António Oliveira falou em exclusivo ao Bola na Rede. As declarações foram prestadas durante o Portugal Football Summit.
António Oliveira foi uma das figuras presentes no Portugal Football Summit, evento que reúne as principais referências do futebol português. O treinador encontra-se atualmente livre no mercado e abordou diversos temas, numa conversa exclusiva com o Bola na Rede.
Bola na Rede: Pedia-lhe uma opinião sobre este evento.
António Oliveira: É um prazer estar aqui connosco. Trata-se da segunda edição do evento e é a segunda edição em que eu participo. Este evento serve para mos atualizarmos, criar relações, dar opiniões, gerarmos conhecimento. Temos de estar constantemente a evoluir. Eu costumo dizer que os cursos que nós temos (na área de treinador) têm os conteúdos programáticos que são importantes. Mas, onde realmente nós retiramos sumo é das partilhas de cada um e das experiências de cada um. Evoluímos uns com os outros. É uma oportunidade, dentro de diferentes áreas, de aprender com os melhores do mundo. Queremos estar constantemente atualizados, principalmente quando não estamos no ativo.
Bola na Rede: Atualmente encontra-se sem clube. Gostaria de regressar a Portugal ou está aberto a uma nova aventura no estrangeiro?
António Oliveira: Tudo é possível. São decisões que vamos tomando. Independentemente de existirem essas possibilidades, que são geradas, acho que quero dar um descanso ao Brasil e crescer noutros mercados. Portugal é um deles e a Europa também faz parte dessas oportunidades que estão a ser geradas. Há uma coisa que eu aprendi ao longo deste período: temos de aprender a dizer que não. Escolher um projeto que nos melhor enquadra dentro do que são as nossas expectativas. É o que tenho feito. Tenho oportunidade agora de dizer que não, de esperar pelo momento certo. Ao mesmo tempo, este período deu-me para fazer reflexões de aprendizagens que eu tive nos últimos projetos que vivi. Não é por falta de oportunidades que não estou a trabalhar. Cuidar da minha saúde mental, da minha saúde familiar, da minha vida é importante. Quero aparecer ainda mais forte para o próximo projeto.
Bola na Rede: Falou da saúde mental. É algo que merece ser ainda mais debatido?
António Oliveira: Claramente. Na minha carreira eu cresci muito rápido e foi tudo acontecendo muito rápido para crescermos no topo. No Corinthians aprendi algo importante. Uma coisa é jogar contra, outra coisa é viver nesse contexto, uma pressão constante, ter uma torcida gigantesca a pedir resultados. Vivi num clube grande. No Sport aprendi de que gostarem de ti ou não pode influenciar aquilo que é o teu sucesso. No Remo aprendi que a imprensa pode gerar opiniões negativas ou positivas nas pessoas e elas são conduzidas precisamente por essas opiniões. Isso tudo impacta no teu emocional. Precisamos de ter uma grande estrutura e estarmos preparados para tal. Concordo consigo sobre a importância da saúde mental. Quem disser que não, está a mentir. Isto não é uma fragilidade.
Bola na Rede: É um expert em futebol brasileiro. Muitas vezes na Europa o desporto rei no Brasil ainda é descredibilizado, considerando o Brasileirão patamares abaixo do Big 5. Qual a sua opinião?
António Oliveira: Acho que algumas pessoas não têm conhecimento nenhum da realidade (risos). Nós temos hoje a possibilidade de ter um selecionador que já viveu esse contexto e apelidou-o como o mais difícil do mundo. Se nós temos no topo da pirâmide alguém que tem essa opinião, quem disser o contrário não conhece a realidade. Eu que vivi cinco anos mergulhado nesse contexto costumo dizer que o próximo contexto ou qualquer um que exista será paz certamente.
Bola na Rede: Referenciou Jorge Jesus e aproveito para o questionar sobre a convocatória de Portugal. Como vê esta lista?
António Oliveira: Todos nós temos um bocadinho de selecionador. Se nós formos perguntar no universo de 100 pessoas, vamos ter 100 convocatórias diferentes. Esse é que é o desafio. É para isso que o selecionador lá está. Ele tem de tomar decisões, nesta fase, independentemente das escolhas, é altura de nos unirmos e apoiar quem chega de novo, o míster Jorge Jesus. Por aquilo que conquistou, é evidente que gera uma expectativa grande. É seguir o lema dele. Ele veio para ganhar.
Bola na Rede: Pedia-lhe que nos falasse um pouco da Primeira Liga, numa fase em que o FC Porto já tem uma vantagem sobre os restantes.
António Oliveira: É uma distância importante, mas não é definitiva, como é evidente. Costuma-se dizer que os campeonatos se ganham contra as equipas pequenas. Eu costumo dizer que se ganham contra as pequenas e as grandes. Se não ganhar nenhum jogo contra as equipas de topo, não vai ganhar. É uma vantagem importante de uma equipa consistente. O Sporting tem um desafio que no meu ponto de vista é mais difícil. O plantel sofreu várias mexidas e o Rui foi obrigado a fazer alterações. O ótimo daquilo que é o jogo que o Rui Borges pretende demora tempo. Eu sei que no futebol não há tempo para pedir tempo. Mas às vezes o adepto precisa de ter paciência. Vou-vos dar um exemplo. O Estoril Praia é último classificado e tem novo treinador. Como é que vamos crucificar um treinador quando a própria estrutura demorou muito a planificar a temporada? É preciso esse tempo e esta paragem vai ajudar o Estoril, tal como a outras equipas que estão num espaço mais desafiante.
Bola na Rede: No que diz respeito às competições europeias, deixando de lado a Champions League, acha o Benfica fazer uma ‘gracinha’ na Europa League?
António Oliveira: É evidente que estamos longe das decisões, mas dentro do naipe de equipas, o Benfica parece-me uma das favoritas. Pelo menos é o que me parece do ponto de vista qualitativo. Sobre o ponto de vista individual e coletivo parece-me que vai estar extremamente preparada para fazer esse feito. Mas até lá, o caminho é longo. O Benfica é definitivamente um dos favoritos à vitória.
O Bola na Rede está presente no Portugal Football Summit. O evento decorre na Cidade do Futebol entre os dias 23 e 25 de setembro de 2026.
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