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Leonardo Jardim criticou a arbitragem do empate entre Flamengo e Estudiantes, na primeira mão das meias-finais da Taça Libertadores.
Durante a madrugada desta sexta-feira, o Flamengo não foi além do empate a zero com o Estudiantes, na primeira mão das meias-finais da Taça Libertadores. Após a partida, Leonardo Jardim criticou a arbitragem e abordou a reação dos seus jogadores:
«Foi um jogo dentro daquilo que esperávamos. Extremamente agressivo. Mais do que competitivo, agressivo. Muito difícil de jogar, como puderam ver, com muitos contactos. O árbitro permitia agarrões e entradas duras, deixou o jogo seguir. Para nós, que gostamos de ter a bola, houve dificuldades. O contacto não nos permitia ter a bola tantas vezes, mas já sabíamos disso, tal como sabíamos a forma como o árbitro apitava e aquilo que o adversário pretendia fazer. E insisto: o árbitro não deixou jogar. Vi situações em que nem sequer assinalou falta, apesar de o adversário agarrar, deitar-se no chão e procurar o contacto em vez de jogar a bola. Isso torna o jogo difícil. Mas só quem esteve lá pode perceber este tipo de situações. Acredito que, no Maracanã, o árbitro será mais rigoroso neste tipo de lances, porque, assim, isto transforma-se em râguebi».
De seguida, o técnico português acrescentou:
«Acredito que, no início, os jogadores ficaram revoltados com três ou quatro faltas que não foram assinaladas, mas o árbitro não mudou a sua forma de atuar, apesar do nosso descontentamento com os agarrões e o contacto físico. Muitas vezes, nos duelos individuais, o adversário nem sequer olhava para a bola: procurava apenas o contacto. Assim, é difícil jogar. Queremos, naturalmente, que os árbitros tenham boas atuações. Vejo futebol noutros países e competições em que, quando os jogadores se aproximam do árbitro para falar com ele, este pega logo no cartão e mostra-o. Porque é que precisamos de adotar uma atitude agressiva perante o árbitro? Na minha opinião, ele tem de analisar bem as situações. E não acredito que os árbitros sejam influenciados pelos jogadores».
Leonardo Jardim explicou as substituições tardias e refletiu sobre o plano de jogo do Flamengo:
«Durante grande parte do jogo, houve uma enorme componente física, tanto nos duelos como nas bolas paradas, como sabem. No nosso plantel, nem todos são tão eficazes nas bolas paradas e, por isso, as substituições tinham de ser muito criteriosas. Ou seja, não podíamos perder altura. Por exemplo, se mantivesse aqueles dois ou três jogadores no banco e retirasse jogadores importantes nas bolas paradas, cada cruzamento e cada canto passariam a ser um problema. Se tivéssemos mais jogadores baixos em campo, seria ainda pior. E vocês sabem disso. Por essa razão, optámos por manter a equipa organizada, preservando estas características importantes para um jogo na Argentina. Mantivemos uma estrutura sólida. Quando tirámos Paquetá e colocámos Freitas, tivemos de baixar a estrutura. No que diz respeito a Pedro e Bruno Henrique, mantivemos a estrutura para termos um jogo interior melhor e mais agressivo. Pedro também teve dificuldades em fazer a ligação pelo corredor central. Por isso, procurámos equilibrar a equipa, sem desmanchar aquilo que tínhamos planeado. Não quisemos arriscar mudar porque o adversário é muito forte a jogar em casa».
O técnico português lamentou a falta de remates à baliza adversária:
«É evidente que não rematámos nem atacámos como pretendíamos, também por mérito do Estudiantes. Como disse, muitas vezes fomos anulados pelos duelos físicos e pelas faltas, e isso acabou por matar o jogo. O árbitro só mostrou um cartão amarelo na segunda parte. Foi difícil jogar. Mas já sabíamos disso, porque já tínhamos jogado aqui na fase de grupos. Foi uma luta muito intensa, com poucas oportunidades de golo para ambas as equipas, porque é difícil jogar nestas condições».
Leonardo Jardim falou sobre a escolha de Bruno Henrique para a frente de ataque, em detrimento de Pedro:
«Sabem melhor do que ninguém que, ao longo deste percurso, somos uma equipa que continua invicta e que tem feito uma das melhores campanhas da Libertadores dos últimos anos. Para jogar na Libertadores, é preciso ter alguma agressividade, e Bruno Henrique ofereceu-nos isso. Pedro é um jogador que dá continuidade ao jogo de outra forma. Mas, perante uma defesa deste tipo, agressiva nos duelos, como puderam ver, mesmo tendo entrado há 20 minutos e estando fresco, teve dificuldades em ter a bola. Essa não é a sua principal característica. É um jogador que procura os espaços e se movimenta entre linhas, mas esses espaços não existiram. Por isso, optámos por Bruno Henrique. Não é uma decisão surpreendente, porque é isso que tem acontecido nos últimos tempos».
Sobre as ausências de Jorginho e Giorgian de Arrascaeta, o técnico referiu:
«Acredito que a nossa força está no coletivo. Jorginho é um jogador muito importante para nós, tal como Arrascaeta. Não é necessário explicar a importância que têm para a equipa. Ao preparar este jogo, olhei para os 11 jogadores que tinham atuado neste estádio contra este mesmo adversário, na fase de grupos, há quatro ou cinco meses. Evertton Araújo e Jorginho jogaram no meio-campo, Vitão e Danilo formaram a dupla de centrais e Paquetá também não jogou no ataque. Estamos a falar de cinco ou seis jogadores diferentes, e o resultado foi o mesmo. Isso significa que temos um plantel com qualidade, com jogadores capazes de resolver situações e aproveitar as oportunidades que o futebol nos proporciona. Não podemos lamentar as ausências. Temos de tirar o máximo partido dos jogadores disponíveis e apoiá-los na luta pela camisola do Flamengo».
Por fim, Leonardo Jardim afirmou:
«O Flamengo não veio à procura de um empate. E vocês conhecem muito bem a Libertadores. Estes jogos são muito difíceis e temos de ser competitivos. Não podemos ser românticos. Temos de ser eficazes. É evidente que não jogámos como eu gostaria, sinceramente. Mas, tendo em conta aquilo que foi o jogo e a luta que existiu, foi difícil jogar. Por isso, aceito que nós, sendo a equipa que marca mais golos nas últimas épocas e que cria mais situações de ataque, hoje não tenhamos conseguido fazê-lo, mérito do adversário. Houve também um impacto físico muito grande, com cerca de 40 faltas. Muitos duelos e muito contacto físico, o que criou dificuldades, sobretudo aos nossos jogadores mais técnicos. Perdemos alguma capacidade competitiva, mas não perdemos o equilíbrio. Isso era importante: não podíamos chegar à segunda mão e comprometer tudo o que fizemos na primeira».











