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Rui Borges após o empate sem golos no Dragão: «Soubemos sofrer, bem organizados, coesos»

Rodrigo Lima · 5 min

Rui Borges Sporting
Foto: Diogo Cardoso / Bola na Rede

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Rui Borges marcou presença na sala de imprensa para fazer a análise ao FC Porto x Sporting da meia-final da Taça de Portugal.

Rui Borges analisou, em conferência de imprensa, o embate entre FC Porto e Sporting da segunda mão da meia-final da Taça de Portugal. O encontro terminou com um empate sem golos e o técnico começou por comentar a defesa decisiva de Rui Silva e a forma como os colegas celebraram com o guarda-redes:

«É natural mas não é a única coisa que espelha a amizade deste grupo. Já tivemos azar com lesões. Soubemos sofrer, bem organizados, coesos. Na primeira parte controlamos o jogo com bola e acho que fomos melhores. Rui Silva acabou o jogo com problemas físicos. Tão simples quanto isso. Em relação ao banco, é natural a tensão. São duas grandes equipas a disputar um acesso à final. O público a jogar em sua casa. É natural que exista tensão, que exista esta intensidade vivida de parte a parte. Por isso, acho que são coisas naturais do jogo, desde que não ultrapasse os limites do razoável, digamos».

De seguida, reforçou que os leões jogaram para a vitória e abordou a exigência da reta final da temporada:

«As dificuldades vão ser para todos. Há jogos com equipas que estão a lutar pela sobrevivência. Há outros que estão a lutar pela Europa. Outros que estão a lutar pelo campeonato. Por isso, quanto mais vamos encurtando o campeonato, a exigência de jogos vai ser cada vez mais difícil. Por isso, o preço dos pontos está inflacionado para toda a gente. Com a guerra inflaciona tudo, infelizmente. Por isso, não só para nós, é para todos. Os jogos estão difíceis e vai ser difícil, vai ser difícil. Vai haver momentos que vamos jogar bem, vai haver momentos que não vamos jogar tão bem. Faz parte, estamos numa reta final de campeonato. Há muitos contratempos que vão acontecer, a todos, não só a nós, a todos também. E temos de saber viver com isso e saber lutar contra isso. E dar-se sempre o nosso melhor, da melhor forma. Por isso, é por aí. Não, eu queria ganhar. E a primeira parte foi demonstrativo disso. Agora, é natural que fôssemos que ir, em termos físicos, um bocadinho na segunda parte. Em relação às substituições, ficamos ali um bocadinho presos também, com as duas paragens obrigatórias. O que tivemos que fazer ali não foi obrigatório, mas obrigatório, por razões, infelizmente, do Inácio e do Morten. Só já tinha mais uma paragem para três substituições. Estava o Luís esgotado, estava o Trincão esgotado, estava o Maxi esgotado, estava o Quaresma esgotado. E só podíamos ter três, por isso… Eu falei com o Luis e ele disse que ia até ao fim. E fez, e muito bem. Lutou como ninguém. Também pela equipa e pelo grupo. E fez, deu tudo em campo».

Relativamente ao regresso de Geovany Quenda ao onze inicial cinco meses depois, Rui Borges referiu:

«Sinceramente, acho que até surpreendeu. Teve um nível muito bom, fez um bom jogo, um belíssimo jogo com e sem bola. Era até expectável jogar menos tempo, só que a energia dele ainda estava bastante razoável e boa. E mantivemos mais alguns minutos. Por isso, acho que esteve até acima do expectável, da nossa parte. Em termos estratégicos, era um extremo. O FC Porto pressiona, roda a equipa à direita, era manter às vezes o pela largura, que ele dá mais que o FC Porto. São jogadores diferentes, que é quem tem jogado lá mais vezes. E conseguimos sempre, a maior parte das vezes, desbloquear a pressão por aí. E dá-nos mais velocidade também naquilo que é ataque à profundidade. Independentemente de estar a vir de lesão e também não estar com essa frescura toda, com essa ainda energia toda de provocar muitas vezes a profundidade. É um jogador importante. Foi um jogador importante naquilo que era a forma estratégica, mas muito por aí. Por ter características diferentes, um bocadinho do Pote. Dar-nos mais momentos de largura. Andar até em alguns momentos interiores ao máximo. Foi muito por aí».

O técnico comentou ainda as declarações de Francesco Farioli sobre ‘perdas de tempo’ por parte do Sporting:

«São opiniões, não tenho nada a dizer, apenas e só que uma primeira parte do Sporting com bola, uma segunda parte melhor o FC Porto com bola e um jogo bastante competitivo».

Em resposta ao Bola na Rede, falou sobre a forma como o FC Porto pressionou a saída de bola dos leões:

«É algo expectável, é algo que o Porto faz sempre. Muito sinceramente, acabei de responder isso. Acho que o Porto, 95% dos jogos roda à direita com o Alberto.Hoje, claramente, por a equipa percebia-se que ia rolar à direita porque jogou o Kiwior à lateral esquerda. É um central adaptado. Sabíamos que era o que já nos tinha acontecido noutros jogos contra o FC Porto. E enquanto tivemos essa energia boa, fizemos uma grande primeira parte em termos daquilo que era a qualidade de jogo ofensivo e com as dinâmicas que tínhamos de perspectiva».

Questionado sobre o impacto do resultado na confiança de ambas as equipas, Rui Borges referiu:

«Não sei, não sei responder. Eu falo para a minha equipa.A minha preocupação é só recuperá-los. Porque este mês foi uma coisa fora de normal, não só pela quantidade de jogos, mas sim também pela exigência de jogos seguidos que tivemos, contra os adversários que tivemos, por todas as contingências que nos têm acontecido, de lesões que nós não controlamos, que não têm a ver com o cansaço, com a congestão, não tem nada. São coisas traumáticas, coisas que acontecem no jogo. Tem-nos acontecido bastante nesta época, infelizmente. E é algo que nós não conseguimos gerir. E isso deixa-nos, como é que eu vou dizer? Frustrado, porque poderíamos às vezes em alguns momentos controlar, como fomos controlando um ou outro em termos musculares. Há sempre lesões ao longo da época, é certo. E isso acontece a todos, não só a nós. Mas a grande parte das lesões que tivemos é tudo coisas que não conseguimos controlar. E isso deixa-nos frustrados. E condicionou-nos em alguns momentos. Mas volto a dizer, aquilo que é o espírito da equipa e aquilo que eles têm demonstrado, tem sido fantástico. Eu tenho um orgulho imenso de ser treinador destes jogadores, porque eles merecem esse reconhecimento».

Por fim, reforçou que agora o foco está na visita ao AVS SAD do próximo domingo:

«Eu vou descansar e focar-me no Aves SAD, com todo o respeito pelo Torreense e pelo Fafe. Acho que qualquer uma que ganhe é demonstradora de estar na final. Estarei muito mais focado naquilo que é o meu trabalho, naquilo que é o próximo jogo de campeonato, porque queremos muito vencer e temos tido grandes contrariedades. O FC Porto conseguiu ligar uma outra vez, mas nós condicionamos sempre, ganhámos bolas, não nos deixámos criar qualquer perigo. Na primeira parte tem um lance de perigo aos 47 minutos, e facilitamos numa outra marcação».

Rodrigo Lima

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