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Crise na habituação | Sporting 2-3 LASK Linz

Ricardo João Lopes · 6 min

Maxi Araújo Sporting
Foto: Pedro Barrelas/Bola na Rede

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O Sporting perdeu contra o LASK Linz por três bolas a duas, num encontro da terceira jornada da Champions League.

O Sporting entrou em campo com a possibilidade de pela primeira vez vencer três encontros consecutivos no arraque de uma Champions League e na teoria partia como grande favorito para o jogo contra o LASK Linz, relativo à terceira jornada. Na antevisão da partida ‘respirava-se confiança’ e os analistas previam uma vitória sem grande dificuldade, face a um elenco austríaco, que se baseava nos contra-ataques, que naturalmente teriam de ser concedidos por erros dos verde e brancos.

Os leões vivem uma nova era neste 4x3x3, que levou a que vários jogadores mudassem as suas rotinas a meio da época desportiva. A partida de quarta-feira à noite provou que a mini pré-temporada de outubro não serviu para uma habituação total. Há atletas que beneficiam desta troca. Issa Doumbia passou a ter um raio de ação muito maior. Aparecia muitas vezes pela esquerda na base da jogada para auxiliar na construção, mas poucos segundos depois já estava a pisar terrenos próximos aos de Luis Suárez. Nestory Irankunda consegue beneficiar da sua velocidade e capacidade de romper linhas. O próprio Geny Catamo passou a trabalhar ainda mais próximo da linha, procurando a ‘invasão’ de espaços interiores com bola ou o lançamento de colegas como João Simões, Issa Doumbia ou o próprio Luis Suárez, dependendo do posicionamento do colombiano no terreno de jogo.

Bola da Champions
Fonte: Pedro Barrelas/Bola na Rede

O grande problema (com bola) é só um: o Sporting passou a ser uma equipa que sabe jogar muito bem em transições, mas quando tem o controlo do encontro e se vê frente a blocos baixos, tem dificuldades em ocupar o espaço dos adversários. A derrota contra o LASK Linz deixa a nu os defeitos dos leões. Quando os austríacos compactavam linhas, os leões não as conseguiam perfurar, o que levou a um desespero no final da partida, com a utilização de cruzamentos e bolas longas.

Além disso, o Sporting, mesmo com a vantagem que conseguiu cedo no jogo, não foi particularmente feliz na criação de jogo na primeira fase. Aqui há mérito do LASK Linz. Rui Borges colocou Kaíque Pereira pelo facto de o brasileiro estar confortável com a bola nos pés e desceu Sergi Altimira para a base da jogada (muitas vezes, vimos o Sporting atuar num sistema de três centrais mesmo sem bola, uma vez que deixou de ser Geny Catamo o homem a completar a linha de cinco, como aconteceu anteriormente).

Luis Suárez Sporting
Fonte: Pedro Barrelas/Bola na Rede

Portanto, os leões contavam com Sergi Altimira, Eduardo Quaresma, Gonçalo Inácio e Kaíque Pereira para sair a jogar. Contudo, a pressão dos austríacos foi muito eficaz, forçando o Sporting a bater longo e a perder bolas importantes. Foi neste contexto que Issa Doumbia aparecia na base da jogada, para auxiliar. O italiano muitas vezes conseguia resolver a situação, mas como não estava presente na linha do meio campo ou na de ataque, os verde e brancos continuavam em maioria e a tendência para errar era maior.

O Sporting apresentou-se em vários momentos do jogo desequilibrado, o que permitiu os famosos contra-ataques do LASK Linz, que beneficiou da velocidade dos seus jogadores. Em certos momentos, os 10 jogadores de campo da equipa da casa estavam a pisar o meio campo rival e qualquer erro prometia ser fatal. Acabou mesmo por ser.

Luis Suárez Sporting
Fonte: Pedro Barrelas/Bola na Rede

São estes aspetos que Rui Borges tem de trabalhar. O Sporting pode viver de transições, mas não subsistir apenas disso. Terá de existir um plano mais organizado, capaz de furar um bloco baixo. Rodrigo Zalazar é o homem chave desse processo. O uruguaio encontra-se lesionado, mas o plantel tem outras soluções. João Simões passou ao lado do jogo e terá de ser alertado, uma vez que o seu papel era fundamental. O 4x3x3 resulta (se bem trabalhado e com várias nuances), mas nenhuma equipa deve ficar refém do mesmo. O LASK Linz estudou muito bem os pontos fortes e fracos da turma de Rui Borges e trabalhou para alcançar os três pontos.

Compreendem-se as alterações realizadas por Rui Borges perto do final do encontro, uma vez que estava a perder. No entanto, tal plano não estava trabalhado, com muitos jogadores a pisarem os mesmos terrenos, sem grande criatividade e olhando apenas e só para Luis Suárez como o grande farol. O colombiano ainda fez o segundo tento, mas não bastou.

Lask Linz jogadores
Fonte: Pedro Barrelas/Bola na Rede

A partida contra o LASK Linz também deu razão (uma vez mais) aos críticos de Jesse Derry. O extremo inglês entrou aos 80’, mas a maioria das suas ações foram erradas. O mais positivo que fez foi encontrar espaço para rematar à boca da área, mas a tentativa saiu ao lado e com pouca força. O jogador emprestado pelo Chelsea até está moldado para este 4x3x3, mas quando entrou no terreno de jogo já não existia qualquer tática que se pudesse ler. O objetivo final passava por marcar.

Jesse Derry apareceu pela esquerda e pelo centro, mas foi inútil. A sua má fase não é de ontem, nem da semana passada. O Sporting deveria ponderar seriamente a sua devolução ao Chelsea no mercado de janeiro, já que o atleta não contribui com quase nada dentro de campo. São 53 minutos em campo, divididos entre cinco encontros. Nem o próprio atleta pode ganhar experiência nestas condições. Além disso, ocupa uma posição na qual já existem dois jogadores que podem oferecer a Rui Borges soluções completamente distintas: Nestory Irankunda, como extremo mais aberto, e Flávio Gonçalves (que também não entrou bem em campo), para ser um avançado interior.

Rui Borges saiu de Alvalade alertado para as falhas do seu novo plano serem visíveis sem lupa que as mesmas necessitam de ser trabalhadas no treino. O técnico sabe que é em Alcochete que pode mostrar os seus pontos fortes, aperfeiçoando o que tem sido feito nas últimas semanas. Os resultados apresentam-se no jogo. Contra blocos baixos, o Sporting passará novamente pelas dificuldades de quarta-feira se nada for feito. O caminho até ao 4x3x3 foi feito e não há volta a dar. Dentro do sistema, caberá ao técnico encontrar alternativas para os problemas que foram apresentadas (falhas no homem para homem, dificuldades de penetração na zona adversária, desequilíbrios na transição defensiva…). O que há mais na Primeira Liga são conjuntos que atuam como o LASK Linz. O alerta ficou dado. Agora, é trabalhar e andar para a frente.

Jesse Derry Sporting
Fonte: Pedro Barrelas/Bola na Rede

Bola na Rede na Conferência de Imprensa

Bola na Rede: Hoje o Sporting viu-se com algumas dificuldades de bater o homem a homem e invadir o último terço, perdendo mesmo algumas bolas no um para um que mais tarde provocaram oportunidades de perigo para o adversário. Taticamente, o que é que falhou para que estes erros acontecessem?

Rui Borges: Sabíamos que, no HxH, estamos expostos pela capacidade atlética dos homens da frente, fisicamente fortes, jogo aéreo. Faltou sermos mais proativos nas segundas bolas. Era algo que sabíamos que podíamos estar expostos, mas nem foi por aí. Isso fazemos em todos os jogos. Era mais perigoso pela capacidade atlética, mas foi mais nas segundas bolas, não fomos tão proativos nem ganhámos tantas bolas. Basta olhar para os golos. Foram perdas de bola e desposicionamentos, por estarmos sobre um bloco mais baixo. Trabalhámos o equilíbrio, mas falhámos. A culpa é do treinador e assumimos. Tínhamos de ser mais equilibrados com bola. Causaram perigo no ataque organizado, com perdas de bola e desposicionamentos.

Rui Borges Sporting
Fonte: Pedro Barrelas/Bola na Rede
Ricardo João Lopes

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