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O início da revolução tática de Franclim Carvalho | Braga 2-0 Gent

Dinis Jacob · 5 min

Braga jogadores
Foto: João Silva / Bola na Rede

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Fechado o capítulo com Carlos Vicens, o primeiro teste do Braga sob o comando de Franclim Carvalho deixou indícios de uma equipa a procurar novos sinais de identidade e a querer agarrar o rumo da temporada, vencendo o Gent por 2-0 em frente aos adeptos gverreiros. O futebol de Vicens encantou em muitos momentos, surpreendendo até os três grandes do futebol português, mas a falta de produto final e a instablidade defensiva ditaram vários resultados negativos, acabando por forçar a mudança. Com o novo líder, a verticalidade do ataque bracarense foi sentida desde cedo e, apesar de ainda estar longe do ideal, o desempenho do Braga acabou por ser mais que suficiente para somar os primeiros três pontos da temporada na Conference League.

A primeira grande alteração passou pelo sistema base, deixando o 3-4-3 de Vicens e instalando um 4-2-3-1, cujas nuances encaixaram muito bem com as características do plantel. Começando pelo momento ofensivo, o Braga mostrou grande variabilidade na quantidade e disposição dos elementos envolvidos na primeira fase de construção. A saída mais utilizada foi em 3+1, com Bright Arrey-Mbi a fechar como central e com João Moutinho como o elemento mais recuado do meio-campo, fazendo Gorby Baptiste «crescer», como referiu o treinador na conferência de imprensa, em resposta ao Bola na Rede. O francês é claramente o jogador com características que mais se adaptam a esta função, sendo assim alguém que pode vir a ter uma temporada em que dá mais um salto na carreira. No entanto, os minhotos conseguiram também construir em 3+2, deixando Gorby mais recuado, e ainda em 4+2, com Bright aberto na esquerda e Victor Gómez mais recuado na direita.

Gorby Baptiste, Braga
Fonte: João Silva / Bola na Rede

O papel do espanhol no novo plano será de enorme importância, pois terá de garantir equilíbrio a nível defensivo e oferecer muita projeção ofensiva em largura no corredor direito, tendo depois um jogador com um posicionamento mais interior e com alguma liberdade à sua frente, como foi o caso de Pau Víctor no onze inicial. Na esquerda, a introdução de Bright permite a Gabriel Silva ocupar zonas mais adiantadas do terreno, onde as suas qualidades são claramente melhor aproveitadas.

Tudo isto abre espaço para a estrela, Ricardo Horta, ser o ‘vagabundo’ do ataque. Como o elemento mais perto do avançado no corredor central, o capitão desempenhou vários papéis consoante o momento de jogo, funcionando como terceiro médio quando foi necessário criar superioridade numérica no meio campo e como segundo avançado para sobrecarregar a linha de cinco dos belgas.

Ricardo Horta, Braga
Fonte: João Silva / Bola na Rede

Na pressão à saída do Genk, o Braga formou um 2+1, com uma primeira linha de Pau Víctor e Jovan Milosevic, que recebeu uma oportunidade para liderar a frente de ataque. Atrás da dupla, Ricardo Horta ficou encarregue de limitar a ligação com o médio adversário mais recuado. Nas alas, Gabriel Silva saltou ao central direito dos belgas quando a bola caía para esse lado, enquanto Víctor Gómez acompanhava os movimentos de Tiago Araújo, pressionando quando o português baixava para ajudar na construção. A defesa do último terço foi a única fase do jogo na qual os traços de Vicens foram ainda muito claros, com Gabriel Silva a baixar para uma linha de cinco.

Mais do que a vitória sobre o Gent, a noite na Pedreira serviu para confirmar que o SC Braga encontrou uma base tática mais coesa e ajustada à realidade do seu plantel. O 4-2-3-1 de Franclim Carvalho deu pragmatismo ao ataque, protegeu o setor defensivo e redefiniu papéis fulcrais na equipa. Se a herança de Vicens ainda sobressai em momentos sem bola, os primeiros sinais de identidade deixam os adeptos gverreiros com razões legítimas para ter expetativa num ciclo que arranca com renovada ambição.

Bola na Rede na Conferência de Imprensa

Bola na Rede: No Botafogo utilizou muito o 3+1 na primeira fase de construção, com bastante liberdade posicional dos restantes membros do ataque. Neste primeiro jogo com o Braga vimos bastante variedade, construindo também em 3+2 ou até 4+2. O que achou da prestação da sua equipa nessa fase e o que é que levou a que o Braga tenha perdido algum controlo na segunda parte, como referiu?

Franclim Carvalho: Temos de perceber que tivemos dois treinos. Referi isso na antevisão, pedimos coisas simples aos jogadores, sermos diretos e objetivos. Face às características dos jogadores o treinador tem de chegar e adaptar-se às características. Tentar encontrar aqui uma forma de enquadrar a nossa ideia com as características dos jogadores que temos. Quando fizemos 3+1, fizemos crescer o Gorby, quando estava com o João (Moutinho) em campo e ficámos mais vezes com o Bright atrás. Vimos o Bright muitas vezes aberto também, quando fizemos o 4+2. Portanto, isto vai levar tempo, temos que ir ganhando para trabalhar com esse tempo, mas queremos continuar a trabalhar estas variantes que falou, porque é mais difícil dar referências ao adversário de pressão e de conhecimento do nosso jogo. Em relação à segunda parte, obviamente que estávamos em vantagem e o adversário vai tentar dar uma resposta. Estávamos em vantagem por um golo e estávamos à espera que o adversário arriscasse um pouco mais. Acho que nós perdemos o controlo sem a bola e não com bola. Temos muitas coisas para melhorar, mas fizemos coisas bem e estou satisfeito com a disponibilidade total dos jogadores, que isso era muito importante para ganharmos hoje.

Franclim Carvalho, Braga
Fonte: João Silva / Bola na Rede

Bola na Rede: Na segunda parte, o Gent foi bastante mais agressivo na pressão à saída do Braga, através de um 4-2-4. Quando o Leonardo Lopes entrou, mudou para um 2+1 na primeira linha, com o jogador português a marcar João Moutinho. O que é que o levou a fazer estas alterações e como vê a prestação defensiva da sua equipa?

Rik De Mil: Primeiramente, acho que o início da primeira parte foi muito difícil. Eles fizeram um golo muito bom. Mudaram o sistema e nós tivemos que nos adaptar a isso. Mas o primeiro golo é o espelho da qualidade deste Braga. Depois tu precisas de regressar ao jogo e isso leva algum tempo. Penso que em termos do ritmo com bola e de encontrar os espaços nas costas, e eles existiam, acho que nem sempre os soubemos encontrar. Por isso, na segunda parte alteramos um pouco as coisas. Eu disse-lhes onde poderíamos encontrar os espaços, onde e como ser agressivos e penso que melhorámos. Mas claro, sabíamos que íamos sofrer aqui, sabíamos que tínhamos de manter o 0-0 nos primeiros 20 minutos e que os momentos que temos teriam de ser aproveitados. Mas não o fizemos, e quando queres tirar pontos aqui tens de estar a 300% e não o conseguimos durante 90 minutos. E por isso, como te disse, penso que o Braga mereceu vencer.

Rik De Mil, Gent
Fonte: João Silva / Bola na Rede
Dinis Jacob

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