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Apache para sempre: Carlos Tévez marca a última dança em La Bombonera

João Esteves · 3 min

Carlos Tévez Talleres
Foto: CA Talleres

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Carlos Tévez escolheu o palco para a despedida que ainda faltava na sua história no futebol. A 20 de dezembro de 2026, o antigo internacional argentino regressa ao estádio do Boca Juniors para o «Adiós Apache», um jogo de homenagem que pretende reunir antigos companheiros, figuras do futebol mundial e adeptos que acompanharam uma trajetória marcada pela personalidade, pela entrega e por conquistas em diferentes continentes.

O evento, anunciado sob o lema «De alcanza pelotas a leyenda», celebra a ascensão de um jogador que saiu de Fuerte Apache, um dos bairros mais desfavorecidos da área metropolitana de Buenos Aires, para chegar ao topo do futebol mundial. A escolha do palco tem um significado especial: foi com a camisola do Boca Juniors que Tévez construiu uma ligação profunda aos adeptos e conquistou alguns dos títulos mais importantes da sua vida desportiva.

Boca Juniors: a origem de uma lenda

Tévez cresceu em Fuerte Apache e encontrou no futebol uma oportunidade para mudar o rumo da sua vida. Formado no Boca Juniors, estreou-se na equipa principal em 2001 e rapidamente se afirmou pela intensidade, capacidade de luta e talento ofensivo.

Em 2003, foi uma das figuras da equipa que conquistou a Taça Libertadores e a Taça Intercontinental. O Boca venceu o AC Milan na decisão intercontinental, com Tévez entre os protagonistas de uma geração que voltou a colocar o clube argentino no centro do futebol mundial. A primeira passagem pelo Boca terminou em 2004, com a transferência para o Corinthians, no Brasil. Começava uma etapa internacional que o levaria a alguns dos clubes mais importantes do futebol mundial.

Do Corinthians à conquista da Europa

No Brasil, Tévez deixou uma marca imediata. Em 2005, conduziu o Corinthians à conquista do campeonato brasileiro, terminou a temporada com 20 golos e recebeu o prémio de melhor jogador da competição. A distinção confirmou a sua capacidade para decidir em contextos exigentes e consolidou o seu estatuto no futebol sul-americano. Seguiu-se a mudança para Inglaterra, primeiro para o West Ham. A sua influência foi determinante na luta pela permanência na Premier League, numa temporada em que a equipa londrina conseguiu evitar a descida de divisão.

O Manchester United surgiu depois como o passo seguinte. Ao lado de Cristiano Ronaldo e Wayne Rooney, Tévez conquistou duas edições consecutivas da Premier League e a Liga dos Campeões de 2008. A passagem por Old Trafford confirmou a sua capacidade para competir ao mais alto nível.

Em 2009, mudou-se para o Manchester City, onde voltou a conquistar o campeonato inglês, em 2012, e levantou também a Taça de Inglaterra. A passagem de um rival de Manchester para o outro tornou-se um dos episódios mais mediáticos da sua etapa no futebol inglês.

A Juventus e o regresso à Argentina

Depois de Inglaterra, Tévez prosseguiu a sua aventura na Juventus. Em Turim, conquistou dois campeonatos italianos e uma Taça de Itália, além de ter participado na campanha que levou a equipa à final da Liga dos Campeões de 2015. Seguiu-se uma passagem pelo Shanghai Shenhua, na China, antes do regresso ao Boca Juniors. De volta à Argentina, voltou a conquistar títulos nacionais e reforçou a ligação ao clube onde se tinha afirmado.

Tévez encerrou a atividade como jogador em 2021. A decisão surgiu depois de um período pessoal difícil, marcado pela morte do pai, uma figura central na sua vida. Mais tarde, iniciou um novo capítulo como treinador, mantendo-se ligado ao futebol.

Messi e Cristiano Ronaldo podem marcar presença

A homenagem de dezembro pretende juntar nomes que marcaram diferentes etapas da vida desportiva do argentino. Entre as possibilidades apontadas estão Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, antigos companheiros ou adversários em diferentes momentos do futebol internacional. A presença dos dois, contudo, não está confirmada.

A realização do evento no estádio do Boca Juniors terá contado com a aprovação de Juan Román Riquelme, presidente do clube e antigo companheiro de Tévez. A iniciativa procura reunir várias gerações em torno de um jogador que passou por algumas das principais competições e equipas do futebol mundial.

A última dança do Apache

O «Adiós Apache» está marcado para 20 de dezembro. Será a celebração de uma trajetória que levou o Apache da Argentina ao Brasil, de Inglaterra a Itália e, por fim, à China, com títulos nacionais e internacionais ao serviço de alguns dos clubes mais emblemáticos do futebol.

O Apache volta a casa. A 20 de dezembro, La Bombonera será dele. E, quando chegar a hora do adeus, estará de pé. Como as lendas.

João Esteves

Redação Bola na Rede · ver artigos

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