Modernizar a gestão, recuperar a ambição e reforçar a transparência. É este o desafio lançado pelo Leixões XXI, através das 31 propostas apresentadas para o futuro do clube.
O movimento Leixões XXI, que reúne adeptos e sócios do Leixões, apresentou um conjunto de 31 propostas para o futuro do clube, defendendo uma modernização profunda da gestão. O projeto assenta em quatro pilares, identidade, ambição, transparência e união sem unanimismo.
Entre as principais prioridades está o novo Estádio do Mar. Cláudio Carvalho, um dos fundadores do Leixões XXI, em declarações ao Bola na Rede, defende que o futuro recinto deve ser pensado não apenas para os dias de jogo, mas também como uma fonte de receita durante todo o ano. A proposta passa pela criação de espaços comerciais, serviços, áreas de hospitalidade, conferências, concertos e outros eventos:
«As infraestruturas agora são criadas não numa ótica de utilização de produtos em duas semanas, são criadas numa ótica de utilização de 365 dias do ano e todos os anos, por todo o dia. Vemos espaço para áreas comerciais em todas as bancadas do estádio para reconstruir. hospitalidade, serviços, retalho, as boxes dentro do próprio estádio poderiam ser utilizadas não só para melhorar a experiência do adepto, mas também para terem espaço para fazerem conferências».
A transparência é outra das principais preocupações do Leixões XXI. O movimento defende maior divulgação de informação aos sócios, incluindo contas, estrutura organizativa e protocolos entre o clube e a Sociedade Anónima Desportiva, propondo também a criação de um portal de transparência e uma auditoria às contas e ao património do clube:
«Achamos importante ter as contas estruturais do clube, lançadas e publicamente disponíveis. Ter um portal de transparência de ambas as entidades. A divulgação de um organograma e de pessoas à infraestrutura. A divulgação pública do protocolo entre o clube e a SAD sabemos que foi rejeitada pela direção do clube. Já nos disseram que à partida vai estar num site que não temos. O clube não tem site, apenas a SAD. Mas não temos confiança que isso vá acontecer, honestamente, o protocolo já devia ser público».
No plano desportivo, o Leixões XXI aponta o regresso à Primeira Liga como o objetivo imediato e defende uma maior profissionalização da estrutura do clube. O movimento pretende ainda que o Leixões recupere a competitividade histórica das suas modalidades, com particular destaque para o voleibol:
«Ao nível do futebol o primeiro passo é subir à Primeira Liga sem dúvida, mas o clube tem que se profissionalizar, remunerando as funções executivas de maior exigência e ser competitivo em todas as modalidades que participe para colocá-las ao nível da nossa história, até porque somos um dos clubes mais titulados do voleibol e queremos manter essa fasquia».
Apesar das críticas, o movimento garante que pretende manter uma relação construtiva com a direção. A ideia de união sem unanimismo traduz a defesa de diferentes opiniões dentro do clube, sem que a crítica seja automaticamente entendida como oposição:
«Com o clube temos boas relações e queremos mantê-las num diálogo construtivo. A nossa visão é de uma união assente não na unanimidade, mas no respeito e no diálogo. Se apresentas propostas alternativas, se fazes uma crítica construtiva, não significa que estás contra a direção, ou contra a SAD».
O Leixões XXI admite, contudo, endurecer a sua posição caso sejam ultrapassadas determinados limites, relacionados sobretudo com a identidade do clube, a gestão financeira e o futuro das modalidades. Uma candidatura eleitoral surge apenas como uma possibilidade caso o diálogo e a implementação das propostas não produzam resultados:
«Uma linha vermelha é a gestão danosa. Se sentirmos que nesse domínio financeiro e estratégico estão a ser ultrapassados os limites, ou se surgir um investidor que queira tirar o Leixões de Matosinhos, ou mudar o símbolo nós teremos posição eleitoral. Se não quiserem apoiar as nossas propostas, exigimos constituição alternativa eleitoral; se sentirmos na massa adepta que há essa necessidade, não nos soltaremos dessa responsabilidade».
O objetivo declarado pelo movimento é, assim, contribuir para um Leixões mais transparente e competitivo, mantendo a identidade histórica do clube e reforçando a participação dos seus associados.

