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«É preciso revolucionar o Atletismo, apostar em jovens» – Entrevista BnR com Mariana Machado

– O curso de Medicina, ano de Jogos Olímpicos e as possibilidades em aberto no futuro no Desporto Profissional –

«Se não for aos Jogos, o Campeonato da Europa será o meu grande objetivo para a época».

BnR: Neste momento, estás a frequentar o curso de Medicina na Universidade do Minho. Como é que tens encarado o desafio de conciliar os estudos com o Atletismo?

Mariana Machado: É muito complicado. Muitas vezes, as pessoas pensam que o maior problema é conciliar os estudos com os treinos. Mas, para mim, é mais difícil conciliar os estudos com a minha recuperação pós-treino. Porque nós precisamos de descansar muito bem, fazer massagens, fisioterapia, reforço muscular… E isso aí é tudo à parte dos treinos. Devemos levar, pelo menos, duas massagens por semana, e eu apenas levo uma. Eu consigo fazer o curso, estudar e vir treinar, mas fazer o reforço muscular, fisioterapia, dormir nove horas… É meramente impossível conciliar tudo isto, ainda com um curso que é o de Medicina. No primeiro ano, fiz tudo como uma pessoa normal, e alcancei os resultados que alcancei, e tenho noção que há muitas coisas que ainda posso melhorar. Até este ano, também fiz tudo direitinho, e este ano é ano de Jogos [Olímpicos] e sei que devia estar a apostar um pouco mais. A verdade é que, há algo que não me deixa só viver do Atletismo, eu preciso de viver de mais alguma coisa. Mas, agora, no segundo semestre, tenho deixado um pouco de lado a universidade e tenho-me concentrado nas pequenas coisas que falhava, para ver o quê que este ano me vai trazer. E são estes pormenores que me podem levar mais longe, e eu espero que sim.

BnR: Qual é, para ti, a importância de ter um back-up em relação a uma profissão? Quero dizer, qual é a importância de ter uma garantia de emprego, caso as coisas não corram bem no Desporto Profissional?

Mariana Machado: Eu sou a pessoa mais apologista disso. Eu não consegui deixar a universidade, porque eu tenho a completa noção de que o Desporto não dura para sempre. Por exemplo, até aos 40 anos, conseguimos estar a bom nível, se tudo correr bem. Mas, a partir daí, torna-se impossível conciliar uma carreira de alto rendimento. Eu, como tenho a perfeita noção disso, nunca quis pôr de lado os meus estudos. Entrei em Medicina, e podia ter entrado com o estatuto de alto rendimento, mas não, sempre me esforcei ao máximo para não estar lá por outros aspetos a não ser o meu esforço e, isso, só me deixa orgulhosa. Quanto ao meu percurso académico, o Atletismo não dura para toda a vida, e por isso é que eu me foco bastante nos estudos e não consigo deixar. Se eu tiver uma lesão, tenho de ter algo para me agarrar, e tenho sempre um plano B. E é muito importante sentir que nós não vivemos só do Desporto.

BnR: Estamos em 2020, ano de Jogos Olímpicos em Tóquio, e o sonho dos Jogos Olímpicos parece estar a aproximar-se cada vez mais para ti. Acaba por ser uma das tuas maiores motivações, enquanto atleta?

Mariana Machado: Sim. Sinceramente, acho que ainda sou muito nova para participar nos Jogos Olímpicos. Se eu alguma vez conseguisse participar nos Jogos de Tóquio, era um sonho absurdo, porque eu nunca pensei, quando entrei na modalidade, com 19 anos, estar presente nos Jogos. A verdade é que, só o facto de pensar que, se não for a estes, terei que esperar mais quatro anos, também me deixa um «bichinho na barriga». Por isso, eu, ambiciosa como sou, este ano, vou dar um pouco mais de mim para ver o que consigo alcançar. Se não for os Jogos Olímpicos, também o meu primeiro Campeonato da Europa como Sénior vai ser possível, até porque acho que já tenho mínimos. Por isso, se não for aos Jogos, o Campeonato da Europa será o meu grande objetivo para a época. Claro que os Jogos é a maior competição que um atleta pode ambicionar. Mas, se não conseguir, não será o fim do mundo, até porque 2024 é, sem dúvida, um objetivo que considero mais realista, porque, com 24 anos, já vou estar mais madura, e terei mais margem de progressão até lá e posso estar mais confiante.

Mariana Machado em ação, no Campeonato Europeu de Pista, em Boras, na Suécia
Fonte: SC Braga Atletismo

BnR: És oriunda de Braga, e o SC Braga, bem como a cidade, acaba por ser uma das tuas maiores paixões. Num futuro próximo, já pensaste na possibilidade de vir a representar outro clube?

Mariana Machado: A verdade é que, há dois anos, quando assinei pelo SC Braga, tive propostas de outros clubes. Mas achava que ainda era muito nova para mudar para um clube como o SL Benfica, ou como o Sporting CP. E, apesar de algumas vantagens que eles me ofereciam, eu optei por ficar no SC Braga por amor à camisola, e não me sentia preparada para representar um clube que lida com muitas mais pressões do que o SC Braga. Com o SC Braga, sinto-me em casa, e não sinto essa pressão de obter grandes resultados. As coisas saem-me naturalmente, porque estou naturalmente no clube que gosto, e, isso, é sempre especial. Se há a possibilidade de mudar de clube? Há sempre a possibilidade, e eu espero que isso não aconteça. Espero que o SC Braga retribua o trabalho que eu estou a fazer, e a persistência com que encaro todos os treinos e provas para representar o clube, e que retribua da mesma forma que eu decidi e escolhi ficar no clube que me sinto bem, não só por isso, mas também porque seria uma vantagem para eles, em ter uma atleta que se formou no SC Braga. Por isso, da mesma forma que escolhi ficar no SC Braga há uns anos atrás, espero que quando receber propostas de outros clubes que sejam «superiores», que eles [SC Braga] se lembrem dessa decisão que tomei, por amor à camisola.

Desde o início da sua carreira que Mariana Machado tem representado o SC Braga
Fonte: SC Braga Atletismo

BnR: Já alguma vez te ocorreu a possibilidade de sair do país, e, posteriormente, representar um clube, no estrangeiro?

Mariana Machado: Já tive muitas propostas para os EUA, e continuam a surgir imensas. É uma possibilidade, acho que é uma experiência que gostava de ter, mas, por outro lado, é algo que penso que não iria lidar muito bem. Tenho um carinho muito especial, quer pela minha família, quer pelo meu grupo de treino, e, se as coisas estão a correr tão bem agora, porquê mudar? Foi uma decisão que ponderei muito, durante muito tempo, mas acabei por rejeitar todas. Penso que, futuramente, seria uma experiência que gostava de ter, mas, para já, não.

Natural de Monção, a Angelina é Licenciada em Relações Internacionais e, atualmente, estudante do Mestrado em Economia Social pela Universidade do Minho. Vê o desporto como um dos bons lados da vida, que forma uma boa parceria com a escrita e o jornalismo. O seu interesse pelo desporto surgiu cedo, tendo como principal área de interesse o Futebol, o Ténis e a Fórmula 1.

Natural de Monção, a Angelina é Licenciada em Relações Internacionais e, atualmente, estudante do Mestrado em Economia Social pela Universidade do Minho. Vê o desporto como um dos bons lados da vida, que forma uma boa parceria com a escrita e o jornalismo. O seu interesse pelo desporto surgiu cedo, tendo como principal área de interesse o Futebol, o Ténis e a Fórmula 1.

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