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O Real Bétis recebeu e venceu o FC Porto por três bolas a duas, num encontro da segunda jornada da Champions League.
SEVILHA, ESPANHA- O Real Bétis e o FC Porto (3-2) protagonizaram um encontro a alta velocidade, pouco habitual nos planos dos dragões, habituados a um ritmo diferente em Portugal, numa Primeira Liga em que têm a obrigação de dominar de forma clara 80% dos jogos. Os espanhóis assumiram os ‘gastos’ do jogo desde o apito inicial, deixando os azuis e brancos desconfortáveis com uma alta pressão e remetidos ao seu meio campo.
A única forma dos dragões conseguirem aproximar-se da baliza adversária era a partir de contra-ataques, mas os mesmos raramente tinham logro. Manuel Pellegrini não abdicou do seu estilo e a defesa apresentou-se alta no terreno (foram várias as vezes em que os 10 jogadores de campo do Real Bétis estiveram no meio campo do oponente). A colocação por parte do chileno de Ángel Ortiz à direita dava ainda mais ritmo. Dois laterais (o jovem de 22 anos e Fran García) com uma grande vertente ofensiva, obrigavam os béticos a assumir o controlo do jogo, impondo uma mudança acima da do oponente.

Os primeiros 45 minutos ficaram marcados pelos duelos individuais protagonizados por Antony e Abde. Extremos com tendência a deslocarem-se para o espaço interior e para enfrentarem os laterais cara a cara. Martim Fernandes e Francisco Moura viveram missões complicadas, muitas vezes incapazes de acompanhar a velocidade dos seus adversários. Pelo meio, Isco Alarcón fazia quase o que queria. O médio ofensivo de 34 anos pode não ter as condições físicas de antes, mas a visão de jogo e qualidade de passe continuam intactas. O Real Bétis até poderia iniciar a construção pelo meio, com o ex-Real Madrid a ter a batuta nas mãos. No entanto, os lances quase sempre se deslocavam para as laterais, algo que o FC Porto não gostou.
Martim Fernandes até fez o gosto ao pé, mas o lance foi anulado por mão na bola. O empate ao intervalo não refletia o que tinha acontecido nos primeiros 45’, muito menos uma vantagem da turma de Francesco Farioli, que não fora superior em nada.
A segunda parte não desiludiu e teve o ingrediente que faltava: os golos. Abde não deixou o FC Porto saborear muito mais o empate e marcou um dos golos do ano, partindo da esquerda e enviando uma bola perfeitinha para o canto da baliza oposto. O La Cartuja aplaudiu de pé aquele que pode ser um dos golos do ano da Champions League. Os azuis e brancos sabiam que tinham de se mexer e foi a partir de livre direto que Gabri Veiga respondeu ao marroquino, aos 54’. A celebração do ex-Celta de Vigo era perfeitamente escusada, recorrendo à provocação. O talento que tem é ofuscado por estas atitudes e Francesco Farioli não é um apreciador de tais comportamentos.

O FC Porto sabia que tinha a oportunidade de assumir os gastos do jogo. Victor Froholdt e Gabri Veiga finalmente conseguiram espaço para construir e os extremos dos dragões foram aparecendo a pouco e pouco. Aos 61’, já com algumas mexidas, Samu Aghehowa completou a reviravolta e deixou o Real Bétis em maus lençóis. No entanto, foi neste momento que Francesco Farioli errou: quando os dragões assumiram o domínio, não o conseguiram manter.
A defesa do FC Porto, que tinha subido (e bem) cerca de 20 metros no terreno, foi descendo e descendo com o passar do tempo e o Real Bétis voltou à posição de comando. O resultado? O tento de Cucho Hernández, aos 74’. O jogo voltou a um ponto de indecisão, poderia cair para qualquer um dos lados (pese embora o Real Bétis estivesse sempre mais perto de marcar). Os andaluzes estão mais do que habituados a jogar neste ‘carrossel’, uma vez que se encontram numa La Liga competitiva. O FC Porto acusou a pressão. Francisco Moura cometeu uma grande penalidade sobre Ángel Ortiz e Isco não perdoou. 3-2 no marcador e um La Cartuja em êxtase.

O Real Bétis levou a melhor dentro de campo, numa partida que foi menos equilibrada do que aquilo que deixa transparecer. A derrota do FC Porto não é somente uma consequência do que aconteceu apenas dentro das quatro linhas. É, sim, fruto da discrepância existente entre Portugal e Espanha, que promete afunilar-se cada vez mais. Quantas vezes por ano em Portugal o FC Porto tem de enfrentar um ambiente como o que viveu na noite de quarta-feira? Nenhuma. O La Cartuja começou a vibrar antes do aquecimento, os adeptos cantaram até ficar sem voz, a terra quase que tremeu. Foram 60 mil pessoas a remarem para um lado, mesmo quando o Real Bétis estava a perder. O ambiente influencia muito. Motiva os atletas da casa, pressiona o adversário e deixa a equipa de arbitragem numa posição desconfortável.
O FC Porto é um clube totalmente consolidado no topo do futebol português. O Real Bétis é uma equipa que vive um ótimo momento (provavelmente com o melhor arranque da história), mas não tem um plantel como o do Barcelona, Real Madrid ou Atlético Madrid. No entanto, o elenco é mais recheado que o dos azuis e brancos. Os andaluzes são um conjunto habituado a lutar pelo acesso às provas europeias e isso não impediu de superar (em certos momentos com bastante facilidade) o atual campeão de Portugal.

No papel, a equipa do FC Porto vale mais do que o do Real Bétis (471,5 milhões de euros contra 258,1 milhões de euros). Na prática, quase todos os atletas dos espanhóis levaram a melhor no duelo posição por posição. Manuel Pellegrini deu-se ao luxo de lançar três internacionais espanhóis para dentro de campo: Rodrigo Riquelme, Dani Ceballos e Pablo Fornals. Nomes como Álvaro Fidalgo, Héctor Bellerín ou Giovanni Lo Celso não entraram nos planos. Do outro lado, ainda que existissem jogadores de peso como Samu Aghehowa ou Oskar Pietusewski, a qualidade não era tão abundante.
O Real Bétis 3-2 FC Porto mostrou que os clubes portugueses não estão ao nível das equipas referência das Big 5. O Benfica derrotou o AC Milan, é um facto. Porém, os rossoneri vivem um período de reconstrução e não são o gigante do passado, procurando recuperar estatuto.
Os azuis e brancos estão com zero pontos ao final de duas rondas da prova milionária. Não é um caso alarmante, tendo em conta que Manchester City e Real Bétis foram os oponentes contra quem jogaram. No entanto, é obrigatória uma vitória frente ao PSV Eindhoven, para recuperar moral e subir na tabela classificativa.

O Real Bétis promete ser uma equipa a acompanhar durante esta temporada. Um elenco feito à medida de Manuel Pellegrini (que na época passada foi algo criticado depois de cair aos pés do Braga na Europa League), com nome experientes e outros em busca de uma explosão definitiva. Um futebol rock and roll na cidade das sevilhanas e do flamenco.
O encontro do La Cartuja ditou dois ritmos diferentes e serviu de recado para o futebol nacional, que viu o campeão nacional ser subjugado por um não candidato ao título. Há razões para fazer uma reflexão. Não se trata apenas de uma derrota, mas sim da forma como se foi dominado, por muito que o FC Porto até tenha estado por cima do marcador.












