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Xadrez Encarnado: E um Benfica sem Jonas?

Pedro Afonso · 3 min

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Há duas jornadas, Jonas pregou um valente susto aos benfiquistas. Aos 64 minutos de jogo, em Portimão, o brasileiro foi obrigado a ser substituído por Raúl Jiménez devido a lesão e levou toda a gente a pensar em algo que ainda não se viu esta temporada na Primeira Liga: um onze inicial, vestido de vermelho, sem Jonas.

São já 23 jornadas no campeonato a contar com Jonas na frente de ataque e a sua influência na equipa não poderia ser mais notável, ao contar com 25 golos, cerca de 42% dos 59 golos da equipa encarnada. Além disso basta passar uns momentos em frente do ecrã da televisão enquanto está a dar um jogo do Benfica para perceber que o brasileiro acarreta com grande parte do jogo ofensivo das águias, sendo o homem-chave para as transições de ataque, assim como o homem-alvo para finalizar as jogadas, isto a acrescentar ao sentido de oportunidade e qualidade tática, posicional e de remate, incorporado no grande jogador que Jonas é.

Felizmente, Jonas recuperou e jogou a jornada passada frente ao Boavista (vitória encarnada por 4-0). No entanto, na onda de pensamento que surgiu após ver a sua saída forçada, é oportuno pensar no que poderia ser um Benfica esta temporada se não pudesse contar com Jonas, nomeadamente a tática, se um 4-3-3, como tem vindo a ser a melhor opção desde o início do segundo terço da época, ou se um regresso ao 4-4-2, seria a melhor opção.

É Zivkovic quem rende Korivnovic no 4-3-3 do Benfica
Fonte: SL Benfica 

Supondo a manutenção do 4-3-3 que tem vindo a funcionar cada vez melhor, existe uma vaga a ponta de lança. Neste caso, Raúl Jiménez teria de ser a primeira opção. Isto porque o mexicano tem vindo a ser cada vez mais utilizado por Rui Vitória e parece estar mais apto para seguir as rotinas da equipa. No entanto, faltará alguém para formalizar o jogo encarnado como Jonas faz ao descer no terreno. Esta entrada no onze de Jiménez implicaria um trabalho reforçado ao meio campo que deverá cobrir mais terreno entre a defesa e o ataque do clube da Luz. Zivkovic terá de ocupar mais espaço e dar mais apoio ao ponta de lança, pois Jiménez jogo muito no último terço do campo, ao cabo que Pizzi e Fejsa terão de atentar com maior precisão o trabalho da transição defesa-ataque.

Supondo agora a troca para um 4-4-2, tática com que o Benfica iniciou a temporada, haveriam duas peças a trocar: um lugar vago deixado por Jonas e um dos jogadores do meio campo. Pensando em Jiménez novamente como o jogador a ocupar a vaga de Jonas, fica um ponto de interrogação no lugar do excendentário. A hipótese seria, na minha opinião, por adaptar Rafa na frente ofensiva, delegando Zivkovic para a sua posição natural de extremo. A possibilidade do sérvio chegar ao centro para ajudar Pizzi no trabalho no centro do campo, surge devido à capacidade tática que André Almeida tem vindo a demonstrar. Rafa, por sua vez, poderia beneficiar da sua velocidade para cobrir a direita no caso de Zivkovic vier ajudar ao centro, assim como para beneficiar de bolas metidas para as costas da defesa.

Contudo, o xadrez encarnado continua intacto, visto Jonas nos ter pregado apenas um susto e já se encontrar apto para jogar, mas convém ter estas ideias bem pensadas porque basta um pé aqui ou um salto ali, ou um corte cá ou um esticão lá para que um jogador fique o último terço da temporada sem jogar.

Porém, como disse acima, por agora é respirar de alívio por podermos contar com um jogador de tamanha qualidade no onze inicial e pensar em colecionar os próximos três pontos no Capital do Móvel. Que tenhamos este onze até ao final da época para que se mantenha a nota artística e possamos, no fim, erguer o troféu.

Foto de Capa: SL Benfica

Artigo revisto por: Ana Ferreira

Pedro Afonso

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