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O Benfica recebe o Alverca no Estádio da Luz em jogo que contará para a 10.ª jornada da Primeira. Marco Silva fez a antevisão do encontro.
Marco Silva fez a antevisão ao Benfica x Alverca, encontro da 10.ª jornada da Primeira Liga. O técnico dos encardos falou, por volta das 13h30 aos jornalistas, tendo começado por dizer:
«É óbvio que boas exibições nos ajudam a ser mais fortes e a ganhar jogos, e nós acreditamos nisso e em sermos fiéis à nossa identidade e à nossa forma de jogar. Há sempre um adversário pela frente que por vezes nos complica a tarefa. Portanto, o que é inegociável são as características que temos de ter como equipa, quer na preparação durante os últimos dias, quer na capacidade de executá-la depois dentro do campo. Temos de ser aquela equipa que temos sido, ser iguais a nós mesmos e melhorar alguns aspetos fundamentais para termos o controlo do jogo com e sem bola contra um adversário que joga numa estrutura um pouco diferente. Sem bola, quase todos os adversários nos têm tentado defender da mesma forma, com uma linha de cinco, seja com extremo, lateral ou médio; mas com bola têm características diferentes que temos de ajustar no nosso momento de pressão. Respondendo diretamente: sermos iguais a nós mesmos, ter uma boa versão de nós mesmos amanhã, porque vamos precisar dela para ganhar o jogo, fazer uma boa exibição e somar os três pontos em disputa».
«Disputa entre Lukebakio e Rafa pela titularidade? Em relação à titularidade ou não, terão de esperar por amanhã. São jogadores com características completamente diferentes. O Rafa teve um excelente início de temporada a jogar numa posição que já não ocupava há algum tempo, tem ajudado muito a equipa e eu não vou criar nenhuma hierarquia nesse espaço. Embora no papel possam começar na mesma posição, quando jogamos com o Rafa naquela posição, ele joga por dentro, dificilmente está por fora. Portanto, não acho que sejam comparações possíveis, porque são dois jogadores completamente diferentes. No futuro, certamente iremos acrescentar mais um jogador para esse corredor direito, para essa luta, porque queremos dar à equipa todas as opções possíveis. É para isso que trabalhamos e analisamos jogadores. Após alguns meses com estes jogadores, já os conheço muito melhor e vou tomando decisões. Percebo a questão: o Lukebakio fez dois golos, fez uma exibição muito boa no último jogo e acabou por jogar 90 minutos, o que não tem sido muito habitual para ele, pois é um jogador que vive muito de acelerações e depois sente o desgaste. Ele tem de ganhar a capacidade de ser consistente com e sem bola durante os 90 minutos se tiver essa oportunidade. É importante ele ganhar essa capacidade, porque só assim começará jogos. Fiquei satisfeito com o rendimento dele, acima de tudo com a capacidade de se ligar à equipa. É um jogador diferente porque vive muito do um-contra-um, mas, na nossa forma de jogar, essa é apenas uma das formas de lá chegar. As conexões por dentro e por fora são fundamentais. No último jogo foi percetível ver isso com o Sudakov, a fazer momentos de perfuração entre o lateral e o central, com o Lukebakio a servir em vez de finalizar. Foram esses os espaços que eles deram no entendimento da nossa forma de jogar, com melhorias em relação aos jogos anteriores. Por isso é que elogiei a exibição. Os golos são o mais importante no futebol, mas foram o final de ações trabalhadas. Ele fez um bom golo numa segunda ação e outro num canto, o que nem é habitual para ele. Foi uma boa exibição, mas o facto de um jogador ter uma boa exibição não significa que esteja à frente do outro ou dos outros. O Rafa entrou muito bem no jogo, jogou 10 minutos numa posição diferente que faz muito bem, ele faz todas as posições na frente, por trás do avançado — e contamos muito com ele. Portanto, não vou definir hierarquias porque elas não existem na nossa equipa. Nem sempre joga quem está melhor; depende do que queremos, da estratégia, do planeamento tático e do adversário. Colocamos muitas questões em cima da mesa para tomar a decisão final».
«Arbitragem? É difícil dizer como irei reagir daqui para a frente. Muitas vezes reajo como ser humano: tento ser o mais equilibrado possível e ter a calma suficiente, mas por vezes não tenho. Basta olharem para o jogo para perceberem que durante os 90 minutos sou emocional e tento jogar o jogo com os meus jogadores. Depois, quando analiso o jogo, analiso as minhas próprias ações técnicas, táticas e de comportamento. Nem sempre fico satisfeito comigo mesmo, sou o primeiro a criticar-me, porque só assim posso ser melhor. Em relação às declarações no jogo de que falou, disse que não queria falar sobre a arbitragem porque havia questões muito mais importantes para mim naquele momento, nomeadamente a nossa exibição com a qual não estava satisfeito. Tentei ao máximo manter esse foco no flash. Na conferência de imprensa vieram mais oito perguntas sobre o mesmo assunto e acabei por falar, mas o meu objetivo era não o fazer. Por vezes tento e não consigo, faz parte. A forma como irei reagir no futuro depende do momento e de mim mesmo. Se todos conseguíssemos ter um comportamento consistente seria melhor, mas o futebol envolve muita emoção. Olhando para mim no banco durante o jogo percebe-se que a emoção por vezes me leva para outros lados, o que faz parte, cabendo-me depois reconhecer quando erro».
«Declarações de Rui Costa? Como devem calcular, não vou comentar as declarações do presidente. Estamos todos aqui e começámos a época porque acreditamos que o Benfica tem condições para ganhar. Todos temos de fazer o nosso papel para que o Benfica esteja mais perto de vencer. Esse é o objetivo quando representas um clube desta dimensão: cada um no seu papel a trabalhar nesse sentido, nós como equipa técnica, os jogadores em campo e todo o staff à volta deles a dar as melhores condições para terem o desempenho de que precisamos. Tão simples como isso. E, como é lógico, acreditamos muito em nós mesmos».
«Contratar médio no mercado de inverno? O nosso contacto é permanente. Estamos diariamente em comunicação com a direção e com o presidente. Não precisamos de um dia específico para falar sobre essas situações. O Enzo está muito perto de estar de volta, felizmente para nós. É um jogador que começou muito bem a temporada, teve infelizmente uma lesão, mas cria uma concorrência forte e eleva a exigência para quem concorre com ele, o que é muito importante para mim como treinador. É um jogador com características que apreciamos, principalmente no nosso momento com bola. Nos últimos treinos já esteve com a equipa e tem estado bem. Vamos ver se nos próximos jogos já estará em condições de ajudar. Acreditamos, sem querer colocar muita pressão no departamento médico, que estará disponível antes de janeiro. Portanto, olhando para as opções que temos, em janeiro essas questões não se colocarão tanto no meio-campo. Ainda falta muito para janeiro; estaremos atentos quando chegar a altura e faremos o que for possível dentro das possibilidades do mercado para melhorar a equipa, mas neste momento a nossa preocupação e o foco estão nos muitos jogos e decisões que temos até ao início de janeiro».
«Sofrer golos nos últimos 4 jogos? Não conseguimos mudar as características individuais de muitos jogadores num curto espaço de tempo, pelo que o nosso foco está sobretudo nas questões coletivas e de posicionamento. Com o calendário apertado que temos, sem semanas limpas de trabalho, por vezes temos de transmitir essa informação de forma mais passiva, através de vídeos e análise tática, para não retirar energia aos jogadores. Quando houver mais tempo de trabalho, poderemos trabalhar em campo com a intensidade necessária para que haja um entendimento mais claro desses momentos. Os aspetos individuais também têm uma importância muito grande, com cada vez mais equipas a defender no um-contra-um. Nesses momentos, a capacidade individual de ganhar duelos, e não refiro apenas a linha defensiva, mas sim toda a equipa, é fundamental. Todos os jogadores têm de estar focados. É nisso que temos trabalhado, dentro do tempo que nos é possível».
«Declarações de Kaminski? É difícil e injusto comparar este plantel com outros que tive no passado, pois são contextos, momentos e clubes diferentes. Temos um plantel no qual acreditamos muito, com uma boa mistura de maturidade e experiência com jogadores jovens, além dos atletas da nossa formação que vão sendo incorporados para crescerem connosco. O Kaminski referiu algo importante sobre a competitividade no balneário. Gosto muito de trabalhar com essa competitividade interna. É fundamental que, mesmo quando um jogador está a jogar, sinta que se olhar para o lado há alguém pronto para ganhar a posição. Quem ganha com isso é o Benfica. Dá-me boas dores de cabeça para decidir em função da estratégia e do melhor para a equipa em cada jogo».
«Duelo frente ao Alverca? É uma equipa que apresenta bastantes dificuldades, mesmo nos jogos em que saiu derrotada. Tem jogadores jovens, irreverentes e com qualidade técnica, jogando com uma linha de três com bola e laterais muito profundos que fecham em linha de cinco sem bola. Devido a essa irreverência, tornam-se imprevisíveis e conseguem criar problemas aos adversários. Não olhamos para a tabela. Sabemos que temos de respeitar todos os adversários e respeitar-nos ainda mais a nós mesmos. Jogando de três em três dias, temos a obrigação de estar no topo e fazer tudo para ganhar. É isso que faremos amanhã«-















