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Apagão imperdoável em Alvalade | Sporting 2-2 Tondela

Duarte Rêgo · 3 min

Rui Borges Sporting
Foto: Rui Pereira / Bola na Rede

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O empate do Sporting frente ao Tondela não é apenas um tropeção de calendário num jogo em atraso da 26.ª jornada, é um autêntico descalabro

O que se passou esta quarta-feira em Alvalade é o espelho perfeito de uma equipa à qual tem faltado estaleca mental nos momentos cruciais da temporada. Num embate onde o Sporting estava proibido de escorregar para não perder o comboio do segundo lugar e a luta definitiva pelo título, a turma de Rui Borges conseguiu a proeza de deitar uma vantagem de dois golos ao lixo a partir do minuto 90.

O empate a duas bolas frente ao Tondela não é apenas um tropeção de calendário num jogo em atraso da 26.ª jornada, é um autêntico descalabro tático e anímico que deixa o Benfica isolado na vice-liderança e complica as contas milionárias da Champions League. Faltou maturidade para gerir uma partida que parecia completamente resolvida.

Pedro Gonçalves Sporting x Tondela
Fonte: Rui Pereira / Bola na Rede

A primeira parte foi um manual sobre como não atacar um bloco baixo e congestionado. Gonçalo Feio montou o Tondela num 6-3-1 ultradefensivo, com o claro objetivo de retirar o espaço interior aos leões e anular as incursões de Maxi Araújo e Geny Catamo entre o lateral e o defesa central. Em vez de imprimir velocidade e procurar ruturas, o Sporting foi uma equipa lenta, mastigada e incrivelmente passiva.

Daniel Bragança e Morita sentiram problemas enormes para ditar o ritmo face à falta de mobilidade de Pedro Gonçalves e de um Luis Suárez demasiado estático, limitando-se a trocar a bola de forma inofensiva e a dar confiança a um adversário muito confortável na sua trincheira.

A leitura de Rui Borges demorou um pouco, mas acabou por ser certeira na hora de mexer na equipa perto da hora de jogo. As entradas de Francisco Trincão para ligar o jogo interior e do jovem Salvador Blopa deram aquilo que faltava, imprevisibilidade e acutilância no último terço. O impacto foi imediato e traduziu-se no desbloqueio do marcador quando Salvador Blopa tirou um cruzamento tenso para Luis Suárez assinar o primeiro golo da noite.

O jogo parecia ter virado definitivamente a favor dos leões, estatuto que ganhou ainda mais força quando um remate de Geny Catamo acabou desviado por João Silva para a própria baliza, selando aquele que todos pensavam ser o golo da tranquilidade a dez minutos do fim.

O problema é que, no futebol, gerir uma vantagem não significa desligar a ficha do cérebro, e o que aconteceu nos descontos roça o amadorismo numa equipa que queria revalidar o título de campeão. Tudo começou com uma abordagem irrefletida de Giorgi Kochorashvili na área, a cometer uma grande penalidade perfeitamente escusada.

O guarda-redes Rui Silva ainda vestiu a capa de herói ao defender o castigo máximo cobrado por Makan Aiko, mas a defesa sportinguista adormeceu de forma bizarra logo a seguir. Em dois pontapés de canto consecutivos, o Tondela castigou a apatia verde e branca, primeiro com o infortúnio de Salvador Blopa a desviar para a própria baliza, e logo a seguir com Cícero Alves a cabecear sem oposição na pequena área para gelar o estádio.

Gonçalo Feio Tondela
Fonte: Rui Pereira / Bola na Rede

Este colapso absoluto deita por terra uma vitória que estava na mão e prova que o leão não tem, neste momento, os argumentos anímicos para acompanhar os da frente. O grande destaque individual acaba por ser Cícero Alves, a cartada de mestre de Gonçalo Feio, que saiu do banco para virar o jogo do avesso e ser a figura central do apagão leonino.

Com a perda destes dois pontos ingratos, o Sporting fica com 73 pontos, a dois do rival encarnado, mostrando uma quebra de concentração imperdoável no patamar mais alto. Para o Tondela, é um ponto forjado na resiliência e no aproveitamento cirúrgico dos erros alheios, premiando quem acreditou até ao apito final.

Duarte Rêgo

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