Frederico Varandas: «Não podemos ter um Viktor Gyokeres quatro ou cinco anos. Se isso acontecer, algo correu mal»

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Frederico Varandas, presidente do Sporting, encontra-se no Portugal Football Summit. Eis tudo o que disse o líder dos leoninos.

Frederico Varandas, presidente do Sporting, está presente no Portugal Football Summit, evento que vai decorrer nos dias 23, 24 e 25 de setembro na Cidade do Futebol, em Oeiras. Numa conversa com Pedro Pinto, o líder do clube verde e branco disse o seguinte:

«Existe confiança no projeto, fomos reeleitos. A Estabilidade é fundamental para este projeto. Mas é uma palavra muito frágil num clube com esta vontade de vencer. A estabilidade à que chegámos demorou e deu muito trabalho. A sua destruição é fácil. A estabilidade tem de ser cuidada todos os dias, terá de existir sangue frio. Tem de existir estofo para aguentar a pressão. Tudo o que vem de sucesso só conseguimos tê-lo com a estabilidade».

«Decisões mais complicadas na carreira? Hoje vemos isto como se fosse uma notícia de rodapé, mas são cinco anos seguidos a dar lucro. É um registo. Só não são sete por causa do COVID. Isto demonstra bem a robustez financeira que o Sporting hoje tem e o trabalho fantástico pelas pessoas que estão no Sporting. Em 2018 o Sporting apresentava um volume de 150 milhões e hoje tem 300. Nas áreas de negócio, não falando em vendas de jogadores ou UEFA, o Sporting fazia 50 milhões de receita. Em 2026, faz 300 milhões de euros. Isto leva a um processo fundamental. Hoje em dia existem capitais próprios positivos de 76 milhões de euros. Nos livros, isto seria uma recuperação financeira. Ser campeão, ser segundo classificado, quatro.. o Sporting apresenta liquidez positiva. Isto mostra o trajeto e solidez».

«Como é que decidem os momentos de vender? A decisão não é uma escolha, é uma obrigação. Recordo-me do pior momento. Eu gosto sempre de lembrar de onde viemos e de onde é fácil voltar. No segundo ano terminámos em quarto lugar, tínhamos vendido o Bruno Fernandes e o Raphinha. Tivemos que baixar o orçamento, vender os jogadores que tinham os salários mais pesados. Estávamos a metade do mandato. Tomámos a decisão de manter o rumo. Baixámos a massa salarial, vendemos o Wendel, o Acuña, o Mathieu era o mais caro a nível de salário e saiu. Investimos num treinador, mas investimos menos num bolo geral que no ano passado. Sabíamos que se corresse mal não terminaríamos o mandato ou nunca seríamos reeleitos. Fomos campeões nacionais. É o momento mais marcante».

«Importância financeira e desportiva da marca Sporting estar na Champions? É completamente indispensável. É quase entre um clube estar vivo ou morto. Mérito para a nossa performance. Significa entrar logo com 40 milhões de euros líquidos. Às vezes existe um desconhecimento. Na época passada ficámos em segundo lugar, vai às finais e fala-se como um pormenor que fomos aos quartos de final da Champions League. Uma performance desportiva daquelas significou 80 milhões de euros. Como presidente, trocaria esses 80 milhões pela Taça de Portugal. Claro que quero tudo. 80 milhões de euros vai muito para além de dar condições financeiras. Como é que mantém um treinador que não vence? É importante alguém avisar o Galatasaray. Eles perderam aquele jogo e são tetracampeões, têm três vezes a massa salarial. Conquistámos os três pontos e mais de dois milhões de euros. Isto não é valorizado».

«Mediatismo do mercado? O mercado está relacionado com os cinco anos de lucro. Fizemos um grande investimento, 125 milhões de euros. É um numero sonante. Fizemos 150 milhões de euros em receitas. Não estamos a colocar o Quenda nestas contas. Falamos de um investimento muito forte e considerável, mas sustentável. É importante o sócio do Sporting estar tranquilo. O tricampeonato era importante, eu sei. Nós queremos vencer com sustentabilidade. O Sporting para o ano vai ter condições de lutar pelos títulos e estar tranquilo. Não há montanha russa na recuperação financeira. Para mim é mais difícil comprar jogadores de 30 milhões de euros do que vender jogadores por 70. Não se pode pedir racionalidade à paixão. Não posso explicar ao sócio que faz um esforço brutal para ter uma Gamebox que não se pode ser campeão todos os anos. Mas no meio da paixão, há mais conhecimento. O Sporting hoje precisa de Gyokeres, de Doumbia, de jogadores que tenham potencial de fazer crescer o Sporting e a eles mesmo e depois de fazer mais valias. Se não tivéssemos Champions League, dois dos reforços não tinham vindo. Eu tenho uma visão fria sobre o que é um jogador do Sporting. Jorge Jesus queria espremer o jogador até ao tutano. Temos de entender que o seu jogador tem os seus objetivos e o seu fim. Há que agradecer tudo o que fizeram e ir buscar outros jogadores. Não podemos ter um Viktor Gyokeres quatro ou cinco anos. Se isso acontecer, algo correu mal».

«Próximo mandato? Se parasse por aqui já valia a pena. Estão a ver este presidente muito racional, mas por dentro era uma criança apaixonada por este clube. Agora estou mais racional. Agora tenho uma visão mais fria, mais desgastada. Olho para trás e vejo que já valeu a pena. É um Sporting completamente diferente. Duplicámos as receitas. Eu conheço o velho Alvalade, com 30 mil pessoas de médio. Hoje temos 50 mil pessoas no estádio. 15 mil pessoas em lista de espera para a Gamebox. É um Sporting completamente diferente do das últimas épocas. Eu sofri. Fico feliz por ver os miúdos a celebrar, a maioria são do Sporting. Eu gostaria de conseguir terminar a obra do estádio, o Alvaláxia, vídeo screen. Não será o maior estádio de Portugal em 2030, mas será o melhor. Ninguém gostava do estádio de 2004. Tudo o que podia ser mau estava lá».

EM ATUALIZAÇÃO

Ricardo João Lopes
Ricardo João Lopeshttp://www.bolanarede.pt
O Ricardo João Lopes realizou a sua formação na área da História, mas é um apaixonado pelo desporto (especialmente pelo futebol) desde criança, procurando estar sempre a par da atualidade.

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