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O Copenhaga nunca tinha ganho no Parken a um opositor português. Vindos da pior época da sua história (sétimo lugar interno, disputa da fase de manutenção), aos dinamarqueses resta fazer pela vida para reassumir a dianteira do seu futebol. No fim-de-semana, a derrota no terreno do Midtjylland encurtara a vantagem no topo para apenas dois pontos – poderia esse tropeção adornar o encontro com o Braga de importância extra? Pareceu definitivamente que sim, dada a energia com que a equipa de Bo Svensson entrou a pressionar Gverreiros. O ímpeto, típico de anfitrião em jogo europeu, não deveria assustar arsenalistas, tão ou mais habituados que o Copenhaga a contexto internacional.
E, mesmo por isso, passando a primeira onda de histeria, o jogo acalmou. No meio do marasmo ainda surgiu oportunidade para balançar as redes portuguesas, mas Travassos estava concentrado e salvou golo certo. O agressivo 4-2-3-1 de Bo Svensson (2,4 golos por jogo na Superligaen e 17 golos nos play-offs da Conferência) era manietado pelo 3-5-2 híbrido de Carlos Vicens, com o miolo Moutinho-Tiknaz-Gorby a ganhar ascendente na luta física e na luta pela posse de bola. No apito final da primeira metade, os portugueses contavam com 63%, superioridade notável ao nível do passe (301 completos para 169) e mais oportunidades reais de aproximação à outra baliza.
Mas tem faltado consistência ao plano de Vicens. Nos 15 jogos desde a eliminação em Friburgo, na segunda mão da Meia final da Liga Europa, o Braga não ganhou oito. A caminhada na Liga Portuguesa segue aos soluços e o futebol nem sempre é o mais objectivo ou acutilante. As tendências posicionais do jogo bracarense, além de não garantirem resultados práticos mais à frente, não camuflam um sem número de fragilidades ao nível da concentração defensiva. Logo após o intervalo, bastaram cinco minutos da magia de Elyonoussi para meter o Copenhaga em vantagem e ameaçar o segundo quase na jogada seguinte, quando isola Alex Král com um toque de calcanhar, lance a exigir outro corte in extremis.
A Vicens tem que se reconhecer o mérito da pronta reacção. Desfez a dupla Jonas Wind-Huseinbasic, competente nos apoios frontais, meteu Gabriel Silva e Pau Víctor lá dentro e desamarrou Ricardo Horta da ala esquerda, juntando-o aos recém-entrados num 3-4-3 que energizou as dinâmicas da equipa. Além do controlo, houve mais capacidade de chegada ao último terço – foi a melhor fase do Braga, coincidindo com o golo anulado pelo VAR. Foi notório o esforço de arsenalistas em dar a volta às circunstâncias. O Copenhaga, com algum engenho misturado à sorte, soube dar o corpo ao manifesto para depois aproveitar o balanceamento adversário. O experiente Cornelius soube finalizar, com muita classe, duas investidas rápidas a castigar a desorganização portuguesa, naqueles naturais minutos quando o coração já pensa muito mais que a cabeça.
Viram-se lenços brancos na bancada visitante. Resta ver como será a reacção da Pedreira na recepção ao Gil Vicente – certo é que, antes do avião para Copenhaga, António Salvador fizera questão de reiterar que Carlos Vicens era «o treinador do SC Braga», que estavam «seguros e unidos» e que o importante era o apoio dos adeptos, porque «vamos dar a volta a este momento e certamente vamos melhorar.» Será mesmo…?













