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Diogo Boa Alma foi o mais recente entrevistado pelo Bola na Rede. O diretor desportivo falou do trabalho no AVS SAD na última época.
Diogo Boa Alma foi entrevistado pelo Bola na Rede. O diretor desportivo abordou o trabalho desenvolvido no AVS SAD na última temporada, que assumiu já com a época em andamento. O dirigente explicou movimentos e confessou que entrou no clube e já estava ciente da probabilidade elevada da descida de divisão.
«Foi um desafio muito interessante. Eu chego à 9ª ou 10ª jornada, não me recordo, com a equipa com um ponto. Era uma missão praticamente impossível e eu sabia-o, mas o desafio foi realmente interessante. Era dar a volta a um contexto muito difícil, com um plantel extremamente extenso, com mais de 30 jogadores. Era difícil para trabalhar, mesmo para os técnicos. Era um desafio neste aspeto, porque são demasiados jogadores para se ter numa sessão de treino. São muitos jogadores a ficar de fora. Eram 20 convocados e ficavam mais de 10 jogadores de fora a cada fim de semana. Isso gerou muitos problemas também no grupo, o que é normal. Em janeiro, o maior desafio até foi encurtar o grupo, mais do que contratar. Tinhas depois uma limitação muito grande, porque já tinham sido utilizadas as 30 vagas e já só poderias fazer cinco substituições tendo em conta os regulamentos da Liga. Só poderiam entrar cinco jogadores no mercado de janeiro e foi esse o limite que nós utilizámos. Precisaríamos de mais, se fosse para poder realmente dar a volta ao contexto desportivo. Era praticamente um milagre que era exigido. Terminando a primeira volta com quatro pontos, a segunda volta tinha de ser uma coisa estratosférica para o clube se manter na Primeira Liga. Não foi, mas foi por pouco. Dos cinco reforços, ainda tivemos o azar do ponta de lança [Antoine Baroan], se lesionar no primeiro jogo, em Alvalade para a Taça. Entra, joga 20 minutos e parte a perna. Era uma das posições em que mais carência no plantel e nós só tínhamos uma vaga para contratar. A contratação não foi reforço, praticamente. Conseguimos acabar por reforçar a baliza, o lateral direito, foi depois um extremo e ir buscar o Roni [Moura] que foi importantíssimo como médio defensivo. Foram esses os quatro reforços que acabámos por ter. Depois, o trabalho fantástico que o mister João Henriques e a sua equipa técnica fizeram, fazendo acreditar sempre o grupo e percebendo que tínhamos de dar uma imagem completamente diferente, independentemente da classificação no final. Foi uma segunda volta muito, muito boa. Acabamos por fazer 17 pontos, se não estou em erro, é o recorde do clube na Primeira Liga numa volta. Era uma pontuação que daria tranquilamente para uma permanência se fosse replicada e se fossem as duas voltas ao mesmo nível. A equipa acabou em grande nível, com os últimos seis jogos sem perder, jogando com o FC Porto Sporting e Vitória de Guimarães. A verdade é que ganhou ao FC Porto, empatou com o Sporting e Vitória, com uma derrota nos últimos 10. A equipa estava realmente muito diferente, muito sólida e valorizou também os jogadores. Foi importantíssimo porque todos eles estavam desvalorizadíssimos na altura em que pegámos no projeto, e a verdade é que se conseguiu. O mais visível foi o Pedro Lima para o Sporting. Uma equipa que desce de divisão e consegue vender um jogador a um grande é muito difícil e muito raro. Não me recordo ter acontecido outra vez. Além dele, muitos outros deram o salto, como deu o Devenisch para a França, como deu o Tunde, como deu o Gustavo Mendonça. Foram vários os jogadores que se valorizaram. Deu-se realmente uma imagem totalmente diferente, fez-se uma boa segunda volta, valorizou-se ativos, deu-se ao clube capacidade para ter a época deste ano com o orçamento pago e sem qualquer necessidade de o investidor ter de colocar o dinheiro que seja este ano. Tem a época e o orçamento garantido através das vendas que foram feitas, portanto, tem o futuro garantido nesse aspecto», vincou o dirigente.
Lê a entrevista de Diogo Boa Alma na íntegra.












