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«Renovo com o Vitória SC e saio, se calhar uma certa pessoa não foi tão correta» – Entrevista BnR com João Pedro

João Castro · 19 min

Joao Pedro
Foto: Panetolikos

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Professor Neca entrevista À BnR

Normalmente diz-se que filho de peixe sabe nadar e o nosso entrevistado do Bola na Rede concorda em absoluto. A bola nos pés e a arte de rematar à baliza sempre acompanharam João Pedro, avançado que esteve na época passada no Bursaspor KD e que em Portugal já passou por clubes como o Vitória SC e FC Paços de Ferreira. Aos 16 anos já jogava futebol na II Liga, tendo sempre como inspiração o pai, Gil Silva, também ele com um percurso de golos feitos no futebol português. João Pedro quer continuar o legado do pai e abraçar o que o desporto rei tem de melhor em Portugal e no estrangeiro. A pressão não é problema, aliás, como o seu próprio amigo Paulinho – ponta de lança do Sporting CP – diz: “Se tiver de ser, vai ser!”. Uma coisa é certa, a paixão pelo Vitória SC, o sotaque açoriano e as ideias bem vincadas sobre o potencial do “jogador português” vão acompanhá-lo a cada passo. E o próximo é aqui em entrevista com o BnR.

NOTA: Entrevista realizada em junho de 2022

«Aos 16 anos, já jogava Segunda Liga.
Acho que são poucos os jogadores que podem dizer isso.»

Bola na RedeJoão Pedro, bem-vindo à nossa zona de entrevistas do Bola na Rede. Olhando em primeiro lugar para o início do teu percurso enquanto jogador, como é que começou o bichinho pela bola e o gosto pelo futebol?

João Pedro: O bichinho pela bola começou desde que eu nasci. O meu pai também era jogador e acho que já estava no sangue. Desde que nasci eu lembro-me sempre da bola e do futebol.

Bola na RedeO teu pai é a tua principal inspiração?

João Pedro: A nível de tudo, é a minha principal inspiração. Ele e o Cristiano Ronaldo são os meus ídolos, mas ele está acima do Ronaldo. Foi ele que me ensinou a jogar futebol. “Direita, esquerda” acompanhava-me em todos os jogos desde os cinco anos. Está comigo sempre. Chateia-me sempre “Fica na área, não saias da área! Ali é a tua zona!”

Bola na RedeFizeste grande parte do teu percurso de formação no futebol açoriano e chegaste a competir lá como sénior. Quando vieste jogar para Portugal Continental sentiste algumas diferenças relativamente aos Açores?

João Pedro: O que eu posso dizer é que a nível de futebol açoriano há muitos jogadores com qualidade, e temos muitos exemplos de jogadores que saíram daqui. Para nós açorianos é mais difícil. Eu fiz a minha formação toda cá e os gastos que um clube tem para um jogador açoriano e para um clube que viva no continente é completamente diferente e isso talvez difira um bocado. Graças a Deus eu consegui chegar, mesmo não fazendo formação no Sporting CP, FC Porto ou SL Benfica. Mas sinto-me orgulhoso do percurso que fiz. Aos 16 anos, já jogava 2ª liga. Acho que são poucos os jogadores que podem dizer isso. Jogava com regularidade e fazia parte do plantel. A diferença que pode haver pode ser relativamente aos recursos que no Continente é mais fácil e a nível de ajuda. A nível de qualidade, o jogador português tem qualidade e é o jogador de Portugal continental, madeirense e açoriano.

Bola na RedeAchas então que há muito mais qualidade de formação para além dos três grandes?

João Pedro: Claro, muito! Eu acho que a prova está dada quando, por exemplo, quando todos os jogadores portugueses têm sucesso lá fora. São poucos os que não têm, pela qualidade, pela maneira de ser, pelo valor que o futebol português tem. Se calhar cá em Portugal, não são tão valorizados, mas não me cabe a mim dizer isso.

Bola na RedeOlhando para o CD Santa Clara, um clube que te diz muito, atualmente encontra-se na I liga. É importante haver essa representação dos açores no principal escalão do futebol português?

João Pedro: Claro, é um orgulho ver o clube da minha ilha estar na I liga e a fazer boas prestações. É um clube que eu agradeço e me diz muito. Foi um clube onde me estreei como profissional e foi lá que estava quando cheguei à seleção. Um clube também onde o meu pai jogou e ficou.

«Ele [Paulinho] só me dizia: “Quando eu tiver de chegar à seleção nacional, vai chegar. Eu estou a fazer o meu trabalho bem, e quando chegar a altura, vai chegar”.»

Bola na RedeDo CD Santa Clara passaste para o Gil Vicente FC e lá partilhaste balneário com uma das principais referências atuais de avançado do futebol português: Paulinho. É mais um exemplo de ascensão dos escalões inferiores em Portugal. Pode ser assim visto como um exemplo para vocês jogadores?

João Pedro: O Paulinho foi uma grande referência para mim, foi, o meu capitão. Ainda hoje mantenho contacto, é um amigo meu, e pela pessoa e profissional que ele é, pelos conselhos que ele me dava, sempre me transmitiu coisas boas e me mostrava como devia ser, para não desistir. Todos os anos dá-me a sua camisola. É uma pessoa que diz sempre: não desistas, faz o teu caminho e mostra-me sempre o bom. E não foi só o Paulinho… Partilhar o balneário com Paulinho, Simy, que sai da II liga para a Liga italiana, e mesmo no caso do Trofense, o Bruno Moraes, o próprio Clemente que trabalha como dirigente no CD Santa Clara. Sempre joguei com pontas de lança de referência que me aconselharam da melhor maneira e me ajudaram em todos os níveis.

Bola na RedeA forma como caracterizas o Paulinho, dá para perceber que é uma pessoa humilde. Achas que essa é uma característica fundamental para um jogador que quer ter essa ascensão?

João Pedro: Eu acho que para um jogador aquilo que mais temos de ter é sabermos aquilo que somos e para onde queremos ir, e isso foi uma coisa que eu aprendi com o Paulinho, pelas conversas e pelos conselhos. A própria chamada à seleção do Paulinho que eu na altura desejava muito e se calhar desejava mais que ele. Ele só me dizia: “Quando eu tiver de chegar à seleção nacional, vai chegar. Eu estou a fazer o meu trabalho bem, e quando chegar a altura, vai chegar”. E viu-se sempre a carreira dele, as prestações dele, é uma pessoa cinco estrelas e um grande jogador.

Bola na RedeOlhando para a II Liga por onde passaste, normalmente fala-se de que este escalão consegue ser mais competitivo que a I Liga pela quantidade de clubes que lutam pela subida. Concordas?

João Pedro: Não digo que possa estar acima. Os níveis dos plantéis são mais equivalentes, mas o nível de visualização não é a mesma que as equipas da I Liga. Equipas como o FC Paços de Ferreira, GD Estoril Praia tem muita qualidade, mas se calhar na I Liga só se fala naquele leque de equipas (SL Benfica, Sporting CP, FC Porto, Vitória SC…). Quando se fala na II liga, já se dá uma atenção a todos. Mas há muita qualidade e competitividade nos dois escalões. Nos últimos anos, quantas equipas ganharam aos grandes? Que criaram dificuldades ao SL Benfica, Sporting CP e FC Porto? Eu ganhei ao FC Porto e pelo Gil Vicente FC cheguei às meias-finais da Taça de Portugal e criei dificuldades ao FC Porto. Em Inglaterra, vê-se a forma como se fala de todas as equipas. Se calhar é mais por aí, porque futebol português tem muita qualidade.

Bola na RedePosteriormente, a tua carreira levou-te ao Campeonato de Portugal e de seguida ao Vitória SC. Podemos dizer que deste um passo atrás para dois à frente?

João Pedro: Pode-se dizer que sim, mas eu vejo que na altura não estava a jogar e achei que seria bom ir para o Trofense e foi a melhor decisão que tive. Na altura não estava feliz, e quando o futebol não corre bem, mais nada corre bem, é a minha saúde: o futebol. Foi uma altura que voltei a ganhar ânimo, força, felicidade a jogar futebol e ajudou-me muito. o Trofense foi um clube que me ajudou muito pela mão que me deu e eu também fui para ajudar o Trofense. Eu não vejo como um passo atrás, mas para voltar a ser feliz.

João Pedro
Fonte: Vitória SC

Bola na RedeNessa altura ainda não existia a Liga 3, mas já se reconhecia as dificuldades de competitividade e condições desse escalão. Sentes que essa passagem te fez crescer como jogador?

João Pedro: Fez-me crescer muito a todos os níveis, porque as condições que eu tinha no Gil Vicente FC não foram as que eu estava a ter no Trofense. Relvados sintéticos, com todo o respeito que há, é sempre muito complicado. As dificuldades que os clubes passam e os apoios que os clubes do Campeonato de Portugal têm não são as mesmas que têm na II Liga e I Liga. Há muita coisa há volta que nos faz crescer. Eu foco-me no meu trabalho e naquilo que eu sou. A vida não é fácil em tudo: há o bom e o meu e só nos cabe a nós vermos o melhor a caminho.

«O mister Ivo [Vieira] disse que gostou muito do trabalho que eu estava a fazer, inclusive no meu segundo jogo treino eu faço golo.»

Bola na RedeDepois surgiu o Vitória SC. Como surgiu a proposta para ingressares no clube vimaranense?

João Pedro: Em relação ao Vitória SC já é um namoro muito antigo. Já desde que estava no CD Santa Clara havia interesse, mas não deu por questões de contratos e porque não me foi permitido se calhar. Mas foi na altura certa, porque já era um desejo meu. O Vitória SC é o meu clube, é um sentimento que quem joga lá e quem vive naquela cidade vai saber o que é. É de outro mundo e diferenciado, o carinho dos adeptos…

Bola na RedeNa equipa B fizeste grandes números (11 golos em 14 jogos. Foi provavelmente o melhor momento da tua carreira?

João Pedro: Foi o melhor momento em que joguei mais. Porque quando um jogador tem minutos os números aparecem. Eu quando vou para o Vitória SC, eu faço a pré-época com a equipa principal e correu muito bem, já com o Bruno Duarte, Bonatini, André Pereira. O mister Ivo [Vieira] disse que gostou muito do trabalho que eu estava a fazer, inclusive no meu segundo jogo treino eu faço golo. E nos primeiros 20 minutos oficiais quase faço. E o mister Ivo viu e sabe. Voltei para a equipa B e ele disse “Trabalha e eu vou estar atento”. Eu trabalhei e ele esteve atento e voltou a recrutar-me. Correu muito bem, foi uma época extraordinária… Se calhar se o Covid-19 não aparecesse, estávamos numa série de jogos sem perder e se calhar voávamos, porque estávamos muito bem. O mister Ivo Vieira é um treinador excelente, muito bom taticamente e gosta de futebol. É o que se quer.

Bola na RedeAinda falando deste Vitória SC, há um momento que decerto ganhas com carinho: a tua estreia a marcar em jogos oficiais e deu-se num jogo europeu [vitória por 6-0 frente ao FK Ventspils na qualificação da Liga Europa]. Quais são as memórias que guardas desse momento?

João Pedro: Teve um sentimento muito especial, mas também fiquei chateado comigo. Quando eu entro, podia ter feito 2/3 golos. Não digo que acusei pressão, mas numa situação que tivesse mais calma fazia mais golos. Mas foi um sentimento muito bom participar nas competições europeias pelo Vitória SC e estrear-me.

Bola na RedeE um momento em que lidaste muito bem com a pressão foi frente ao CD Santa Clara na época 2019/202 quando marcaste um golo importantíssimo para o Vitória SC nos instantes finais e num estádio cheio de adeptos. Deve ter sido uma explosão de emoções…

João Pedro: Foi um misto de emoções porque é muita coisa a acontecer, vem tudo o que está para trás. Não foi o meu primeiro jogo na Liga Portuguesa, mas a equipa estava a jogar bem, a praticar bom futebol, eu volto a ser chamado à equipa principal e vem todo o sacrifício de trás naquele golo. E a emoção está aí. Foi um golo muito importante e muda tudo: para mim, para o clube…

Bola na RedeMas a verdade é que o teu percurso pelo Vitória SC acabou por terminar. O que é que falhou?

João Pedro: São coisas que acontecem, que se calhar não posso falar. Eu renovo com o Vitória SC e saio, se calhar uma certa pessoa não foi tão correta, mas eu no futebol se tiver de sair não fico a dar palmadinhas nas costas para estar num sítio. Toda a gente no Vitória SC sabe o amor que tenho pelo clube e se eu saí foi o melhor para mim. E a minha decisão foi muito bem escolhida, para o FC Paços de Ferreira com Pepa. Um clube humilde, onde não falha nada e com grandes pessoas.

Bola na RedeMas mesmo perante isso, se agora o Vitória te chamasse, sentias vontade de voltar a abraçar o projeto?

João Pedro: O Vitória é o meu clube, é a minha resposta (risos)

Bola na RedeE ainda sobre os Conquistadores, é reconhecido que têm um ambiente que se assemelha aos três grandes. O ambiente que presenciaste na generalidade e dentro do balneário permite-te também dizer que é um clube da dimensão dos três grandes?

João Pedro: Eu digo: É um clube de três grandes! É um clube diferente, com uma alma enorme e com uma raça. Não é qualquer sítio que tu vás em que estás a andar na rua e só se vê camisolas do Vitória SC. Não são todas as cidades que podem dizer isso. Mas o Vitória é um clube diferenciado nesse aspeto. Quem vive na cidade e quem joga no Vitória SC sabe o que é o Vitória SC. Quem vê de fora, consegue sentir um bocado. Vê que “são tramados, vai ser difícil ganhar”. É um clube que tem tudo, é de outro nível e é muito bom.

Bola na RedeE o ambiente também é arrepiante. Fala-se que é o único estádio em que, sem ser os três grandes, os adversários jogam verdadeiramente fora. Vocês jogadores também sentem esse ambiente?

João Pedro: Sentimos! E a qualquer estádio que se vá, vê-se sempre atrás da baliza um montão de adeptos vitorianos. Eles acompanham e estão sempre presentes. Os jogadores têm de dar a vida pelos adeptos. É um clube que move tudo e em que o mínimo num jogo normal de espectadores é 15 mil. É muito bom. Um jogo com o SC Braga, o estádio está cheio! Um jogo com os grandes cheio, mas com vitorianos. Não é em todos os estádios que isso acontece… Por exemplo, no FC Arouca, são só adeptos do SL Benfica, Sporting CP e FC Porto… Isso no estádio do Vitória SC não acontece e não irá acontecer

Bola na RedeAchas que um Vitória SC- SC Braga pode ser mais fervoroso que um SL Benfica- Sporting CP ou SL Benfica-FC Porto?

João Pedro: Pode ser tão ou mais fervoroso! É rivalidade, clássico e é dérbi. Dérbi é dérbi!

“[Ivo Vieira e Pepa] São dois treinadores que gostam de futebol e praticam bom futebol. São homens de H bem grande.”

Bola na RedeNo Norte, a tua passagem seguinte foi pelo mítico FC Paços de Ferreira 2020/2021 de Pepa que conseguiu alcançar as pré-eliminatórias europeias. Olhando para essa equipa, o que é que vos diferenciava dos restantes?

João Pedro: A alegria e a cumplicidade de todos. Inclusive o treinador, presidente e connosco, a relação com as pessoas que nos serviam o pequeno-almoço. Era tudo perfeito. Era uma cumplicidade muito grande de todos. Eramos uma verdadeira família. E o que diferenciou foi o trabalho do Pepa, as pessoas que trabalham no clube e nós jogadores. Só tinha bom porto. Sabíamos aquilo que queríamos.

Bola na RedeAchas que não terem tido pressão no início vos ajudou a ascender a esse patamar?

João Pedro: A pressão estava lá porque queríamos chegar lá e desde o início estávamos na luta. Se calhar, não passávamos para fora, mas dentro do balneário a pressão estava lá. Se nós aqui, porque é que não vamos tentar jogar a partir de trás, praticar bom futebol, se temos qualidade porque é que não vamos fazer? O que é que eles têm mais que nós? Somos 11 para 11! Pensávamos assim e todos dávamos o melhor.

Bola na RedeJá falámos da tua relação com Pepa e quis o destino que ele fosse para o teu clube, o Vitória SC. É o homem ideal para o comando dos conquistadores?

João Pedro: Óbvio, pelo futebol que pratica, por aquilo que ele é e pelo que o clube precisa: estabilidade! Não pode estar a mudar de treinador de ano para ano e as coisas correrem bem. No ano passado as coisas correram bem, a equipa jogava muito bem. É uma pessoa que é coerente, tenta sempre manter a sua maneira de ser e é a pessoa indicada. O Vitória SC está em boas mãos e já com o mister Ivo estava. São dois treinadores que gostam de futebol e praticam bom futebol. São homens de H bem grande.

Bola na RedeE um momento de relevo desta época do FC Paços vem com a vitória em casa frente ao Tottenham FC onde jogaste dois minutos perto do fim. Como é que o balneário lidou com esse momento em que todos os olhos ficaram postos em vocês?

João Pedro: O balneário lidou da forma como eu disse antes. Quando não se tem medo e se joga de igual para igual, tudo é possível. O Tottenham claro que era favorito, mas podemos dizer que ganhámos e ganhamos bem. Lá foi difícil, perdemos, mas também tentamos fazer o nosso papel. E atenção que no jogo lá, os golos que sofremos foram erros nossos. Se tivéssemos tido a matreirice ou a experiência de certas coisas, também podíamos ter conseguido, mas é futebol. Mas podemos dizer que ganhamos e ter o prazer de jogar lá. Foi uma experiência muito boa e faz parte.

Bola na RedeE olhando para a tua experiência particular, defrontares jogadores e uma equipa do nível do Tottenham FC trouxe-te alguma experiência pessoal ou ajudou-te a desenvolver enquanto jogador?

João Pedro: Traz sempre, porque Inglaterra é o melhor campeonato do mundo e estarmos a jogar contra o Tottenham vai-nos dar experiência e orgulho. Estamos a jogar com jogadores que vemos na televisão. Os melhores jogadores do mundo, Harry Kane, só um dos melhores jogadores da atualidade…Vais estar sempre a aprender e a estar atento a cada pormenor e aquilo que eles fazem para aprenderes.

«Em todos os jogos tínhamos 40 mil, 38 mil, 20 mil adeptos. É o Vitória SC da Turquia»

Bola na RedeE mais recentemente, tiveste então a tua primeira experiência internacional na Turquia, ao serviço do Bursarspor. Sentiste que precisavas de mais oportunidades do que aquelas que estavas a ter cá em Portugal?

João Pedro: Senti, por isso a mudança e o risco. Eu não tenho problemas em correr riscos e gosto do risco. No FC Paços de Ferreira não estava a ter as oportunidades que desejava, procurei o melhor caminho para mim e encontrei o Bursarspor. Foi um risco muito bom, porque é um grande clube na Turquia com uns adeptos extraordinários e adorei a experiência. Quase íamos conseguindo o que era muito difícil. Não foi possível, mas é futebol. Em todos os jogos tínhamos 40 mil, 38 mil, 20 mil adeptos. É o Vitória SC da Turquia. E não é qualquer clube que mete 40 mil em jogos em casa sempre.

Bola na RedeE depois desta experiência, quais foram as principais diferenças que encontraste em relação ao futebol português?

João Pedro: Encontrei muitas diferenças, foi uma adaptação muito complicada, mas graças a Deus correu muito bem. Ajudaram-me muito. É um povo e uma mentalidade diferente. Jogam muito com o coração e o futebol muitas vezes tem de ser com a cabeça. Eu recordo-me que no meu primeiro jogo, os primeiros 10 minutos foi box-to-box com um jogo muito partido. Se calhar aqui em Portugal é mais tático, a formação é outra, têm mais cultura futebolística.

Bola na RedeE já vimos equipas portuguesas a jogar fora frente a equipas turcas. As assobiadelas são ensurdecedoras…

João Pedro: As assobiadelas, as garrafas e os isqueiros, moedas que voam. Tu estás a jogar e tens o relvado cheio de coisas. Estás a meio, tens um tempinho e vais tirando. É uma pressão muito grande para a equipa adversária que vai jogar.

Bola na RedeAchas que não é qualquer tipo de jogador que consegue jogar nessa pressão ou é uma questão de adaptação?

João Pedro: Nós somos jogadores, os jogadores têm de aguentar a pressão seja do que for, acho que a pressão faz parte da nossa pressão. Tu muitas vezes vais jogar num estádio que não sabes o que podes esperar, mas tens de estar pronto.

Bola na RedeDepois desta experiência na Turquia, o que é que podemos esperar do futuro do João Pedro?

João Pedro: Eu tenciono continuar no estrangeiro. Todos sabemos como é que está o futebol português, como é o jogador português em Portugal. Mas também não posso dizer que não ao meu país como é óbvio. Sabemos a realidade do futebol português em relação a outros campeonatos não a nível de futebol, mas em relação a tudo.

Bola na RedeAchas que o problema aqui está na desvalorização do jogador português?

João Pedro: Acho. Todo o jogador português e treinador português fora de Portugal tem sucesso. Se calhar em Portugal não é tão valorizado. É a minha opinião, se calhar outros vão dizer que não.

Bola na RedeAchas que é um problema de dirigismo?

João Pedro: Se calhar isso, porque se calhar as pessoas querem vender um jogador por muito sem o jogador ter feito tanto. Uma coisa é quando um jogador joga e vêm as propostas, outra coisa é um jogador não joga ou vai jogando e basta aparecer uma coisinha e o dirigente já quer milhões por isso. Por exemplo, o Bernardo Silva, João Cancelo, quantos jogos fizeram pela equipa principal do SL Benfica? Sem contar com o Jota que está no Celtic FC. É um jogador de grande qualidade… Não digo que tivesse lugar no SL Benfica, mas se calhar a valorização, o respeito e a forma como são feitas as coisas… Não vamos exigir mundos e fundos quando não deste ao jogador para ele mostrar para isso.

Bola na RedeE agora olhando para a seleção, fizeste um percurso nos Sub-20. A seleção principal é ainda um sonho por concretizar?

João Pedro: Se Deus quiser, está sempre presente. O futebol muda rápido e, como o Paulinho disse, se tiver de ser, vai ser! (risos) É um sonho, quem me conhece sabe. Vou trabalhar para isso!

Passes Curtos

Bola na RedeAntes de terminarmos, chegou a hora de testar a pressão, mas fora das quatro linhas. Melhor balneário por que passaste?

João Pedro: Difícil… FC Paços de Ferreira.

Bola na RedeMelhor treinador?

João Pedro: Não consigo dizer, tive muitos bons.

Bola na RedeMelhor golo?

João Pedro: FC Paços de Ferreira – Vitória SC de bicicleta.

Bola na RedeGolo mais importante?

João Pedro: Vitória SC – CD Santa Clara.

Bola na RedeHat-trick ou golo no último minuto?

João Pedro: Gostava de fazer hat-trick, mas golo no último minuto.

Bola na RedeHaaland ou Mbappé?

João Pedro: Mbappé.

Bola na RedeNúmero preferido?

João Pedro: 45.

Bola na RedeDefesa mais difícil de enfrentar?

João Pedro: Rúben Dias (eu estava na defesa e estava a ouvi-lo) e Pepe (pela experiência e por tudo o que conquistou).

Bola na RedeGuarda redes mais difícil?

João Pedro: Casillas.

Bola na RedeMelhor companheiro da frente de ataque?

João Pedro: Davidson, Edwards, Paulinho.

Bola na RedeGolo de cabeça ou com os pés?

João Pedro: Tanto faz, desde que a bola entre.

Bola na RedeVelocidade ou drible?

João Pedro: Drible.

Bola na RedeFutebol em Portugal ou no estrangeiro?

João Pedro: Futebol no estrangeiro, mas depende de muita coisa.

João Castro

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