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António Conceição concedeu uma entrevista em exclusivo ao Bola na Rede. Treinador falou da CAN 2021 com Camarões.
António Conceição foi o mais recente entrevistado pelo Bola na Rede. O treinador relatou a experiência vivida na CAN 2021, onde levou os Camarões ao terceiro lugar.
«Foi um prazer enorme e um crescimento enorme enquanto profissional de futebol ter vivido esta experiência numa das maiores seleções do continente africano. Esta experiência foi maravilhosa e sinto um bocadinho de saudades. Acompanhei agora o CAN em Marrocos e deu-me um bocadinho de nostalgia e de recordações do CAN [2021] que fizemos nos Camarões. A experiência vivida diariamente com o povo africano. Os jogadores vêm da Europa para o continente africano e são diferentes de como os vemos. Para eles, é um ponto de referência chegar à seleção e um orgulho e patriotismo enormes. Representar as suas seleções no CAN ou numa fase de apuramento para o Mundial é a exaltação de todo o seu poder competitivo, do seu querer, da sua força física. Nos três anos nos Camarões fizemos a qualificação para o CAN, apesar de sermos o país organizador e de já estarmos apurados, fizemos a qualificação para o Mundial e vencemos o grupo de qualificação. Foi uma experiência muito rica em termos profissionais. A ligação que conseguimos ter com os jogadores da nossa seleção foi muito gratificante. Em termos de resultados as coisas correram muito bem. Conseguimos uma medalha de bronze, fomos até à meia-final contra o Egito de Carlos Queiróz. A nossa vontade e ambição era chegar à final, mas não fomos felizes nem competentes na marcação das grandes penalidades. Fomos eliminados nesse pormenor, mas tivemos uma participação e uma qualidade de jogo que foi exaltada por muita gente. Um pormenor decidiu quem poderia chegar à final e o Egito foi mais feliz e competente. Foi uma experiência muito enriquecedora e não me importava nada de um dia a repetir. Poderá voltar a acontecer, mais dia menos dia. Só quem vive aquela experiência do dia-a-dia com o povo africano, com os adeptos e com o estádio cheio é que entende. Nós tivemos o CAN no nosso país. É imaginar mais de 20 milhões de pessoas numa pressão diária sobre o grupo de trabalho. É fantástico e temos de ser fortes para podermos reagir aos momentos adversos. Fizemos um excelente trabalho ali e a equipa estava em ascensão. De 58.º lugar no Ranking FIFA conseguimos chegar ao 33.º lugar. Foi um salto substancial que demonstra a evolução da seleção desde que lá tivemos. Depois houve uma mudança na direção, ao nível do presidente, e as coisas tomaram outro rumo. Já são outras coisas», começou António Conceição, que prosseguiu.
«É a paixão enorme que os africanos têm pelo futebol. Os africanos gostam mesmo de futebol e adoram futebol e as suas seleções. A maior parte dos jogadores joga noutros campeonatos, principalmente europeus e asiáticos, e são recebidos no país como autênticos ídolos. São idolatrados e sentem-no como um orgulho e uma paixão muito grande. Transmite-lhes uma energia diferente. Se não derem tudo o que têm e não tiverem resultados, o inverso também é verdade. Vivem tudo com muita paixão e a coreografia que fazem, as vestes e as pinturas que utilizam, mostram-no. É muito bonito. Não é fácil descrever tudo o que se passa à volta do CAN por palavras. Só visto e registado com os olhos. Estávamos num centro de estágio numa zona muito sossegada, no meio de um bosque, num hotel com um campo e piscina, numa ponta totalmente diferente de onde treinávamos e jogávamos. Tínhamos de atravessar praticamente a cidade toda. Quando saíamos do hotel, numa zona de refúgio onde praticamente ninguém tinha acesso, e nos preparávamos para ir para treino ou para o jogo, vinham os batedores a polícia para abrir o caminho, mas eram milhares de pessoas na rua. Não só nos jogos, nos treinos também. Estavam lá para saudar a equipa nacional. Contagia imenso o comportamento dos jogadores. Para alguns até pode servir como fator de inibição, pelo aparato, mas não foi o caso. Tínhamos alguns jogadores com experiência de seleção, o que ajuda os mais novos a integrarem-se. Foram momentos inesquecíveis os que vivemos nos Camarões. Gostámos muito. Foi pena não chegarmos à final do CAN, mas conseguimos o marco do apuramento para o Mundial, que foi importante para a Federação. É sempre importante que estas seleções marquem presença no Campeonato do Mundo para solidificar o seu futebol e abrir outras portas para a evolução do futebol no país», destacou ainda o treinador.
Lê toda a entrevista de António Conceição.













