
Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google
Cristiano Ronaldo anunciou o adeus à Seleção Nacional. O avançado internacional português deixou uma publicação nas redes sociais.
Cristiano Ronaldo anunciou o fim da sua carreira ao serviço da Seleção Nacional. O avançado internacional português confirmou a sua decisão nas redes sociais, a um dia do anúncio da convocatória de Jorge Jesus para os jogos de novembro.
«Portugueses, chegou o dia de devolver a camisola n.º 7 da seleção de todos nós. Nunca a senti como sendo exclusivamente minha, mas, durante 23 anos, tive o privilégio e a responsabilidade de a vestir, de a defender e de a levar comigo aos estádios de todo o mundo. Hoje chegou o momento de passar o testemunho ao futuro. Não foi uma decisão fácil, porque há decisões que não se tomam apenas com a cabeça; tomam-se também com o coração. Termina aqui uma jornada que começou em agosto de 2003 e que me marcará para sempre. Quando olho para trás e penso em tudo o que vivi na seleção, não vejo apenas jogos, golos, recordes ou troféus. Vejo pessoas. Vejo imigrantes que, durante 90 minutos, sentiam Portugal um pouco mais perto. Vejo milhões de portugueses que nunca conheci pessoalmente, mas que fizeram parte da minha vida. Porque, no fim de contas, o futebol é muito mais do que um jogo. O futebol são as pessoas. Ao longo de toda a minha carreira na seleção, procurei superar os meus limites. Quis vencer, quis ser o melhor, quis fazer história. Fui sempre exigente comigo próprio, quis sempre mais, acreditei sempre que podíamos chegar mais longe e dei tudo o que tinha por esta camisola. Houve tardes e noites perfeitas, houve vitórias que nunca esquecerei, houve derrotas que ainda hoje me custa recordar. Também falhei, também sofri, também houve momentos em que não fui capaz de dar aos portugueses aquilo que tanto desejavam, mas nunca desisti. E, acima de tudo, nunca deixei de sentir orgulho por representar Portugal. Ao longo destes anos, aprendi coisas muito simples: os golos passam, os troféus ficam nos museus, os recordes acabam por ser batidos. Mas há algo que o tempo nunca consegue apagar: o lugar que ocupamos no coração das pessoas. Se alguma vez vos fiz felizes, se alguma vez um golo meu vos fez abraçar alguém, esquecer uma preocupação ou sentir orgulho no nosso país, então tudo valeu a pena. Porque ser português também é isso: sofremos juntos, levantamo-nos juntos, vamos sonhar de novo! Portugal precisará sempre de jovens que sonhem, de jogadores que nunca desistam, de novas gerações que acreditem que é possível chegar onde ninguém chegou. Porque um país que continua a criar novos heróis é um país que nunca deixa de acreditar em si próprio.Aos meus colegas da seleção, quero deixar uma mensagem especial: obrigado por cada sprint, por cada abraço, por cada discussão, por cada silêncio antes de entrarmos em campo, por cada vitória que celebramos juntos e por cada derrota que nos tornou mais fortes. Tive o privilégio de ser o vosso capitão, mas nenhum capitão caminha sozinho, e vocês fazem parte da minha história. A todos os treinadores, dirigentes, médicos, fisioterapeutas, equipadores, funcionários e a tantas pessoas que trabalharam comigo ao longo destes anos, o meu muito obrigado. Muitos de vós nunca apareceram nas fotografias, mas sem vós nenhuma dessas fotografias teria sido possível. À minha família, obrigado por ter partilhado este sonho comigo. Obrigado por compreenderem as ausências, os sacrifícios e os momentos em que a seleção teve de ocupar um espaço que também vos pertencia. Se cheguei tão longe, foi porque estivemos sempre de mãos dadas. E aos portugueses, a todos os portugueses espalhados pelo mundo, quero dizer-vos uma última coisa. Há uma imagem que levarei sempre comigo: o momento em que começa o hino nacional. Olho à minha volta, vejo os meus colegas, vejo as bancadas, vejo crianças, mães, pais e avós, vejo portugueses que vieram de tão longe para estarem ali. E, durante aqueles minutos, deixámos de ser diferentes. Não existem clubes, não existem cores, não existem classes, não existem profissões, não existem opiniões; existe apenas uma paixão: Portugal. É esse o sentimento que levarei comigo para o resto da vida. Hoje termina a minha trajetória em campo com a seleção nacional. Saio de cabeça erguida, orgulhoso do caminho que percorri e com a consciência de que dei tudo o que tinha por Portugal. Mas nunca deixarei de ser um de vós. Continuarei a sofrer, a vibrar e a celebrar cada vitória de Portugal com um «siu». Passei a minha vida a trabalhar para ser o melhor jogador do mundo. Hoje percebo que a maior vitória foi ter merecido representar o melhor país do mundo. Obrigado por estes 23 anos. Obrigado por acreditarem em mim. Obrigado por me permitirem viver um sonho que começou quando eu era apenas uma criança na Madeira a correr atrás de uma bola. A camisola n.º 7 fica para trás, mas o orgulho de a ter vestido será meu para sempre. Portugal estará sempre comigo. Até à próxima».
Cristiano Ronaldo encerra um longo ciclo ao serviço de Portugal, no qual anotou 146 golos em 234 jogos, tendo ajudado a equipa das quinas a conquistar o Campeonato da Europa de 2016 e duas Ligas das Nações.














