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«Sou mais conhecido em Portugal do que no próprio Brasil» – Entrevista BnR com Edmílson

Romão Rodrigues · 15 min

«Sou mais conhecido em Portugal do que no próprio Brasil» – Entrevista BnR com Edmílson
Foto: Facebook de Edmilson

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Eis a história da superioridade do futebol face à contabilidade: Edmílson Pimenta Gonçalves deu um pontapé nos números e imbuiu-se no futebol. A adaptação a Portugal, para si, foi como solucionar uma equação de primeiro grau. A chegada a França, a princípio, constitui um problema para o qual não tinha resposta, mas, volvidos alguns meses, descortinou a operação aritmética, embora hoje o tivesse resolvido de forma diferente. No FC Porto, observou e contribuiu eficazmente para a geometria do Penta. No Sporting, as contas certas só foram escritas uma vez. E, no Portimonense, os números esconderam-se durante cinco longos meses. Fica – quer neste registo, quer no seu espírito – o desejo de ser o responsável matemático pela sua popularidade no país natal.

– Primeiros passos e primórdios em Portugal –

Bola na Rede [BnR]: Quando é que começaste a jogar futebol?

Edmílson [E]: A paixão pelo futebol cresceu comigo, é praticamente inerente. Comecei a jogar desde muito cedo e sempre tive de conciliar o futebol com o trabalho. Mas, chegou um momento em que tive de optar e fazer a escolha entre a contabilidade e o jogar futebol e eu escolhi a jogar futebol.

BnR: Assinaste o primeiro contrato profissional em 1991, com 19/20 anos. Nessa altura, como me disseste agora mesmo, estavas indeciso entre as duas atividades.

E: Sim, sim. Eu sou técnico de contabilidade e já trabalhava num escritório no ramo. O meu patrão só verificava e assinava. Então, eu tive que optar. Gostava muito de contabilidade, mas gostava mais de futebol. Surgiu a oportunidade do clube da minha cidade e eu assinei, a contragosto dos meus pais. Eles não queriam que eu assinasse, queriam que eu me dedicasse à contabilidade. Decidi jogar e resolvi acertadamente.

BnR: Na altura, eras muito jovem. Sentiste que podias ter sucesso?

E: Sinceramente, não tinha essa noção, não senti que podia chegar ao futebol de alto nível. Eu só gostava de jogar futebol, de estar em contacto com a bola, em marcar golos e de fazer bons jogos. Era uma emoção muito grande para mim. Mas não tinha aquela noção de que podia singrar.

BnR: Chegaste a Portugal em 1993 para vestir as cores do Nacional da Madeira. Por que razão a escolha recaiu sobre Portugal? Por que não escolher o Brasil ou outro país qualquer, dependendo das propostas?

E: Boa pergunta, boa pergunta. Quando eu jogava no Colatina, fui para Minas Gerais, no Democrático e Valadares, eu fiz uma excelente temporada no campeonato. De lá, saíam muitos jogadores para Portugal e para todo o Brasil. O Cruzeiro estava interessado, o Atlético de Mineiro também e surgiu a hipótese do Nacional. O jogador brasileiro tem sempre presente aquela ambição de jogar na Europa e, como surgiu aquela alternativa, eu tinha de escolher e optei pelo Nacional da Madeira.

BnR: Chegado ao Nacional, clube da divisão de Honra à data, conta-nos sobre a tua adaptação às tradições e à cultura portuguesa. Pergunto isto porque a primeira época não foi fácil, quatro golos em 30 jogos…

E: Considero uma boa adaptação. O clima da ilha da Madeira é parecido com o do Brasil e a comida é excelente. Foi muito fácil adaptar-me. A receção da equipa foi fantástica. Praticamente chegado, tive uma lesão no joelho. Rompi os ligamentos do joelho. Estive dois ou três meses parado. Isso condicionou-me um pouco, a mim e à minha forma de contribuir: golos.

Fonte: Facebook de Edmilson

BnR: Na época seguinte, 1994/1995, dás o salto para a divisão primodivisionária e ingressas ao serviço do SC Salgueiros. Lá, marcas 15 golos em 35 jogos e realizas uma época muito boa a nível individual, sob a orientação do técnico Mário Reis. O treinador teve um papel preponderante na tua eficácia?

E: Sim, com certeza. O Mário ajudou-me bastante. Foi no Salgueiros que aprendi a jogar de olhos postos no ataque, a finalizar de forma eficaz. Treinávamos muito a finalização. E, apesar de não ter muita liberdade no ataque, eu aprendi a jogar mais atrás e a ter em mente o assistir, o dar aos colegas. Mário Reis foi um dos grandes treinadores que me ajudaram muita na trajetória em Portugal e na Europa.

– FC Porto: a confirmação da afirmação –

BnR: Depois da temporada brilhante em Vidal Pinheiro, chega a verdadeira coroação: o FC Porto. Em 2017, numa entrevista dada ao DN, admitiste que o Vitória de Guimarães também estava na corrida. Sentiste que estavas pronto para vestir a camisola azul e branca?

E: Fiz a opção certa. Tinha sido o melhor marcador do Salgueiros e o terceiro melhor marcador do campeonato. Fiquei atrás do Hassan (ex-Farense) e do Marcelo (ex-Tirsense). É normal que os clubes demonstrassem interesse por mim. Em Guimarães, conversei com o Pimenta Machado, mas acabei por optar pelo FC Porto porque é uma equipa na qual qualquer jogador quer jogar. Surgiu, não olhei para trás e aceitei as condições que me deram.

BnR: No FC Porto, quem foram as primeiras pessoas dispostas a ajudar-te? Os teus mentores? Que pessoas guardas com carinho?

E: Ainda eu estava no Salgueiros e já tinha um convívio enorme com o Émerson, o Aloísio e o Zé Carlos, jogadores do clube, à data. A gente andava sempre junta, fazíamos muitos churrascos em minha casa ou na casa deles, já tínhamos uma conexão enorme. Cheguei ao FC Porto, eles receberam-me de braços abertos, assim como todo o plantel. Sem exceções. Fui bastante acarinhado.

BnR: Duas épocas nas Antas, dois campeonatos. 30 golos e um enorme contributo no bicampeonato e tricampeonato. Tenho uma pergunta difícil para fazer, Edmílson. Gostaste mais de assistir o Jardel ou o Domingos? Ambos excecionais, na minha ótica…

E: (risos). É difícil fazer uma comparação. São duas lendas do clube, dois jogadores fenomenais. Dois craques, dois goleadores. No primeiro ano, assisti o Domingos que fez a melhor época da sua carreira profissional. Na segunda, o Jardel chegou e é o que a história guarda. Garanto, somente, que são dois jogadores que qualquer clube gostava de ter nos seus quadros.

Fonte: Facebook de Edmilson

BnR: Durante os dois anos, foste treinado por dois técnicos distintos: António Oliveira e Bobby Robson. Com qual dos modelos táticos melhor te identificaste?

E: Gostei de jogar sob o comando dos dois. Ambos apostaram muito em mim. O Bobby Robson foi buscar-me ao SC Salgueiros e apostou verdadeiramente em mim. Ajudou-me bastante, deu-me muita confiança e motivação para continuar a marcar golos. Dispunha a equipa e um dos propósitos era esse. Ajudava muito defensivamente o Secretário, o (Sérgio) Conceição e o João Pinto. Eles foram parte da chave do meu sucesso. E, com o (António) Oliveira também não foi diferente: nos primeiros jogos do ano do tri, o Oliveira mudava a equipa algumas vezes e foi dos únicos (senão o único) a não ser substituído, tanto na UEFA Champions League como no Campeonato. Foram duas épocas maravilhosas com dois grandes treinadores.

BnR: Em 1996/1997, segunda época, o FC Porto é campeão. Mas, na minha análise, ocorrem dois acontecimentos para mais tarde recordar: a vitória por 0-5 na Luz, para a Supertaça Cândido de Oliveira, e a vitória em Milão (2-3). Qual deles guardas com maior nostalgia?

E: Sem dúvida, são dois momentos que ficam na retina. Realmente, a vitória na Luz, por 0-5, foi incrível. Marquei o segundo golo. Tudo correu perfeitamente naquele jogo. Inclusive, como já falei noutras entrevistas, os próprios adeptos do SL Benfica aplaudiram-nos durante após o jogo. Nunca tinha visto tal coisa. Um momento muito especial. Além disto, a vitória em Milão, a contar para a Champions League: toda a equipa fez um jogo irrepreensível, uma vitória que fica para a História. Nesse ano, chegamos aos oitavos de final da competição.

BnR: Nesse jogo, o Jorge Costa aponta o terceiro golo após um canto, sendo o único jogador portista na área defensiva das águias. Como é que explicas isso?

E: Entramos para a segunda parte. Fomos para o intervalo com 0-2. A equipa estava tranquila. O Zahovic bateu o canto e o Jorge Costa apareceu com toda a sua força e esperteza. Cabeceou bem, colocou bem a bola. Era muito eficiente nesses lances. Aí, tivemos a certeza de que o jogo estava ganho.

BnR: Para finalizar o capítulo do FC Porto, uma última questão. Jogaste com Sérgio Conceição, conhecias-o bem. Imaginaste, algum dia, que ele pudesse comandar o clube?

E: Pelo jeito de ser do Sérgio, pela força, por aquela sua garra característica, eu sabia que estava ali algo a despontar. Estava consciente de que, mais tarde ou mais cedo, aquele jogador ia ser treinador. Podia não chegar a um grande clube, mas sabia que ia conseguir ser treinador. O Sérgio odiava perder e, quando empatava, era um verdadeiro problema. Tinha uma cara fechada. Nos jogos – e mesmo nos treinos – discutíamos algumas vezes, mas era pelo bem do grupo. Todos sabíamos que era a sua forma de ser.

Fonte: Facebook de Edmilson

BnR: Tiveste alguma desavença com ele?

E: Com ele e com outros jogadores! Era normal. Os treinos nas Antas eram muito aguerridos, muito duros, com embates muito fortes. Havia muitas brigas: Émerson e Jorge Costa, Paulinho Santos e Émerson, entre mim e o Aloísio (risos) ainda tivemos algumas discussões. Eu e o Sérgio pertencíamos ao mesmo corredor e, quando um estava menos bem numa determinada jogada, o outro chamava a atenção. Era assim que funcionava.

– A estagnação e o relançamento da carreira –

BnR: Depois de quatro épocas em Portugal, é tempo de voar para o estrangeiro. Rumaste ao Paris SG. O que faltou para singrar em França? Voltavas a escolher o Paris SG? Alguma divergência eterna te fez abandonar o clube?

E: Em primeiro lugar, queria dizer que voltava a assinar pelo PSG, apesar de na altura ter tido outras opções: nomeadamente, Milan e Deportivo da Corunha. Optei pelo PSG. O FC Porto fez um encaixe financeiro muito bom, o meu contrato foi melhorado e, como eu já tinha ganho dois campeonatos e uma Supertaça, pretendia outros voos e conhecer outras culturas. Não deu certo e a culpa foi só minha. O único erro que aponto à minha carreira foi não ter ficado no PSG. Tinha um contrato de três anos e resolvi voltar a Portugal precocemente, cumprindo apenas seis meses do mesmo. Hoje, as coisas procediam-se de outra forma. O Ricardo Gomes (ex-Benfica), à data treinador do PSG, e o Raí (ex-PSG) convenceram-me a ficar e disseram-me que a adaptação ao clube também tinha sido difícil para eles. Naquela altura, a minha cabeça não era o que é hoje…

BnR: Surge o Sporting CP. Como é que tudo se procedeu? A decisão foi facilitada ou dificultada por algum fator?

E: Na altura, o Flamengo estava na corrida também assim como outros clubes da Europa. O fator que influenciou teve caráter duplo: por um lado, Carlos Manuel, treinador à altura e, por outro, Manuel Pedrosa, diretor. Convenceram-me a voltar a Portugal, a voltar a jogar e a fazer golos. Mantínhamos, os três, uma amizade especial e, por essa razão, voltei.

Fonte: Facebook de Edmilson

BnR: Fazendo um pequeno flashback: em 1996/1997, sentenciaste um clássico em Alvalade ao serviço do FC Porto (0-1); na temporada seguinte, com as cores do Sporting CP, marcaste o segundo golo da vitória leonina sobre os dragões. Como é que te sentiste ao marcar a dois clubes que representaste e pelos quais sentias carinho?

E: (risos) Realmente, é complicado, é complicado. Tenho uma relação bastante forte com o FC Porto. Gosto da cidade, dos adeptos. Mas, eu era profissional. O Sporting CP investiu em mim, um valor substancial e, como tal, só me competia dar o máximo pelo clube e respeitar a camisola, suá-la. O Sporting pagava o meu salário e só me restava honrar esse esforço. Comemorei da mesma forma, com a mesma alegria cada golo. Foi a mesma sensação.

BnR: Em 1998/1999, Mirko Jozic chegou a Alvalade. Foi o treinador, durante o teu percurso lá, que apostou mais vezes em ti. Adaptaste-te melhor ao seu estilo de jogo?

E: Sim, o Mirko chegou e apostou prontamente em mim. Eu também me adaptei bem ao seu estilo de jogo. Tinha uma certa liberdade para criar, para vir atrás buscar jogo, mas a minha função era marcar. Nesse ano, lesionei-me e a época acabou mais cedo…

BnR: 1999/2000. Sporting CP campeão. Contribuiste para o fim do jejum leonino. Foi o título mais especial?

E: Bem, digamos que sim. Foi especial pelo tempo de espera. O Sporting não era campeão há 18 anos e, ver uma massa adepta como a do clube, verdadeiramente apaixonada, sempre presente nos treinos, foi muito gratificante. Ficar 18/19 anos sem ser campeão, num clube como o Sporting CP não pode acontecer. Os dirigentes têm de encontrar solução. O Sporting CP é um clube grande também lá fora e não pode deixar os sócios tanto tempo sem festejarem. Foi especial, principalmente, pelos adeptos.

Fonte: Facebook de Edmilson

BnR: Em 2001, abandonas o clube de Alvalade. Vontade própria ou decisão superior?

E: Ambas as partes. Tive alguns problemas pessoais. Profissionalmente, tinha negócios no Porto e jogava no Sporting CP. Foi impossível ajustar as duas formas de vida. Além disso, queria jogar no campeonato brasileiro e voltar ao Brasil. Chegámos a acordo e rescindimos passado três anos e meio no clube.

– Os últimos voos e a aterragem –

BnR: Brasil, 2001. Assinas contrato com o Palmeiras. Foi o cumprir de um sonho e desejo pessoal?

E: Sim, o Palmeiras é uma excelente equipa. Nada melhor que o Palmeiras para tentar ser campeão brasileiro. Mas não foi fácil. O treinador não me conhecia e não apostou em mim. Quem me contratou foi o presidente, não foi ele. Nem sabia que eu tinha sido contratado. Fiz apenas um golo no Palmeiras, meia dúzia de jogos e saí.

BnR: Nesse momento da tua carreira, sentiste alguma culpa ou remorso por não teres singrado?

E: Gostaria de ter jogado e senti que tinha condições para tal. Vi vários jogadores que estiveram em Portugal e que, mais tarde, ingressaram no Palmeiras. Eu senti que também estava apto. Mas, infelizmente, o treinador não contava comigo e não deu certo. Futebol é isso mesmo também. Curiosamente, atualmente sou mais conhecido em Portugal e na Europa do que no próprio Brasil: cá, sou mesmo um desconhecido.

Fonte: Facebook de Edmilson

BnR: Regressou a Portugal em 2003/2004, para equipar com as cores do Portimonense SC. Contudo, até esse momento, ponderou terminar a carreira?

E: Sim. Sempre tive um acordo comigo mesmo de modo a terminar a carreira com por volta dos 30 ou 31 anos. Quando eu saí do Palmeiras, tive uma proposta para a China: fui à China e já estava contratado; mas, mal chego, impuseram-me a realização de testes. Não aceitei. Perdi muito dinheiro. Fiquei uns tempos no Brasil a jogar na minha cidade. Regressei a Portugal. Tinha lá a minha esposa e as minhas filhas – que ainda hoje vivem lá – e, nesse momento, resolvi que era momento de parar. O Dito era treinador do Portimonense e contratou-me com o objetivo de fazer subir o clube.

BnR: Encontraste estabilidade em Portimão?

E: Infelizmente, o clube estava com problemas financeiros, não estava muito bem. Aquilo estava muito conturbado. Não sou muito de falar sobre este tipo de coisas, mas cheguei a ter cinco meses de salários em atraso. Acabei por regressar ao Brasil antes do fim dessa época. Contudo, apesar disso, senti-me bem em Portimão: tinha uma praia fantástica, era uma cidade lindíssima, as pessoas do clube trataram-me muito bem (dos jogadores aos dirigentes, passando pelo staff). De facto, existiam poucas possibilidades de manter o meu trabalho lá. Além disso, tinha os meus negócios no Brasil, o meu clube, os meus imóveis…

BnR: Segue-se a Noruega e a Bélgica. O que te levou a tomar tais decisões?

E: Foi sempre através dos meus amigos. Tinha um amigo na Noruega que possuía boas relações com o Lyn – clube que representei – e assinei um contrato de uma época. Foi uma experiência. Gostei bastante, pena o frio (risos). Na Bélgica, um amigo empresário levou-me ao RCS Visé e convenceu-me de que era um projeto interessante e apelativo. Trabalhamos juntos como empresários também. Mas, comecei a sentir que não queria mais jogar, já estava um bocadinho farto (risos)…

– A outra carreira no futebol e a posição política –

BnR: Retirado do futebol, em 2018, tiveste uma proposta do clube da Nazaré (Os Nazarenos) para ocupar o cargo de coordenador de futebol. Que razões te levaram a aceitar?

E: Esse mesmo amigo que me levou para a Bélgica, o Laécio Silva, estava em contacto com um empresário a mando dos Nazarenos. Eles precisavam de um diretor desportivo com o objetivo de dar uma maior visibilidade ao clube. Ligou-me, perguntou se eu estava disposto a ir à Nazaré – cidade de praia muito bonita – e tentou persuadir-me. Felizmente, o contrato não se consumou, não por culpa dos Nazarenos, mas sim do empresário (tinha problemas com contratos de jogadores). Não cheguei a assinar e ainda bem. Graças a Deus!

BnR: Depois de terminar a carreira de futebolista, pensaste, algum dia, em exercer outras funções no mundo do futebol ou pensou trabalhar fora dele?

E: É sempre bom você parar o futebol, mas estar ligado ao futebol. Tenho um clube aqui na minha cidade, no Brasil, é um clube pequeno. É profissional e serve para procurar novos talentos e colocá-los nos diferentes mercados. Eu gosto disto, gosto de estar debruçado sobre este mundo.

BnR: Muitos talentos encontrados?

E: Nós somos um clube formador e apostamos nas camadas jovens, desde os onze anos até à altura de se tornarem seniores. Estamos sempre à demanda de novos talentos, de forma a colocá-los no exterior. O Brasil terá sempre muitos craques porque é um país enorme. A maioria dos miúdos quer pertencer ao futebol, quer jogar. É lógico que não existe lugar nem vaga para toda a gente, mas nós estamos muito atentos ao que acontece. Descobrir, trabalhar e encaixar. O nosso lema é esse!

BnR: Vivemos tempos difíceis e o Brasil não é exceção. O que esperas do futebol pós-pandemia?

E: No Brasil, tudo está muito difícil e com uma certa poeira. Tenho a plena certeza de que muitos clubes irão falir. Mas, em primeiro lugar, vem a saúde das pessoas. O vírus veio para ficar. O cuidado deve ser redobrado em todos os movimentos. Aqui, os clubes só vão voltar a jogar quando os órgãos de saúde assim o decidirem. O meu clube está parado desde março: despedimos todos os jogadores e limitamo-nos a aguardar a resposta da nossa federação.

BnR: Muitas saudades de gritar golo e de insultar o árbitro?

E: (risos) Insultar o árbitro só às vezes (risos). Mas, claro, com certeza. Mesmo como diretor, sinto saudades de gritar golo. É um momento único no futebol. Quer o facto de o marcar, quer o facto de vibrar com o momento. Todos os adeptos e jogadores do mundo estão com saudades do regresso. Porém, necessitamos de muita cautela e de cumprir cada medida de prevenção à risca para que não se verifiquem problemas…

BnR: Para finalizar, proponho uma entrada no campo da suposição. Imagina a seguinte situação: combinavas uma “peladinha” com amigos e, chegando ao ringue, Jair Bolsonaro encontrava-se lá e propunha um jogo. Qual era a probabilidade de o Edmílson ser expulso, sendo que jogavas na equipa adversária de Bolsonaro?

E: (risos) não, não nada disso. Até porque eu sou apoiante de Jair Bolsonaro. Ele está a ser um grande presidente, ao contrário do que os media afirmam. A maioria da população brasileira votou e vota no Bolsonaro. Foi eleito com mais de 60 milhões de votos. O povo está com ele, a imprensa contra ele. Os poderes legislativos e judiciais estão contra ele, mas o povo está com ele. Ele tem também o meu apoio.

Romão Rodrigues

Redação Bola na Rede · ver artigos