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Mateus Mendes, guarda-redes da equipa B do Alverca, viu o contrato rescindido por agressão. Em comunicado, guarda-redes denunciou insultos racistas.
Mateus Mendes viu o contrato rescindido pelo Alverca devido a agressões no final da partida frente ao Oliveira do Hospital, um jogo da equipa B do clube do Campeonato de Portugal. Depois do anúncio do clube ribatejano, o guarda-redes de 27 anos reagiu e denunciou ter ouvido insultos racistas.
«Por volta do minuto 94 da partida, o atleta da equipe rival proferiu diversos insultos racistas para mim. Frases do tipo: “Macaco”, “Preto sujo” e “Volte pra sua terra”, entre outras coisas. Há testemunhas. Muitos viram, muitos ouviram (e todos se calaram). Pergunto: qual a solução para isso? Aguentar calado, fazer uma denúncia que jamais teria um resultado prático, ouvir todos dizerem que “é do jogo” e deixar mais um racista seguir livremente seu caminho cometendo crimes contra outros pretos como eu», escreveu Mateus Mendes, numa publicação partilhada pelo próprio nas redes sociais.
No comunicado, que podes ler na íntegra abaixo, o guarda-redes relembrou ainda que Vinícius Júnior, acionista do clube, também já sofreu na pele de insultos racistas.
Eis o comunicado do guarda-redes na íntegra:
«Depois do que aconteceu nesse fim de semana, preciso vir à público para explicar exatamente o que houve.
Por volta do minuto 94 da partida, o atleta da equipe rival proferiu diversos insultos racistas para mim. Frases do tipo: “Macaco”, “Preto sujo” e “Volte pra sua terra”, entre outras coisas. Há testemunhas. Muitos viram, muitos ouviram (e todos se calaram).
Pergunto: qual a solução para isso? Aguentar calado, fazer uma denúncia que jamais teria um resultado prático, ouvir todos dizerem que “é do jogo” e deixar mais um racista seguir livremente seu caminho cometendo crimes contra outros pretos como eu? Ou quem sabe fazer um texto no Instagram, com frases bonitas, atacando os racistas e vendo ele sumir depois de 24h com milhares de “likes”? Ou simplesmente deixar passar, “é só mais um, já estou acostumado”, segue o jogo?
A agressão se manifesta por diversas formas, e nesse caso se deu por palavras e ofensas racistas. Não podemos utilizar uma atititude para justificar a outra mas, o mais importante, não podemos relativizar ou diminuir atos rascistas que se perpetuam.
São mais de 10 anos ouvindo essas mesmas coisas em campos de futebol no Brasil e fora. E ouvindo também que isso é do jogo, que faz parte, que não é por maldade. Minha atitude nasceu de “erros” dos outros. Nasceu de crimes. Nasceu porque foi a gota d’água. Depois de tanto, a mente não aguenta, o corpo não aguenta, o errado acontece.
Peço desculpas aos meus companheiros e equipe, mas imaginei que um clube como o FC Alverca seria minimamente mais solidário à causa. Devo lembrar que o acionista principal do clube se chama Vinícius Junior? Que sofreu na pele (e por conta da sua pele) tudo que passei nesse fim de semana? A ironia está nos detalhes, e uma pena que ainda somos surpreendidos por isso.
E espero que isso que aconteceu acenda um sinal de alerta para todos:
Estamos cansados de racismo.
Estamos cansados de xenofobia.
Estamos cansados de sermos vítimas diárias de um crime sem culpados, sem sentença e sem Justiça.
Estamos cansados de racistas.
Que clubes, ligas e federações ao redor do mundo entendam de uma vez que “o que acontece no campo, *não* pode ficar dentro do campo”, e entendam que estamos cansados».











