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Nos últimos anos, tem-se assistido, no futebol português, a uma bipolarização. A maioria dos clubes centra-se ou no Norte ou no Centro, com o sul do país a não ter grande representação na primeira liga portuguesa. O último clube do sul a participar na liga, foi a Olhanense em 2013/2014. Em Portimão, os responsáveis do Portimonense tentam remar contra a maré e chegar à primeira divisão nacional. O Bola na Rede foi assim, conversar com um dos responsáveis pela subida de rendimento do Portimonense: José Augusto, treinador do clube na temporada passada e atual diretor desportivo dos alvinegros.
Bola na RedeJosé, como começou o bichinho pelo futebol?
José Augusto: O bichinho começou desde muito novo, lembro-me de varias vezes ficar de castigo, pela minha Mãe e pela minha professora primaria, por causa do futebol. Esperei até aos 10 anos de Idade (na altura não havia escolas de futebol antes dos 10 anos) para entrar no Portimonense com infantil. Fazendo no portimonense toda a minha formação. Por motivos pessoais abandonei, que optar pelos estudos e por trabalhar.
BnR: Recordo que está há mais de dez anos no Portimonense. Sendo que desempenhou várias funções.Porque razão deixou de ser treinador do clube?
JA: Cheguei ao Portimonense como treinador em 2003/2004 como adjunto da equipa de juniores. Passei por varias etapas e varias funções. Após ter sentido que a época passada seria o final de um ciclo no Portimonense, o Investidor do clube não o permitiu e propôs um novo cargo no SAD do clube, ao qual depois de uma profunda reflexão eu aceitei. Neste momento exerço a função de Diretor Geral para o futebol.
BnR: Ficou com alguma mágoa por ter deixado o cargo de treinador?
JA: Não fiquei nem tenho nenhuma mágoa, pois o Portimonense é e será sempre o meu clube do Coração. Apenas sei que irei regressar ao treino e a competição , pois é essa área que gosto e a qual investi nos muitos anos.
BnR: O ano passado, o Portimonense, esteve muito próxima da subida, mas no final, acabou por não conseguir. O que faltou?
JA: No início do projecto o grande objetivo era a permanência e deixar o Portimonense com a melhor classificação possível, a verdade é que superamos todas as expectativas. Falhamos por 2 pontos pois objectivo inicial traçado por mim era os 80 pontos. Houve outros fatores nos quais fugiram ao meu controlo, a meu afastamento do banco por 55 dias, o desempenho de terceiros ao qual não poderia controlar e que nos custaram alguns pontos. Ainda outras situações algo estranhas que se passaram nas ultimas jornadas do campeonato.

Fonte: Ana Borralho
BnR: Considera que aquela vitória frente ao Sporting, para a Taça da Liga, foi um dos momentos mais altos da carreira?
JA: Sim, sem dúvida. Não só a vitória frente ao Sporting, mas a passagem a ½ final da taça da liga, num grupo com equipas só da 1.ª Divisão no qual ficamos em primeiro lugar. Também o jogo com o Belenenses em casa para a Taça de Portugal marcou-me bastante.
BnR: Num jogo entre o Portimonense e o Sporting B, foi acusado de ter, alegadamente, proferido comentários racistas sobre Mama Baldé. Confirma ou desmente a situação?
JA: Esse assunto já foi ultrapassado.
BnR: Como analisa a prestação do Portimonense nesta temporada?
JA: O Portimonense está a fazer um grande campeonato, fruto e grande mérito do Investidor da SAD, que soube manter a estrutura do futebol profissional do ano passado e acrescentar mais valias no plantel e noutras estruturas importantes para que a subida se consumasse este ano.
BnR: Como se define como treinador?
JA: O meu perfil de treinador define-se pelo trabalho metódico,pela organização e pela ambição de envolver emocionalmente todos os que se inserem no projecto. Gosto de inovar e no processo que haja um tríade de evolução, do clube da equipa e do jogador. A minha filosofia passa por entrar em todos os jogos com ambição de lutar sempre pela vitória, criando uma equipa inteligente e jogadores com poder autónomo de decisão.
BnR: Quais são as influências que teve e quais são os melhores treinadores do mundo, na sua opinião?
JA: Por diversas vezes já referi em entrevistas anteriores que os treinadores que mais me influenciaram foram, o professor Zé Tó, que foi o meu grande mestre em termos de organização e planeamento do treino, o Professor Vítor Maças e Carlos Mozer pelo seu carácter e personalidade.
BnR: Tem preferência por um futebol de posse ou por um futebol mais vertical e de transições?
JA: O futebol é jogado pelo jogadores, o treinador deve perceber o contexto do clube onde está inserido e potenciar o jogo consoante as características dos jogadores e do contexto da competição. No mundo tão competitivo como futebol, ganhar e atingir os objetivos do contexto torna-se crucial. O crescimento deve ser sustentado e o importante é condizermos as nossas ideias e transformá-las em resultados que nos mantenham vivos no mundo onde não existe lugar para romantismo mas sim para pragmatismo.
BnR: Qual é o seu protótipo de jogador perfeito?
JA: O jogador é um ser humano, a sua mente não é um recipiente vazio, foi construído com um carácter e personalidade individual ao longo das suas vivências. Claro que a a sua técnica e a sua componente tática bem como o seu perfil físico é importante. Posso dizer que gosto de lapidar, envolver o homem/jogador e através da lógica do jogo, provocar e potenciar a sua evolução e torná-lo inteligente e autónomo nas suas decisões.
BnR: Se tivesse de apostar, quem acha que será campeão na primeira liga? E na segunda, quem acha que irá subir?
JA: No inicio do campeonato da 1.ª Liga pensei que a luta iria ser a três, atualmente a luta vai ser entre o Benfica e Porto. Na Segunda liga no início pensei que a luta iria ser mais acesa, o Portimonense sem dúvida que vai subir falta apenas definir que será a segunda equipa, até há bem pouco tempo pensei que seria o Aves pelo investimento e pela diferença pontual, atualmente o cenário não está assim tão claro. Certeza, só uma, Portimonense na Primeira Liga.
Foto de capa: Portimonense SC











