correr em 1:42, pois já o fizeram no passado, sendo que o americano o fez no dia em que foi Bronze no Rio! Ainda assim, a maior ameaça a Korir, poderá vir do jovem de 21 anos, também ele queniano, Wyclife Kinyamal, que venceu em Xangai e em Roma.

A nossa aposta: Emmanuel Korir (KEN)

1.500 metros (F): Foi com surpresa que ao serem anunciadas as startlists para Bruxelas, constatámos que Sifan Hassan estava presente na lista para estes 1.500 metros. É que a holandesa fará na noite anterior os 5.000 metros em Zurique, o que torna a missão de fazer as duas distâncias em algo hercúleo.

Sifan Hassan irá procurar fazer os 5.000 em Zurique e um dia depois…os 1.500 em Bruxelas!
Fonte: IAAF

Por aqui também estará Laura Muir, a britânica que se sagrou campeã europeia em Berlim, mas que aqui provavelmente não arriscará o mesmo tipo de estratégia, de tentar partir o grupo desde muito cedo. É que além de Muir e Hassan, existem 4 outras atletas que já correram abaixo dos 4 minutos este ano! A mais rápida este ano em pista é a norte-americana Shelby Houlihan, que terá a companhia da sua compatriota Jenny Simpson, uma ex-campeã mundial, que ainda no passado foi Prata em Londres, depois de ser Bronze no Rio. A marroquina Rababe Arafi e a etíope Gudaf Tsegay são as outras duas atletas que podem entrar na luta de uma prova que parece muito em aberto.

A nossa aposta: Shelby Houlihan (USA)

5000 metros (M): Tem sido um dos anos com piores prestações a nível de marcas no fundo masculino. Ninguém ainda baixou dos 13 minutos, parecem existir cada vez menos provas por ano e algumas das estrelas viraram-se para outras distâncias, como a Maratona. Ainda assim, o elenco presente em Bruxelas é capaz de proporcionar um bom espetáculo e, caso queiram, podem muito bem vários deles correr abaixo da atual marca líder do ano. Não sabemos qual o tipo de estratégia que vai ser adotada, mas entre os presentes estará o atual campeão mundial, aquele que impôs a Mo Farah a derrota na sua última grande final global em pista, o etíope Muktar Edris. Aliás, etíopes é algo que não faltará, com 6 atletas previstos, incluindo Hagos Gebrhiwet – Bronze no Rio – e dois dos atletas mais entusiasmantes da nova vaga: o medalhado de Prata nos 3000 de Birmingham, Selemon Barega e o duplo campeão mundial indoor dessa distância, Yomif Kejelcha, que há bem pouco tempo correu os 3.000 metros mais rápidos dos últimos 7 anos. Achamos difícil alguém poder retirar a vitória a um dos etíopes, mas nomes como Mohammed Amman (CAN), que foi quarto no Rio e Paul Chelimo (USA), segundo no Rio e terceiro em Londres, merecem atenção redobrada. Espetáculo haverá com certeza. Se será uma prova rápida? Isso já depende do que os artistas presentes quiserem.

A nossa aposta: Yomif Kejelcha (ETH)

100 metros barreiras (F): Numa época em que temos, em simultâneo, duas mulheres que já correram na casa dos 12.2 e que este ano já o fizeram ambas em 12.3, qualquer prova desta distância com barreiras é especial e um recorde mundial pode aparecer a qualquer momento. Ainda mais tendo em conta que uma delas – Kendra Harrison – é a atual recordista mundial. Não é o que se espera desta prova de Bruxelas, mas deverá ser mais uma prova rapidíssima com as norte-americanas a concentrarem todas as atenções. Serão 5 as atletas dos EUA presentes, com o favoritismo a recair para Harrison – que este ano venceu finalmente um título global, com a conquista do Ouro nos 60 metros barreiras Indoor em Birmingham – e para Brianna McNeal, anteriormente conhecida por Rollins.

Mais um emocionante duelo Harrison-McNeal
Fonte: Diamond League

McNeal é a atual campeã olímpica e, depois de um ano de paragem forçada, regressou em toda a força, voltando às grandes marcas. Kendra venceu dois eventos, Brianna três. Mas dos três que Brianna venceu, Kendra esteve presentes apenas em um, enquanto que as duas vitórias de Kendra tinham Briana em prova! Outra atleta que também se poderá intrometer na luta – e que venceu em Roma – é Sharika Nelvis, atleta de 12.3 e que este ano já correu em 12.51. Destaque ainda para o facto deste meeting significar a última prova da competição para a ex-campeã olímpica, Dawn Harper-Nelson, que no início da época anunciou que este seria o seu último ano nas pistas.

A nossa aposta: Kendra Harrison (USA)

110 metros barreiras (M): Sergey Shubenkov vinha a ter uma época praticamente perfeita. Apesar de ter perdido nas suas duas primeiras provas da temporada – em Xangai e em Eugene – depois disso venceu por 12 vezes (falhando apenas em Paris, por falsa partida). Mas além das vitórias, tinha corrido 3 vezes abaixo dos 13 segundos, algo que antes só havia acontecido por uma vez na sua carreira. Como cereja no topo de bolo tem um novo recorde pessoal de 12.92 segundos (+0.6), algo que o coloca, igualado, como o oitavo mais rápido atleta da história! No entanto, na final dos Europeus de Berlim aconteceu o impensável. Uma péssima partida do russo foi muito bem aproveitada pelo francês Pascal Martinot-Lagarde, que venceu em 13.17 segundos (0.0). Os dois aqui estarão e não se espera que o francês volte a surpreender o russo. Mas atenção: em pista estará um Orlando Ortega sedento de vitórias e que em Birmingham correu em 13.08 (+1.3), lamentando-se no final, afirmando que se tivesse corrido assim em Berlim, seria campeão europeu! Assim, todo o pódio de Berlim vem à procura do diamante, numa prova que contará ainda com a presença de dois rápidos jamaicanos, Ronald Levy e Hansle Parchment e um sempre perigoso norte-americano Devon Allen.

A nossa aposta: Sergey Shubenkov (RUS)

3000 metros obstáculos (F): 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8. Serão oito as quenianas nesta final! E ainda mais uma atleta do Bahrein nascida no Quénia! E é dessa armada queniana que vem o favoritismo de Beatrice Chepkoech, que é “só” a nova recordista mundial da distância! E ela não se limitou a bater o recorde. Na reunião do Mónaco – por muitos, apelidado de melhor meeting da sempre da competição – Chepkoech pulverizou por completo a anterior marca, que era de 8:52.37 da atualmente suspensa Ruth Jebet, correndo em 8:44.32!

Chepkoech, a nova recordista mundial!
Fonte: IAAF

Claro que quem se exibe de tal forma, terá sempre o total favoritismo para a prova seguinte e assim será. Chepkoech terá como maiores rivais as conterrâneas Celliphine Chespol (a jovem de 19 anos que também tem um recorde pessoal abaixo dos 9 minutos) e Hyvin Kiyeng, que esteve presente nos últimos 3 pódios de competições globais (sempre com uma medalha diferente) e que venceu os dois primeiros meetings Diamond League do ano. Mas a este fortíssimo trio queniano, os EUA esperam fazer frente, com a nova recordista nacional Courtney Frerichs (já a roçar a barreira dos 9 minutos – 9:00.85) e a campeã mundial Emma Coburn. Vai ferver!

A nossa aposta: Beatrice Chepkoech (KEN)

Salto em Altura (M): Enquadrando um pouco a situação para quem esteve ausente nos últimos meses. A grande estrela Mutaz Essa Barshim (QAT) teve uma lesão grave a meio da temporada, foi operado e enfrenta um período recuperação que o tira de competição até ao final do ano. Aí quem assumiu o protagonismo foi Danil Lysenko, jovem russo de 21 anos, que já havia batido Barshim no início do ano, sagrando-se campeão mundial de pista coberta em Birmingham. Já o russo havia saltado 2.40 metros no Mónaco, quando de repente…bronca! O atleta falhou ao informar e a atualizar os dados no sistema de localização para o controlo anti-doping e, tendo falhado 3 controlos (supostamente pela falta dos dados), viu revogado o estatuto de atleta neutral, estando impedido de competir. Em poucos meses, um evento que muito prometia em Birmingham, via-se sem as duas principais estrelas. Quem será o favorito em Bruxelas? É difícil dizer. O australiano Brandon Starc saltou há poucos dias 2.36 metros, um novo recorde pessoal, novo recorde continental e é o que mais saltou este ano entre os presentes. Mas temos 7 atletas (!) entre os 2.31 e os 2.35 que podem ter aspirações. Entre eles, o norte-americano Bryan McBride, que alcançou um novo recorde pessoal (2.35) este ano; o alemão, novo campeão europeu, Mateusz Przybylko (2.35); o ex-campeão mundial Donald Thomas (este ano em 2.32) e até temos o regresso de um “velho” conhecido: o italiano, anterior campeão europeu e mundial indoor, Gianmarco Tamberi, que depois da grave lesão em 2016, saltou esta semana 2.33 metros!

A nossa aposta: Brandon Starc (AUS)

Salto Com Vara (M): É provavelmente a prova mais aguardada do meeting e isso em muito se deve a um “miúdo” de 18 anos, chamado Armand Duplantis! O sueco Duplantis foi um dos destaques dos Europeus de Berlim, ao conseguir a proeza histórica de saltar 6.05 metros! Duplantis já vinha tendo um ano verdadeiramente em grande e os 5.93 metros de recorde mundial júnior já pareciam algo muito difícil de alguém bater um dia, mas transformar esse recorde em 6.05 torna-o, provavelmente, imortal na história do nosso desporto e um dos que mais saltou em qualquer idade. Apenas três homens saltaram mais alto do que Duplantis em toda a história (indoor ou outdoor) da disciplina!

Armand Duplantis já entrou na história da disciplina…aos 18 anos!
Fonte: European Athletics

E o sueco está apenas a começar e rodeado dos melhores…E por falar em melhores, em Bruxelas estarão todos eles. O destaque maior vai para o campeão mundial e total dominador da temporada passada, o norte-americano Sam Kendricks e para Renaud Lavillenie, o francês recordista mundial, que já foi campeão olímpico em Londres. Lavillenie está a ter um ano inconsistente (o que também não é algo novo). Foi campeão mundial de pista coberta, mas nas últimas 4 competições – antes do evento sobre a água, na Antuérpia – não ganhou nenhuma. No entanto, não se deve desconsiderar. Afinal é o “rei” dos diamantes, já tendo vencido por 7 (!) vezes esta competição. Kendricks tem-se mostrado mais consistente e nas últimas 6 competições, apenas por uma vez não passou os 5.80 metros. De entre os 3 é esperado que saia o vencedor, mas o restante field é todo ele de impor respeito: Thiago Braz (atual campeão olímpico), Shawn Barber (campeão mundial em 2015), Konstantinos Filippidis (campeão mundial indoor em 2014), Piotr Lisek (Prata nos Mundiais de Londres do ano passado), Paweł Wojciechowski (campeão mundial em 2011) e Timur Morgunov, o jovem russo de 21 anos, que em Berlim também saltou 6 metros, para ser segundo nos Europeus!

A nossa aposta: Sam Kendricks (USA)

Salto em Comprimento (F): Tem sido um ano estranho no Comprimento feminino e não apenas pelas ausências de grandes nomes, como Brittney Reese (só fez 3 provas no início da época) e Tianna Bartoletta (só competiu até ao início de Julho e muito longe do melhor). As atletas que competiram em 2018 garantem bons resultados e isso foi-se vendo ao longo do ano, mas com uma alternância tão grande entre vencedoras e marcas, que torna esta final em algo muito imprevisível. Senão, vejamos: Lorraine Ugen é a líder mundial e a única a ter ultrapassado os 7 metros, com os 7.05 dos Nacionais Britânicos. No entanto, desde aí, Ugen perdeu 4 das 5 provas que realizou, sendo que nos Europeus de Berlim não conseguiu melhor que a 9ª posição, atrás de Evelise Veiga! Shara Proctor é outra britânica que tem mostrado essa inconsistência, ora batendo Ugen com saltos de 6.91, ora não passando os 6.62 metros em eventos Diamond League. Temos também a canadiana Christabel Nettey, que parece ter atingido o pico da época bastante cedo. Em Março saltava a 6.92 (e este primeiro pico poderia fazer sentido para os Jogos da Commonwealth), em Junho saltava em 2 vezes em 3 dias a 6.8 e desde aí o melhor que conseguiu (em 6 provas disputadas) foi chegar aos 6.60 metros. Com a lesão de Spanovic, resta a regularidade da campeã europeia, a alemã Malaika Mihambo, que é a segunda do ranking mundial em 2018 e, apesar de feito menos provas que as adversárias – apenas 6 – poderá dizer que só tem uma derrota, para já, este ano. Em prova também estará a colombiana Caterine Ibarguen, ela que um dia antes disputa a final do Triplo em Zurique!

A nossa aposta: Malaika Mihambo (GER)

Triplo Salto (M): A única final Diamond League com portugueses em prova e logo dois! Nelson Évora chega a Bruxelas motivado pela sua recente conquista da medalha de Ouro nos Europeus de Berlim, afirmando várias vezes que sente que neste momento vale bem mais do que os 17.10 que tem como melhor da época ao ar livre (em pista coberta já saltou 17.40 para o Bronze nos Mundiais Indoor). Évora nada tem a provar na sua carreira e, apesar de nesta edição da Diamond League as coisas não lhe terem, até aqui, corrido tão bem, a verdade é que o que conta é sexta-feira. Nesta final, enfrentará adversários de peso, com um dos grandes favoritos a ser Pedro Pablo Pichardo. Pichardo, agora a representar Portugal, tentará alcançar o seu primeiro troféu de Diamante e se o fizer torna-se também no primeiro atleta português a conquistar este título. O clima entre Évora e Pichardo aqueceu um pouco no pós-Berlim e existe alguma expetativa para perceber como os atletas irão reagir em prova. Da nossa parte, o que esperamos é que os dois reajam da forma como tão bem sabem fazer: sendo competitivos e superando-se a cada salto! No entanto, terão que enfrentar a dura concorrência norte-americana, com o grande favorito a ser Christian Taylor!

Quem quiser vencer, terá que bater um dos melhores da história da disciplina
Fonte: Diamond League Eugene

Taylor, o homem que fez o segundo maior salto legal da história, já venceu este troféu por 6 (!) vezes, sendo que é o atual duplo campeão olímpico e três vezes campeão mundial. Este ano andou a experimentar um misto entre os 400 metros e o Triplo Salto, mas nem isso lhe retirou o foco ou a capacidade de saltar ao seu nível habitual. Venceu 3 dos 4 meetings de qualificação, tendo perdido apenas o primeiro para Pichardo (em Doha), no dia em que o cubano fez o maior salto do mundo nesta temporada – 17.95 metros! Sabemos que Taylor é mais regular, mas também sabemos que num dia bom Pichardo pode bater Taylor. Para isso apenas precisa de um salto. Um salto enorme.

A nossa aposta: Christian Taylor (USA)

Lançamento do Peso (F): Já era confuso explicar o formato de dois dias consecutivos de finais em duas cidades diferentes, mas Bruxelas decidiu mexer e ainda complicar mais as coisas. Esta final do Peso realiza-se um dia antes, ou seja no dia das finais de Zurique, e, realizando-se às 18 horas, é, na verdade, a primeira final da Diamond League a ser realizada e decidida. Quanto à prova, a mesma contará com a elite do Peso em 2018, que inclui a atual campeã mundial, Lijiao Gong. A chinesa que apenas na 7ª medalha global ao ar livre, conseguiu alcançar o Ouro, em Londres, tem vindo a dominar a disciplina, sendo que venceu todas as 7 provas que disputou este ano. Na Diamond League, apenas fez duas e venceu as duas, chegando aqui, também, com o título dos Jogos Asiáticos, conquistado esta semana. É a líder mundial com 20.38 metros. A única outra atleta que ultrapassou os 20 metros este ano é a alemã Christina Schwanitz (20.06), a campeã mundial antes de Gong e que surpreendentemente se viu derrotada este ano em casa, não conseguindo revalidar o título europeu. Aí quem venceu, e que também estará aqui presente, foi a polaca Paulina Guba, que alcançou este ano o seu melhor pessoal – 19.38. Outras atletas que poderão entrar na luta são Danniel Thomas-Dodd (a jamaicana que venceu os Jogos da Commonwealth), a norte-americana Raven Saunders e a bielorrussa Aliona Dubitskaya.

A nossa aposta: Lijiao Gong (CHI)

Lançamento do Disco (M): O sueco Daniel Stahl, com o seu lançamento de 69.72 metros, assumiu esta semana a liderança do ranking mundial. Lugar com que finalizou também os anos de 2016 e 2017, sem que a isso tenha aliado qualquer título internacional (e disputou 4 em 3 anos). A competição em Bruxelas deverá ser a 3, com a companhia do lituano Andrius Gudzius e do jamaicano Fedrick Dacres. E comecemos por aqui, pois muita gente parece ainda pouco habituada a ver jamaicanos a destacar-se neste tipo de eventos. A verdade é que a Jamaica parece cada vez mais apostar nos lançamentos e já apresenta vários atletas com nível elevado. Nem todos com o nível de Dacres, é certo, que este ano bateu o recorde nacional jamaicano, ao lançar 69.67 metros em Estocolmo, a marca que liderava o ranking mundial até esta semana. Dacres venceu 4 eventos da Diamond League, destacando-se claramente a nível de pontuação. Só que em prova também estará Andrius Gudzius.

Andrius Gudzius, o campeão europeu e mundial à procura do Diamante
Fonte: European Athletics

O lituano apenas venceu um meeting da competição durante este ano, mas sabemos como ele adora grandes momentos: conquistou esta época o título europeu em Berlim, juntando-o ao mundial alcançado em Londres em 2017. É também o mais regular no mundo nesta temporada – das 10 melhores marcas em 2018, 6 pertencem a Gudzius!

A nossa aposta: Andrius Gudzius (LIT)

Lançamento do Disco (F): Em Berlim, acabou por ser surpreendente que a croata Sandra Perkovic tenha suado bem mais do que o esperado para alcançar o título europeu, mas no final foi seu, com mais um lançamento acima dos 67 metros, um dos seus 8 acima dessa marca em 2018, sendo que essas suas 8 marcas constam das 10 melhores marcas do ano. Dupla campeã olímpica, duas vezes campeã mundial e cinco vezes campeã europeia, é a lógica favorita à vitória, tendo conquistado o troféu de Diamante por 6 vezes no passado! Como únicas rivais que a poderão ameaçar, caso esteja num dia mau, tem as cubanas Yaimé Perez e Denia Caballero. Uma curiosidade: em todos os meetings da Diamond League deste ano, as atletas terminaram nas mesmas posições – Perkovic em 1º, Pérez em 2º e Caballero em 3º!

A nossa aposta: Sandra Perkovic (CRO)

Alguns concursos iniciarão mais cedo, mas a transmissão televisiva começa a partir das 19 horas nesta sexta-feira. Para Portugal, o evento terá a transmissão a cargo da SportTv, com os comentários do António Fernandes, no canal 5.

O Estádio King Baudouin volta a receber o meeting de Bruxelas – o histórico Memorial Van Damme
Fonte: Brussels Diamond League

Foto de Capa: Comité Olímpico de Portugal

Pedro Pires

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