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Força da Tática: Uma Pipita, era só o que faltava a este Milan

João Mateus · 6 min

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Estreia a vencer para os rossoneri, carimbada por um jovem, que ainda só sabe marcar golos, pouco mais.

A chuva intensa marcou presença no jogo inaugural da terceira jornada da Serie A, com o AC Milan a receber a AS Roma em San Siro. Equipas que na última jornada experimentaram sensações diferentes: Milan esteve perto do céu em Nápoles, já os giallorossi, por pouco não desceram ao inferno em Roma.

A diferença (e talvez a justiça, seja lá o que isso for) foi feita por um jovem promissor, que ainda “só” sabe marcar golos, com muito para evoluir.

Eusebio Di (via) ter estado quieto

O Treinador Romano apostou em um 3-4-3, abdicando do seu habitual 4-3-3. Creio que esta alteração pretendia dar mais dinamismo aos corredores laterais, garantido as melhores posições para os seus alas laterais servirem Dzeko. Para esse objetivo ser alcançado era necessária a colocação de Pastore, Schick e Dzeko entre a linha média e defensiva do Milan, de forma a captar a atenção dos médios do AC Milan, o que ia dar liberdade ao duplo pivot romano (Rossi & Nzonzi) para estes conseguirem rapidamente alterar o centro do jogo, conectando as duas alas através do corredor central.

Essa aposta falhou redondamente, a nível defensivo e ofensivo.

Ofensivamente

Uma imagem vale mais que mil palavras. A Roma, na 1ª Parte, a nível ofensivo foi uma autêntica nulidade. Na teoria um 3-4-3, até é um sistema que pode potencializar a capacidade ofensiva de jogadores como Dzeko e Schick, pela liberdade que dá aos alas laterais para puderem acelerar pelos flancos e cruzar, mas é um sistema que exige muito treino para se conseguir construir uma estrutura que permita à equipa ter dinâmicas para conectar ataques através do corredor central. Aqui o papel dos dois médios (Rossi e Nzonzi) é a chave para o sucesso, e a forma desarticulada como interagiram, explica grande parte do insucesso.

Veja-se como a equipa não sabia o que fazer à bola, porque acima de tudo não sabiam que posição ocupar no campo, faltam os tais hábitos, onde eu sei precisamente onde estão os meus colegas. Kolarov acelera, mas parece que deixou cair a carteira, e acaba por voltar para trás.

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Defensivamente

O posicionamento de Suso/Kessie nas costas de Nzonzi (NZ) quando a bola estava do lado esquerdo e de Calhanoglu/Bonaventura nas de Rossi (DR) quando a bola estava do lado direito, juntamente com as descidas de Higuaín (GH), nos timings certos, destruíram a Roma. DR e NZ, sofreram muito, estavam constantemente rodeados de homens do Milan.

A exploração do lado cego por parte dos jogadores do Milan, foi brilhante. Aqui a bola vêm do lado direito do campo do AC Milan para o esquerdo chegando ao pés de Rodriguez e o movimento de Calhanoglu é no sentido contrário, de fora para dentro, o que cria uma vantagem dinâmica muito difícil de anular, pelas linhas de passe que abre

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Milan com a superioridade “Kessie” quer

O jogo chegou ao intervalo com o AC Milan em vantagem, de forma totalmente merecida. Os rossoneri, pelas posições recuadas que obrigaram os alas laterais a ocupar e pela boa reação à perda da bola, nunca deixaram a AS Roma sair em contra-ataque nem explorar o espaço que havia entre a linha defensiva e os jogadores que o AC Milan colocava no processo ofensivo.

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Golo do AC Milan made in NBA

Este golo fez-me lembrar muito uma situação que regularmente vemos na NBA. Os chamados pick and roll, muitas vezes usados para trocar marcações e colocar um jogador mais débil a marcar outro (o pessoal que percebe de basquetebol, me perdoe alguma ignorância aqui).

No início do lance, é Karsdorp que está a marcar Rodriguez, mas a forma como o AC Milan arrasta o holandês para o corredor central, acaba por fazer com que seja Fazio (mais lento, pesado e sem a mesma mobilidade) a marcar o suíço e a responder à sua penetração para dentro da área. Vemos também como Kessie já se está a posicionar nas costas de Kolarov, onde acaba por fazer o golo.

Vemos como Fazio, pela colocação de Rodriguez em uma posição em que impede o argentino de ver a bola e o jogador ao mesmo tempo, têm o corpo em uma posição que o obriga a roda quase 180º para responder ao passe de Bonaventura. Isto dá a Rodriguez uma vantagem enorme, e facilita depois rodar e servir Kessie ao segundo poste para encostar. Facilita porque o argentino é obrigado a rodar 180º, depois sprintar para ir atrás do suíço e depois, ainda nem tinha parado completamente o movimento de sprint, rodar novamente para tentar enviar o cruzamento: impossível para um jogador daquela estatura
Fonte: Eleven Sports

2.ª Parte

Olá AS Roma, prazer em ver-te.

A AS Roma colocou El Shaarawy em campo e voltou ao seu 4-3-3 e fez, desde logo, mais em 3 minutos que nos 45 anteriores. Pressionou finalmente o início de construção do AC Milan de forma eficaz, e os rossoneri começaram a perder algumas bolas e a ter mais dificuldade em sair da forma que tinham feito no primeiro tempo. Principalmente porque a AS Roma, já conseguia colocar os seus dois pilares (Nzonzi e Rossi) nas imediações da grande área do AC Milan o que dava aos romanos a capacidade de ganhar segundas bolas e se manter no ataque.

Esta pressão romana, assustou o AC Milan (não tivessem eles desperdiçado uma vantagem de dois golos na última jornada em Nápoles) que foi recuando e tornando a sua equipa mais estreita o que deu mais liberdade aos laterais romanos para finalmente conseguirem cruzar bolas para a grande área.

Cruzamentos AS Roma na 1ª Parte: 5

Cruzamentos AS Roma desde o início da segunda até aos 60 minutos (golo da Roma): 5

O Golo de Fazio, pontapé de canto, surge com alguma naturalidade em razão da entrada da AS Roma no segundo tempo.

30 minutos finais:

AS Roma e os hábitos do 4-3-3 e o contraste com os do 3-4-3.

No início do artigo mostro um gif onde podemos ver a indecisão dos jogadores da AS Roma em virtude da ausência de rotinas e dinâmicas dentro do esquema 3-4-3. Esta nova imagem, serve para mostrar o contraste que existe em comparação com o 4-3-3.

Se observarem a bola ainda não chegou a Kolarov e ele está a olhar para o corredor central, porque sabe que é lá que esta bola tem de entrar, em Dzeko para este jogar de frente em Pastore e deixar o argentino na posição perfeita para a equipa: de frente para o jogo, mas o bósnio opta por ser ele a fazer o passe para a ala.

Jogada termina com um mau cruzamento de Karsdorp que não está tão habituado as estas rotinas como Florenzi, talvez por isso a bola e por ter sido Dzeko a abrir no corredor (tirou-o das zonas de finalização) não deu golo.

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O jovem que ainda só sabe finalizar e marcar golos

Primeiro que nada, Gonzalo Higuaín é um monstro! Tenho só de dizer isto. A forma como se adaptou ao jogo, dando à sua equipa o que ela precisava é notável.

Na primeira parte, com os apoios curtos, descia para criar superioridade no meio campo, fixava os centrais servindo de parede para tabelar com os médios, coloca-se nas costas dos adversários obrigando-os sempre a dividir a atenção entre ele e a bola.

Na segunda parte, o jogo mudou e ele adaptou-se. A dividir o espaço entre os centrais, esticava na frente (veja-se o golo anulado) e procurava a profundidade ou funcionava como um boiá para permitir á equipa sair da pressão romana.

Só faltou fazer de Suso e dar uma assistência para qualquer colega, que quisesse fazer os movimentos nas costas que ele próprio faz … será que faltou?

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Golo de Cutrone! O tal jovem que apenas sabe finalizar.

Fica para uma próxima oportunidade falar deste jovem, mas deixo-vos uma questão:

Se o Milan pudesse escolher alguém, qualquer pessoa, para servir de “tutor” deste jovem, que ainda só sabe fazer golos, quem seria?

Muito curioso para ver como evolui este AC Milan e a resposta da AS Roma a um começo de campeonato cinzento.

Foto de Capa: AC Milan

Artigo revisto por: Jorge Neves

 

 

 

João Mateus

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