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Dele Alli em testemunho emotivo: violência infantil, álcool e saúde mental

Diogo Ribeiro · 4 min

Dele Alli
Foto: Podcast Overlap

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Dele Alli deu uma entrevista emotiva a Gary Neville. O médio inglês abriu o coração e falou de vários eventos traumáticos que marcaram a sua vida.

Gary Neville foi o anfitrião do podcast ‘The Overlap’ que recebeu Dele Alli, médio internacional inglês e que na última temporada esteve emprestado pelo Everton FC ao Besiktas SK. A infância traumatizante, o rótulo de preguiçoso dado por José Mourinho, os problemas com álcool e medicamentos e a saúde mental foram temas abordados durante a entrevista.

«Quando tinha seis anos fui abusado por um amigo da minha mãe que costumava estar em minha casa porque a minha mãe era alcoólica. Fui enviado para África, para aprender disciplina, depois mandaram-me de volta. Aos sete comecei a fumar e aos oito anos vendia droga. Uma pessoa mais velha disse-me que a polícia não iam mandar parar um miúdo numa bicicleta, por isso andava com a minha bola e com droga», explicou Dele Alli, antes de apresentar as pessoas que lhe mudaram a vida.

Aos 12 anos, Dele Alli foi adotado por uma família de acolhimento a quem o inglês se diz eternamente agradecido.

«Não podia pedir melhores pessoas. Se Deus criou as pessoas, então criou-os a eles. Eram fantásticos e ajudaram-me muito, mas era difícil abrir-me porque sentia que era fácil para as outras pessoas verem-se livres de mim.Tentei ser o melhor miúdo possível para eles», agradeceu Dele Alli.

Aos 16 anos Dele Alli começou a jogar profissionalmente ao serviço do Tottenham Hotspur FC. As grandes exibições levaram o inglês a ser considerado um dos melhores jogadores do mundo e um dos futebolistas mais promissores da Europa. No entanto, depois de três temporadas a grande nível, o rendimento de Alli começou a cair e o médio começou a viver debaixo de um rótulo dado por José Mourinho.

«Esse rótulo de preguiçoso vem da entrevista na Amazon. José Mourinho chamou-me de preguiçoso depois de uma sessão de recuperação. Uma semana depois ele pediu desculpas, porque me tinha visto a treinar e jogar. Mas isso não estava no documentário e ninguém falou sobre isso. Não sou preguiçoso», enalteceu Dele Alli, que referiu a passagem do português nos spurs como o pior período da carreira e que chegou inclusivê a pensar em retirar-se.

Depois do Tottenham, Dele Alli chegou ao Everton FC. Na última temporada esteve emprestado ao Besiktas, clube da Turquia, onde os problemas regressaram, com o jogador a afirmar que desenvolveu um vício por alcóol e por medicamentos para dormir. No regresso da Turquia, Dele Alli apercebeu-se do seu «debilitado estado de saúde mental».

«Eu senti que estava a perder a batalha da saúde mental e estava na altura de mudar isso. Quando soube que precisava de ser operado, vi-me numa espiral de pensamentos negativos, e não queria que isso acontecesse novamente. Então fui para uma clínica de reabilitação para saúde mental onde lidam com vícios, saúde mental e trauma. Estive lá seis meses e, felizmente, foi muito bem aceite pelo Everton. Senti-me apoiado a 100% e sentir-me-ei grato para com o Everton para sempre», realçou Dele Alli.

A saúde mental é agora uma das prioridades de Dele Alli que procura agora ajudar outras pessoas a lidar com o problema, garantindo-lhes acompanhamento e fazendo-lhes perceber que é uma luta onde ninguém está sozinho

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