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A caminhada do Benfica na Champions League: entre o caos e a superação

Miguel Costa · 2 min

Anatoliy Trubin Benfica Real Madrid Jogadores
Foto: Carlos Silva / Bola na Rede

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A Champions League ganhou uma nova dimensão com este novo formato, e o Benfica é a prova disso mesmo. Um início catastrófico que culminou numa qualificação heróica.

Ao longo da competição foram disputados oito jogos: cinco derrotas, quatro delas de forma consecutiva, e três vitórias, num calendário que dificultou, e muito, as possibilidades de qualificação dos encarnados. No menu estiveram Qarabag, Chelsea, Newcastle, Bayer Leverkusen, Ajax, Nápoles, Juventus e Real Madrid.

Além dos adversários complicados, a estabilidade do Benfica, nos últimos meses, tem sido posta à prova. Entre eleições e mudanças de treinador, as águias, por culpa própria, não facilitaram esta caminhada, que poderia ter sido muito mais simples do que, na realidade, foi. Recordem-se as derrotas, em casa, frente ao Qarabag e ao Leverkusen: exibições muito abaixo do esperado que, por pouco, não comprometeram as hipóteses de passagem à fase seguinte da liga milionária.

Ainda assim, fruto da conjugação de resultados, o Benfica chegou à última jornada com hipóteses de apuramento — e conseguiu-o. Venceu o Real Madrid, exibindo um futebol nunca antes visto ao longo da presente época. Um enorme jogo colectivo que culminou na cabeçada de Trubin — sim, o guarda-redes ucraniano subiu à área e marcou o golo que garantiu a qualificação do clube português.

Mourinho soube ler o Real Madrid. Optou por um bloco baixo e compacto, não concedeu espaço para os espanhóis explorarem a profundidade, venceu a maioria dos duelos e contou com exibições individuais que sustentaram o plano traçado. Para além de Prestianni e Schjelderup, destaque ainda para as respostas de Sudakov, Dahl e Tomás Araújo.

Este jogo, e esta qualificação, demonstraram que existe potencial para fazer mais e melhor, tanto por parte dos jogadores como da equipa técnica do Benfica. É natural que se apontem limitações ao plantel, sobretudo num contexto de instabilidade, mas torna-se essencial saber utilizá-lo e potenciar o melhor de cada elemento. Nem sempre a resposta passa por procurar soluções no exterior.

Ainda assim, este resultado não apaga tudo o que tem sido visto dentro de campo. A vitória é importante, sim, mas não pode servir de álibi para meses de exibições aquém do exigível. Pelo contrário: esta qualificação deve funcionar como um aviso interno. Se este Benfica foi capaz de se superar quando tudo parecia perdido, então a fasquia não é negociável — é obrigatória.

Miguel Costa

Redação Bola na Rede · ver artigos

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