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Faltam cerca de duas semanas para o regresso de Portugal à Liga das Nações. E falta pouco para sabermos se Cristiano Ronaldo irá regressar à seleção nacional, depois de há um mês ter abandonado o estágio da equipa das quinas devido ao desentendimento com Jorge Jesus. O avançado do Al-Nassr integra a lista dos pré-convocados para os dois últimos jogos da fase de grupos, frente à Dinamarca e País de Gales, mas não é certo que esteja presente nesse duplo confronto. Isso só se irá saber no dia seis de novembro, quando Jorge Jesus anunciar a lista definitiva. E mesmo que seja convocado, Ronaldo pode continuar a recusar vestir a camisola da seleção portuguesa.
Toda esta polémica em torno de Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus já era previsível. As declarações de Jesus no dia da sua apresentação como selecionador nacional, quando deu a entender que Ronaldo poderia não jogar sempre de início, já fazia antever que isso não ia cair bem ao avançado madeirense. E o que parecia um casamento perfeito entre ambos virou divórcio poucos meses depois, com tudo o que já se sabe. Ainda no dia da apresentação o treinador de 72 anos referiu também que Ronaldo fez 31 jogos no Al-Nassr em 50 possíveis, e que o substituiu por 16 vezes. O que ele deveria saber é que deixar Ronaldo de fora do onze de Portugal tem um impacto muito maior do que na formação saudita.

Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus são duas pessoas com egos gigantes. E quando se juntam duas pessoas assim o choque é quase certo. O que se passou antes e depois de Ronaldo ter abandonado o estágio foi justamente uma guerra de egos, onde nenhum deles queria ficar por baixo. Jorge Jesus mostrou a sua autoridade como nenhum outro selecionador fez, e Ronaldo não gostou. Os dois sempre tiveram discursos egocentristas ao longo das suas carreiras. CR7 acha-se o melhor jogador de todos os tempos e há quem o considere arrogante por isso. Jorge Jesus tem a fama de ganhar jogos e referir que foi ele que os ganhou.
E a minha posição é clara quanto a isto. Quem manda é o treinador. A birra que Ronaldo fez, ao invocar que houve uma quebra de confiança por parte de Jesus, é de quem se achou sempre intocável na seleção. Ronaldo pode ser o maior embaixador do nosso país, mas é um jogador como os outros. E com 41 anos tem de perceber que já não tem 20. Por outro lado, Jorge Jesus foi sempre um homem com o coração ao pé da boca. A comunicação nunca foi o seu forte e por vezes a emoção fala mais alto. E a prova disso foi o seu descontrolo na conferência de imprensa de antevisão ao encontro com a Dinamarca, e que despoletou toda esta polémica.

A possibilidade de Cristiano Ronaldo voltar à seleção ainda é uma incógnita. Há quem diga que a vontade dele não é muita. Mas da parte de Jorge Jesus há uma porta aberta. Penso que só vamos tirar tudo a limpo após o dia seis de novembro. E como acho que Ronaldo vai ser convocado, será ele que vai decidir se irá regressar, ou não, para junto dos seus companheiros de seleção. Sempre ouvi dizer que é a conversar que tudo se resolve. E os dois terão de se sentar à mesma mesa e deixarem, de uma vez por todas, os seus egos de lado. Não pode ser de outra forma. Portugal é muito mais que Jorge Jesus, Cristiano Ronaldo ou outra pessoa qualquer. Sempre foi assim e sempre será.










