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Ricardo Nuno Queirós Nascimento (Rixa para a família e amigos) diz muito a quem, no final da década de 90 e no início dos anos 2000, acompanhava, com atenção, futebol em Portugal.
Não se escondia do jogo, batia com a mão no peito para receber a bola e colocá-la redondinha nos seus companheiros, com passes curtos ou em profundidade.
Era um maestro, um nº10 como quase não existe hoje em dia com toda a qualidade técnica que é inerente a um jogador nesta posição, ainda que não fugisse do estilo de brigão, destemido no confronto físico.
Vimo-lo jogar assim, por cá, entre 1996 e 2000 e entre 2001 e 2005, ano em que rumou à Coreia do Sul, onde, ao serviço do FC Seoul foi tido como ídolo de um dos melhores clubes do país (e actual campeão nacional), antes de voltar a Portugal para representar Trofense e Aves. Depois de quatro anos sem jogar, fez uma perninha no Candal ao mesmo tempo que era diretor téncnico do clube.
Estivemos à conversa com um dos talentos não revelados (pelos grandes) do futebol português.
Os primeiros toques
Formado no Leixões SC, Ricardo Nascimento cedo revelou um talento que fez crescer o interesse de alguns clubes. Entre eles, o Boavista. O Boavistão dos anos 90. Foi contratado em 1994/95, cedido ao Aves na época seguinte, antes de regressar e ter a oportunidade de disputar o seu primeiro jogo europeu.
Contra o Inter, vencedor da prova, o Boavista perdeu, mas Ricardo deixou uma marca no jogo, e o jogo uma marca nele – «Foi uma sensação maravilhosa poder jogar contra as melhores equipas do mundo na altura! Ainda por cima as coisas saíram-me bem».
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Depois de feita uma época, onde aprendeu e conviveu com nomes como os de Nuno Gomes – «a par do Ion Timofte, foi o jogador mais inteligente com quem joguei» – , Pedro Emanuel, Isaías – «centralão! paz à sua alma» -, Erwin Sanchez ou Jimmy Hasselbaink – «enorme jogador!», Ricardo foi cedido ao Varzim, onde jogou com regularidade na Primeira Divisão – «foi a tal da afirmação, num clube muito especial».
A afirmação na Primeira Liga e aventura em França
As boas exibições ao serviço do Varzim não evitaram a descida divisão do clube poveiro. Ricardo não ficou e regressou a um lugar onde sempre foi feliz – «Aves, o meu Aves!». Ao serviço do clube da Vila das Aves, “Rixa” voltou a fazer uma boa época, encantou, e contribuiu com 7 golos para a subida à primeira divisão, tudo graças à união do grupo que integrava – «éramos uma grande família».
Esta subida valeu um bilhete para Barcelos. Ao serviço do Gil Vicente, na época 1999/00, e juntamente com nomes comos os de Petit, Carlitos ou Guga, voltou a ter sucesso e contribuiu para uma época histórica do clube – 5º lugar na I Liga, à frente do Benfica e oitavos-de-final da Taça de Portugal. Uma temporada de sucesso que teve base em «Presidente e Treinador especial» e numa equipa de «enormes jogadores, em que todos eram muito amigos».

Fonte: Gil Vicente
Seguiu-se uma aventura no estrangeiro, em 2000/01, ao serviço do Montepellier, mas as coisas não correram de feição – «era um futebol muito difícil para mim, não me adaptei». Porém, não guarda ressentimentos – «tenho alguns amigos de lá, e fiquei contente com o título do clube [2011/12]»
Do Vila do Conde para Seoul
Depois dessa primeira experiência fora de Portugal, Ricardo regressou a um sítio onde fora feliz- o Gil – porém, não voltou a ser – «a segunda passagem não foi a melhor, mas ainda jogavam lá craques de 1999/00» – e rumou ao SC Braga, onde passou «6 meses muito bons». Porém, não passaram desses mesmos 6 meses e regressou à II Liga, onde representou Salgueiros e Maia até regressar ao Rio Ave, em 2004/05.
Em Vila do Conde, já com 30 anos, teve um dos melhores anos da sua carreira, ajudado por um contexto – «tínhamos jogadores enorme recorte técnico e adeptos que ajudavam, e muito o clube. Pessoas do melhor. Devo muito ao Rio Ave» – que lhe permitiu mostrar todo o perfume do seu futebol – «tive um treinador [Carlos Brito] que me deixou jogar os 90 minutos … e aconteceram coisas!» –, fazendo crescer o interesse de vários clubes no seu ingresso. Foi para a Coreia do Sul.

Fonte: Pinterest
Rumou a um histórico do futebol sul-coreano (Seoul FC, que participa regularmente na Champions asiática), onde foi tratado como um herói pelos registos que foi apresentado, especialmente, no ano 2006, onde chegou a cumprir 40 jogos. Lá encontrou «Estádio, adeptos e cidade top» e «pessoas com uma educação acima da média».
O final de uma carreira da qual se orgulha
Regressou a Portugal em 2007, já com 33 anos. Mas ainda foi a tempo de atingir glória individual e colectiva, ajudando o Trofense a sagrar-se campeão da II Liga – «fizemos história e colocamos a cidade toda do nosso lado, foi inesquecível ». Permaneceu na Trofa, jogou na Primeira, mas uma mudança de treinador precipitou algo de que não guarda as melhores memórias – «estávamos bem, mas mudaram o Treinador e aí vi como as pessoas se “vendem”. Deram cabo de um clube que era muito especial, fiquei com uma mágoa enorme [por ter saído] mas a decisão, como deves calcular, não foi minha».

Fonte: Notícias da Trofa
Regressou, novamente, ao um sítio onde fora feliz. Ao CD Aves – «já não era o meu Aves embora só tenha a dizer coisas boas. Sempre! Aves Sempre!», onde viria a colocar um ponto final na carreira no ano de 2010… ou umas reticências, já que voltaria a pisar os relvados na época 2014/15 ao serviço do Candal – «fui jogar a pedido especial de um grande amigo meu, que era o Presidente na altura. É um clube top».
O ponto final definitivo na carreira de um dos prodígios do futebol português foi, pois, colocado em Gaia. Hoje, olha para trás e não se arrepende de nada. Aliás, questionado sobre onde jogaria o melhor Ricardo Nascimento hoje em dia, ele responde desta foram: «nem me atrevo a dizer mas quando vou ver algum jogo ao vivo tenho sempre o feedback de adeptos que ainda me reconhecem apesar de ter o cabelo curto [risos], e dizem “tu jogavas fácil em qualquer equipa, devias voltar a jogar, já não existem jogadores como tu”». Um reconhecimento que «representa o mundo» para ‘Rixa’ e que o faz ter «muito orgulho naquilo que fui».
Foto de Capa: Seoul FC













