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O FC Porto venceu o Benfica por 3-1, no Estádio do Dragão. Fica com o meu relatório tático do encontro da 7.ª jornada da Primeira Liga.
O FC Porto recebeu e venceu o Benfica por 3-1, na 7.ª jornada da Primeira Liga. Segue o meu relatório tático dedicado à análise do encontro, com foco na identificação dos principais comportamentos coletivos e individuais apresentados por ambas as equipas ao longo do jogo.
Relatório Tático – FC Porto x Benfica
Benfica
Organização defensiva / Transição defensiva
- Em bloco médio, o Benfica estruturou-se em 4-4-2, com Georgiy Sudakov e Vangelis Pavlidis na primeira linha de pressão, dando liberdade aos centrais do FC Porto para iniciar a construção.
- Na saída de bola do FC Porto, o Benfica procurou pressionar alto em 2+1+4, com Rafa Silva e Pavlidis na primeira linha de pressão, Sudakov atrás, preparado para pressionar Pablo Rosário, Alexander Bah a saltar alto sobre Martim Fernandes e Prestianni responsável por pressionar Alberto Costa.
- Nos momentos em que o Benfica pressionava alto, através dos seus triggers de pressão, era frequente observar Sudakov a aproximar-se de Pavlidis, formando uma primeira linha de pressão mais compacta. Ao mesmo tempo, Aursnes saltava a Pablo Rosário, enquanto Tomás Araújo controlava zonalmente Gabri Veiga.
- Perante a tendência do FC Porto, sobretudo na fase inicial do jogo, para procurar a bola longa no duelo direto entre Samuel Dahl e William Gomes, ou através do passe rasteiro resultante da dinâmica entre central e extremo, era importante que Samuel Dahl atacasse rapidamente a pressão sobre William Gomes, procurando condicionar a sua receção nos primeiros segundos e impedir que o extremo do FC Porto pudesse virar e enquadrar de frente.
- Outra das soluções utilizadas pelo Benfica na pressão passou pela descida de Pavlidis em apoio. Nesses momentos, o central do FC Porto acompanhava o avançado grego, enquanto Rafa Silva procurava aparecer nas costas, através de movimentos de rutura em diagonal.
- Com o FC Porto a procurar lateralizar mais vezes através de Froholdt no corredor direito, João Palhinha saía do bloco em determinados momentos para saltar à pressão. Quando o Benfica estava organizado num bloco mais baixo e se verificava o mesmo movimento de Froholdt para fora, era Prestianni quem saltava.


Organização ofensiva / Transição ofensiva
- O Benfica iniciou a construção frequentemente em 4+2, com os laterais baixos e alinhados com os centrais e Aursnes e João Palhinha como duplo pivô.
- Em determinados momentos da construção, Sudakov lateralizava para o corredor esquerdo, existindo trocas posicionais com Gianluca Prestianni. Quando Sudakov saía para fora, Prestianni procurava ocupar uma posição mais interior.
- Para condicionar a pressão alta do FC Porto, quer em 2+4, quer em 4-4-2, Alexander Bah baixava várias vezes no terreno, mantendo-se na largura. Este comportamento obrigava Martim Fernandes a percorrer maiores distâncias nos seus saltos à pressão.
- Quando o Benfica tinha bola e o FC Porto se encontrava organizado num bloco mais baixo, em 5-4-1, com Pablo Rosário a baixar para a linha de cinco entre Bednarek e Alberto Costa, Rafa Silva procurava ocupar zonas interiores, formando frequentemente um quadrado no meio-campo com Sudakov, Aursnes e João Palhinha.
- Rafa alternava, em alguns momentos, com bola, entre posições interiores e a largura, sobretudo quando Bah estava mais baixo. No entanto, a tendência principal foi para ocupar zonas interiores, comportamento que também se verificava quando a equipa não tinha bola.
- Com Sudakov na meia esquerda e Aursnes na meia direita, o Benfica conseguiu, em determinados momentos, jogar por dentro, sobretudo quando existia uma distância significativa entre a linha média e a linha defensiva do FC Porto, bem como quando se verificava um grande distanciamento entre Froholdt e Gabri Veiga.
- Aursnes apresentava também tendência para alargar a sua posição no corredor direito do Benfica, permitindo a Rafa ocupar zonas interiores. A partir daí, criava combinações com Bah, podendo também atacar espaços através de movimentos de rutura por dentro.
- Outra solução importante foi a utilização de Pavlidis em apoio. Bednarek esteve sobretudo atento às descidas do avançado grego, procurando acompanhar esses movimentos.
Benfica reduzido a 10 unidades
- Após a expulsão de Lenglet, o Benfica ficou reduzido a dez jogadores.
- Em organização defensiva, a equipa passou a utilizar um 4-2-3, com Prestianni e Rafa Silva na primeira linha, juntamente com Pavlidis.
- A utilização de Pavlidis em apoio tornou-se ainda mais frequente, procurando combinar com Prestianni no corredor esquerdo. Foi precisamente a partir desta dinâmica que surgiram algumas das melhores oportunidades do Benfica, incluindo o lance que originou o golo.
- Com Rafa por dentro, Bah assumia a largura e apresentava também capacidade para chegar à área. Foi através deste tipo de movimento que surgiu o golo e, posteriormente, voltou a realizar um comportamento semelhante num cruzamento proveniente do corredor esquerdo, após ação de Prestianni.
- Sem bola, e com Froholdt a esticar a última linha, através de movimentos de rutura ou simplesmente posicionando-se junto da última linha, verificou-se uma tendência para João Palhinha baixar para uma linha de cinco defensiva, mantendo-se associado à marcação. A equipa passava, assim, a apresentar uma estrutura próxima de 5-1-3.
- Este comportamento acabou por deixar o corredor central mais desprotegido, com apenas Aursnes no meio e, por vezes, alguma ajuda de Prestianni e Rafa, que procuravam fechar mais por dentro.
- O FC Porto começou a explorar esta fragilidade. O posicionamento de Palhinha permitia ao FC Porto avançar Pablo Rosário para receber livre, de frente e sem oposição, no corredor central. Também as descidas em apoio de André Silva contribuíam para explorar esse espaço.
- Nesse sentido, seria importante que João Palhinha mantivesse a sua posição no corredor central. Mesmo perante movimentos de rutura, seria possível manter a linha defensiva coordenada, ainda que com maior dificuldade perante ataques ao espaço.
- A partir daí, perante bolas longas, quer para a largura do FC Porto, onde o Benfica poderia rapidamente reorganizar-se, quer para as diagonais dos jogadores do FC Porto, a equipa poderia também contar com possíveis saídas da baliza de Samuel Soares.
- Perante as descidas de André Silva em apoio, seria importante existir um salto ao avançado para impedir que recebesse livre e, posteriormente, uma boa compensação e coordenação da linha defensiva. O timing dos movimentos da linha seria fundamental para fechar o espaço criado pelo salto, quer de Circati, quer de Tomás Araújo.
- Senti que este 4-2-3, enquanto estratégia inicial em organização ofensiva/defensiva, acabou por limitar o Benfica no controlo do espaço entrelinhas.
- Uma possibilidade seria baixar mais Prestianni e Rafa, ocupando posições mais interiores, permitindo que a bola saísse para a largura através dos extremos ou de jogadores como Froholdt ou Gabri Veiga, quando estes lateralizavam.
- Posteriormente, quando a bola entrasse no extremo do FC Porto, poderia saltar o lateral do Benfica. Quando fosse o médio interior do FC Porto a lateralizar, seria o extremo do Benfica a saltar.
- O objetivo do 4-2-3 seria também manter pressão e marcação sobre os laterais do FC Porto por dentro, mas esta estrutura poderia deixar demasiado espaço livre entrelinhas.


Construção do Benfica perante a pressão do FC Porto
- Já no plano ofensivo, quando o Benfica construía a três, em determinados momentos, através da descida de Aursnes ou de Bah para uma posição mais baixa, conseguiu criar algumas dúvidas nos saltos de pressão do FC Porto.
- Em vários momentos, William Gomes saltava ao central do Benfica do seu lado, permitindo posteriormente ao Benfica sair através de Dahl ou, por vezes, de Prestianni, como aconteceu no lance do golo.
FC Porto
Organização defensiva / Transição defensiva
- Na saída de bola do Benfica, o FC Porto também apresentou uma estrutura de 2+4, com Pepê e André Silva a direcionarem a pressão para o lado esquerdo do Benfica.
- Quando a bola entrava em Samuel Dahl, William Gomes saltava rapidamente à pressão, procurando condicionar a receção do lateral do Benfica.
- Em bloco mais baixo, o FC Porto apresentou o habitual 5-4-1, com Pablo Rosário a baixar para o espaço entre Bednarek e Alberto Costa.
- Perante as descidas de Pavlidis em apoio, Bednarek procurava rapidamente encurtar o espaço e acompanhar o movimento do avançado.
Organização ofensiva / Transição ofensiva
- Na saída de bola do FC Porto, a equipa de Francesco Farioli apresentou-se em 4+2, com Froholdt a baixar para formar o duplo pivô perante a pressão alta do Benfica.
- Gabri Veiga procurava afastar-se para criar uma situação de 4×4 na última linha, contribuindo também para aumentar a distância entre os setores do Benfica.
- Uma das soluções utilizadas pelo FC Porto passou por colocar André Silva, Pepê e Gabri Veiga mais próximos do corredor esquerdo, procurando abrir espaço entre Lenglet e Dahl.
- A partir daí, o FC Porto procurava explorar os movimentos de rutura de William Gomes, quer para provocar o 1×1 com Dahl, quer para atacar diretamente o espaço.
- Neste mecanismo, Martim Fernandes assumia muitas vezes o passe para o espaço, procurando explorar o espaço entre o extremo e o lateral esquerdo do Benfica.
- Tal como referido anteriormente, o FC Porto procurou sobretudo na parte inicial do jogo a bola longa para o duelo direto entre Dahl e William Gomes, bem como o passe rasteiro a partir da dinâmica entre central e extremo.
- Para desbloquear o 4-4-2 do Benfica em bloco médio, o FC Porto utilizou Martim Fernandes a romper por dentro, incluindo movimentos de profundidade até à última linha.
- Este comportamento não servia apenas para abrir espaço à ligação entre central e extremo, mas também para criar uma solução adicional em profundidade.
- Na meia esquerda, existia alternância entre os movimentos de rutura de Gabri Veiga e Martim Fernandes, procurando explorar o espaço entre o central e o lateral do Benfica.
- Quando Gabri Veiga lateralizava para a esquerda do FC Porto, Martim Fernandes procurava atacar a profundidade. Noutros momentos, era o próprio Gabri Veiga a realizar o movimento de rutura.
- Do lado contrário, Froholdt apresentava maior tendência para atacar a profundidade pela meia direita.
- Com os extremos do Benfica mais interiores na organização defensiva em 4-4-2 e bloco médio, o FC Porto utilizava muitas vezes Alberto Costa a alargar a sua posição, procurando dificultar o salto de Prestianni e evitar que a equipa ficasse demasiado curta e fechada no corredor central.
- O FC Porto utilizou também Gabri Veiga e Froholdt a lateralizar, quer para a direita, quer para a esquerda, procurando sair do bloco e das marcações de João Palhinha e Aursnes.
FC Porto em superioridade numérica
- Após a expulsão de Lenglet, o FC Porto passou a jogar em superioridade numérica, 11×10.
- A partir desse momento, aumentou a utilização de movimentos de rutura, sobretudo através de Hwang In-beom, Froholdt e Martim Fernandes.
- Com Froholdt a esticar a última linha, o FC Porto conseguiu explorar melhor o espaço no corredor central, beneficiando das subidas de Pablo Rosário e do espaço entrelinhas ocupado por Hwang In-beom.
- Na segunda parte, Hwang In-beom apresentou maior 8 liberdade posicional, podendo sair da meia esquerda para procurar soluções no corredor central durante a fase de construção.
- Esta liberdade permitiu ao FC Porto aumentar a presença entrelinhas e criar diferentes linhas de passe no corredor central, sobretudo quando Froholdt mantinha a última linha do Benfica ocupada através do seu posicionamento mais alto.
Rodrigo Lima

