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Fora dos relvados desde fevereiro, Daniel Bragança está cada vez mais próximo do regresso. Na fase final de uma exigente recuperação, o médio falou das dificuldades e da luta necessária para recuperar em declarações ao programa “Jogo a Jogo” da Sport TV.
«Logo no momento em que caí no chão já sabia o que aí vinha. Há o timing em que o doutor vem e começa a mexer-me no joelho e tenho a esperança que não seja tão grave quanto o que senti. Na minha cabeça estava a pedir a Deus “por favor outra vez não”. Mas a forma como caí e o barulho que ouvi era 99% de certezas que ia ter de passar outra vez por uma lesão destas», começou a explicar Daniel Bragança.
«É uma luta diária física e psicológica, mas sobretudo psicológica. Agora já estou melhor, consigo ver a luz ao fundo do túnel. Mas naquele momento já sabia o que ia ter de passar. Sofri muito com isso, fui abaixo, não consegui aceitar logo que me tinha acontecido. Mas muito por aquilo que já sabia que ia sofrer e o tempo que ia ter de parar outra vez. Por muito que os meus familiares mais próximos me tentassem animar, não havia nada que me conseguissem dizer ou fazer para que o meu sofrimento acabasse ali. Demorei muito tempo a aceitar. No início andares de muletas, não seres independente e precisares de ajuda para fazer tudo, são coisas que não quero voltar a passar e estão para trás. Sabia que o meu mindset estava errado, mas não estava a conseguir ganhar aquela luta. À medida que o tempo foi passando, ia-me mentalizando: “Já me privei de muito para chegar aqui, não posso ir abaixo e tenho de andar para a frente”. Há tanta gente no mundo a sofrer com vidas piores do que a minha. Esse tipo de coisas faziam-me andar para a frente. Tenho orgulho na resiliência que tive, consegui evoluir muito. Sinto que estou muito bem hoje pelo trabalho que fiz e o acompanhamento que tenho todos os dias. É um processo que já leva quase 9 meses», explicou Daniel Bragança.
Daniel Bragança falou num percurso muito delicado para recuperar da lesão e lutar contra os períodos difíceis. O médio comentou ainda processo em simultâneo com Nuno Santos.
«Só via negro à frente, não havia luz nenhuma. Essas recordações de ter dado a volta por cima a uma lesão dessas deram-me alento naquela fase difícil no início. Foi difícil porque já sabia o que aí vinha. Foi isso que pesou na balança e que me mandou abaixo. Já sinto que vou voltar bem e que o corpo responde da forma que eu quero. Na primeira [lesão] lembro-me que cada coisa que ultrapassava era uma conquista, nesta para mim já era uma obrigação. Há medo porque na verdade o teu joelho está bem, é só aqui [cabeça]. A cabeça é que manda tudo. Lá fora, nas mudanças de direção sinto-me completamente normal mas ainda não estou completamente à vontade porque o cérebro não deixa, é inconsciente. Tem de ser dia a dia», confessou Daniel Bragança, antes de falar de Nuno Santos.
«Passámos muito tempo juntos no departamento médico e no ginásio, com situações diferentes. Mas ajuda sempre quando estás mais chateado e olhas para o lado e vês o Nuno Santos a trabalhar. Ou então quando ele está irritado e vê-me a fazer e vai. Ele é super calmo, principalmente a ver os jogos na bancada. Deviam experimentar», riu Daniel Bragança.
Daniel Bragança comentou ainda a ausência nos jogos mais importantes da temporada e perspetivou o regresso.
«Estar de fora é difícil. Nos momentos bons em que a equipa está bem sentes o bichinho de estar lá dentro, mas onde sinto mais é nos momentos críticos em que a equipa está a precisar de qualquer coisa e sentes que tinha de estar ali para lutar com o grupo. Esses momentos são os que custam mais. Lembro-me o ano passado no jogo da Luz. Foi duro não estar. O jogo que deu o título com o Vitória também foi duro. É o que é. É aceitar», destacou.
«Reforço de inverno? Vamos ver. Reforço quero ser. De inverno. é o timing. Vamos ver», concluiu Daniel Bragança.
Daniel Bragança ainda não somou qualquer minuto esta época. Aos 26 anos, o médio procura regressar à competição e voltar a ser útil ao meio-campo do Sporting.
Daniel Braganç, recorde-se, alesionou-se no dia 15 de fevereiro, no empate entre o Arouca e o Sporting (2-2). O médio foi submetido a uma cirurgia após uma rotura do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo, a segunda lesão grave na sua carreira.













