«Pizzi teve a sorte de eu me lesionar. Ganhou a titularidade e atirou-me para o banco de suplentes» – Entrevista BnR com Caetano

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-A decadência profissional, as raízes familiares e a coincidência-

«Com 23 anos, tinha 100 jogos na Primeira Liga, tinha participado na Liga dos Campeões e na final do Campeonato do Mundo»

Bola na Rede: A meio dessa época (2013/2014), em dezembro, transferes-te para Barcelos e permaneces na Primeira Liga o resto da temporada e no ano que se segue (2014/2015), onde acabam por ser despromovidos. O que correu mal?

Caetano: Penso que, no Gil Vicente FC, tanto na primeira época como na segunda, a nível de prestação, sentia-me mais jogador, mais completo. Diria, se calhar, que foram as melhores temporadas no que diz respeito aos desempenhos individuais. Sentia-me mais confiante, mais maduro e ainda tinha alguma irreverência própria da idade. No final da segunda época, lesionei-me novamente, fui operado à mão e os últimos quatro meses não joguei. Descemos de divisão! O futebol tem memória curta! Eu, com 23 anos, tinha 100 jogos na Primeira Liga, tinha participado na Liga dos Campeões e na final do Campeonato do Mundo… Descer de divisão é das piores coisas que podem acontecer a qualquer futebolista! O jogador é egoísta e pensa “não, eu vou descer, mas vou para aqui, para ali e para acolá!”. Não é assim! Quando descemos, eu queria jogar perto de casa e, o que é certo, é que só me apareceu uma equipa da Primeira Liga no Sul – foi o Vitória de Setúbal – e eu não quis ir porque simplesmente era longe de casa. Esperei até aparecer uma equipa de Primeira Liga a norte, ou seja, perto de casa. O estrangeiro esteve sempre fora de hipótese! Curiosamente, era o único mercado que eu tinha… Em Portugal, fechou-se tudo! Só me restava a Segunda Liga e o Vitória de Setúbal. Acabei por ir jogar para Penafiel… e acredito piamente que o facto de ter descido de divisão me matou – por completo – as aspirações que tinha para a carreira. Depois de cair numa Segunda Liga, confesso que desmotivei e comecei a dedicar-me a outras coisas extrafutebol, comecei a ter muito sucesso fora do futebol! O meu foco mudou de direção e sabes perfeitamente que, quando não estamos focados, torna-se tudo mais difícil…

Bola na Rede: Esse Penafiel de 2015/2016, tinha um projeto aliciante no que concernia à subida de divisão?

Caetano: Não, não! Era um projeto que assentava na manutenção. Nunca tinha jogado no Penafiel e queria-o, porque é o clube da minha família, da minha namorada, o meu avô também foi lá dirigente. Para jogar Segunda Liga, jogava no Penafiel. Estava perto de casa. Foi única e exclusivamente por causa disso! Depois, qual é a pergunta que vem a seguir? Posso falar já! (risos)

Bola na Rede: Continua (risos).

Caetano: Fiz uma época boa e apareceu o CD Tondela, na Primeira Liga. Tinha tudo fechado para ir para Tondela já. Depois fui de férias para o Algarve e encontrei o presidente do CD Aves ali na piscina… perguntou-me para onde é que eu ia, eu disse que ia para o CD Tondela… ele disse “Pá, não vais nada para Tondela, temos um projeto para o CD Aves para subir e tal”. Eu gostei tanto do projeto que abdiquei de ir para Tondela só para jogar no CD Aves.  E não me arrependo absolutamente de nada. Subimos de divisão, tive um ano fantástico e joguei à porta de casa (risos). Ao contrário de descer de divisão, subir de divisão também é das coisas mais fantásticas que pode acontecer a um jogador.

Bola na Rede: No ano a seguir, existe uma espécie de limpeza…

Caetano: No ano que se seguiu, o Aves teve uma política diferente do normal. Subiu de divisão e só ficou com o Guedes (o avançado) e com o Quim. Não quis renovar com mais ninguém. Saímos todos e eu fiquei completamente dececionado. Queria jogar Primeira Liga. Decide-me, uma vez mais. Disse “bem, vou para o FC Penafiel e acabar ali a minha carreira!”. É o clube que eu gosto. Apaixonei-me pelo clube. Depois acontece aquele episódio com o FC Paços de Ferreira… Posso dizer que foi o mais negro da minha carreira!

Bola na Rede: Regressas a Penafiel. Completas mais duas temporadas, ambas com 19 jogos apontados. Inclusive, na última, ultrapassas o teu record de golos numa época: marcas 4! Mencionando, uma vez mais, o teu pai, consideras que ele se sentia plenamente realizado, caso subisses pelo FC Penafiel?

Caetano: Sim, ele gostava… repara, todos os pais gostam de ver os filhos felizes e realizados. Sofria como todos os pais e sei que ele tem um orgulho grande em mim e gostava de me ver jogar. Mas ele ficava nervoso, ele nem ia ver os jogos (risos). A maior alegria dele foi quando eu deixei de jogar, sem dúvida! A maior felicidade dele é o facto de trabalharmos juntos, essa é que é a felicidade dele!

Bola na Rede: Há bocadinho falavas do tal episódio com o FC Paços de Ferreira. Abre as hostes!

Caetano: Pá, não quero falar muito disso. Já é passado! Guardo tantas boas recordações daquele clube, recordo-o com muita saudade. Depois as coisas acabaram por se resolver. Hoje em dia, não existe mágoa da minha parte. Não quero falar muito disso. A verdade foi aquela que contei, na altura! Acabei por estar meio ano sem jogar. Esse também foi um dos motivos que me fez abandonar a minha carreira.

Bola na Rede: Abraças um novo projeto em 2019/2020: o SC Varzim. Desde os primeiros momentos, observando pelas estatísticas, sinaliza-se uma pouca utilização. Fala-nos um bocadinho da tua passagem pelo clube…

Caetano: Acabei por ir para o SC Varzim, um clube com uma massa adepta única. Mas depois também fiquei dececionado com aquilo que me aconteceu, fiquei quase um ano sem jogar. Meio ano por causa do episódio com o FC Paços, meio ano por causa do COVID-19. Tenho um mês extremamente difícil. Falei com o presidente e disse “Presidente, já chega! Quero acabar a minha carreira! Quero dedicar-me a outras coisas!”. Esse ano em que estive parado serviu para me focar no mundo dos negócios. Por isso é que agora nem sinto tanto, percebes? Funcionou como uma espécie de estágio para acabar o futebol (risos).

Bola na Rede: Tu terminaste a carreira esta época diante do FC Penafiel. Aliás, até foste notícia no panorama nacional! Existiu aí algum propósito?

Caetano: Não. Eu gostava de ter acabado a minha carreira no FC Penafiel. Mas depois daquele episódio do FC Paços de Ferreira não foi possível. Eu pensei “ui, estive um ano parado, já não vai ser igual…”. Mostrei que estava bem fisicamente até. Aliás, até fiz o golo a acabar. Estava em plena forma, tinha 29 anos. Mas como já te disse, falei com o presidente. Disse “daqui a duas semanas vamos jogar a Penafiel, eu quero que prepare a minha saída. Faço estas duas semanas e termino lá”. Ele concordou, eu fiz essas duas semanas, comecei a jogar. Estava com um feeling que ia fazer golo, estava confiante. Quando a gente acredita numa coisa, ela acontece. E assim foi!

Bola na Rede: Por falar em acreditar… acreditas em coincidências? O teu pai, no ano em que terminou a carreira, também saltou do banco para resolver o jogo, ao serviço do Espinho. Podes explicar o que se passa? (risos)

Caetano: (risos). Há coisas que não se explicam. Foi mesmo muito parecido. Ele acabou com 29 anos, eu também. Ele acabou num clube preto e branco, que era o Espinho, e eu também acabei num clube preto e branco, que era o SC Varzim. Ambos entramos e fizemos golo. São coincidências. São coisas giras que acabam por acontecer! A nossa mente tem um poder muito forte…

Romão Rodrigues
Romão Rodrigueshttp://www.bolanarede.pt
Em primeira mão, a informação que considera útil: cruza pensamentos, cabeceia análises sobre futebol e tenta marcar opiniões sobre o universo que o rege. Depois, o que considera acessório: Romão Rodrigues, estudante universitário e apaixonado pelas Letras.                                                                                                                                                 O Romão escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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