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Normalmente diz-se que filho de peixe sabe nadar e o nosso entrevistado do Bola na Rede concorda em absoluto. A bola nos pés e a arte de rematar à baliza sempre acompanharam João Pedro, avançado que esteve na época passada no Bursaspor KD e que em Portugal já passou por clubes como o Vitória SC e FC Paços de Ferreira. Aos 16 anos já jogava futebol na II Liga, tendo sempre como inspiração o pai, Gil Silva, também ele com um percurso de golos feitos no futebol português. João Pedro quer continuar o legado do pai e abraçar o que o desporto rei tem de melhor em Portugal e no estrangeiro. A pressão não é problema, aliás, como o seu próprio amigo Paulinho – ponta de lança do Sporting CP – diz: “Se tiver de ser, vai ser!”. Uma coisa é certa, a paixão pelo Vitória SC, o sotaque açoriano e as ideias bem vincadas sobre o potencial do “jogador português” vão acompanhá-lo a cada passo. E o próximo é aqui em entrevista com o BnR.
NOTA: Entrevista realizada em junho de 2022
«Aos 16 anos, já jogava Segunda Liga.
Acho que são poucos os jogadores que podem dizer isso.»
Bola na RedeJoão Pedro, bem-vindo à nossa zona de entrevistas do Bola na Rede. Olhando em primeiro lugar para o início do teu percurso enquanto jogador, como é que começou o bichinho pela bola e o gosto pelo futebol?
João Pedro: O bichinho pela bola começou desde que eu nasci. O meu pai também era jogador e acho que já estava no sangue. Desde que nasci eu lembro-me sempre da bola e do futebol.
Bola na RedeO teu pai é a tua principal inspiração?
João Pedro: A nível de tudo, é a minha principal inspiração. Ele e o Cristiano Ronaldo são os meus ídolos, mas ele está acima do Ronaldo. Foi ele que me ensinou a jogar futebol. “Direita, esquerda” acompanhava-me em todos os jogos desde os cinco anos. Está comigo sempre. Chateia-me sempre “Fica na área, não saias da área! Ali é a tua zona!”
Bola na RedeFizeste grande parte do teu percurso de formação no futebol açoriano e chegaste a competir lá como sénior. Quando vieste jogar para Portugal Continental sentiste algumas diferenças relativamente aos Açores?
João Pedro: O que eu posso dizer é que a nível de futebol açoriano há muitos jogadores com qualidade, e temos muitos exemplos de jogadores que saíram daqui. Para nós açorianos é mais difícil. Eu fiz a minha formação toda cá e os gastos que um clube tem para um jogador açoriano e para um clube que viva no continente é completamente diferente e isso talvez difira um bocado. Graças a Deus eu consegui chegar, mesmo não fazendo formação no Sporting CP, FC Porto ou SL Benfica. Mas sinto-me orgulhoso do percurso que fiz. Aos 16 anos, já jogava 2ª liga. Acho que são poucos os jogadores que podem dizer isso. Jogava com regularidade e fazia parte do plantel. A diferença que pode haver pode ser relativamente aos recursos que no Continente é mais fácil e a nível de ajuda. A nível de qualidade, o jogador português tem qualidade e é o jogador de Portugal continental, madeirense e açoriano.
Bola na RedeAchas então que há muito mais qualidade de formação para além dos três grandes?
João Pedro: Claro, muito! Eu acho que a prova está dada quando, por exemplo, quando todos os jogadores portugueses têm sucesso lá fora. São poucos os que não têm, pela qualidade, pela maneira de ser, pelo valor que o futebol português tem. Se calhar cá em Portugal, não são tão valorizados, mas não me cabe a mim dizer isso.
Bola na RedeOlhando para o CD Santa Clara, um clube que te diz muito, atualmente encontra-se na I liga. É importante haver essa representação dos açores no principal escalão do futebol português?
João Pedro: Claro, é um orgulho ver o clube da minha ilha estar na I liga e a fazer boas prestações. É um clube que eu agradeço e me diz muito. Foi um clube onde me estreei como profissional e foi lá que estava quando cheguei à seleção. Um clube também onde o meu pai jogou e ficou.
«Ele [Paulinho] só me dizia: “Quando eu tiver de chegar à seleção nacional, vai chegar. Eu estou a fazer o meu trabalho bem, e quando chegar a altura, vai chegar”.»
Bola na RedeDo CD Santa Clara passaste para o Gil Vicente FC e lá partilhaste balneário com uma das principais referências atuais de avançado do futebol português: Paulinho. É mais um exemplo de ascensão dos escalões inferiores em Portugal. Pode ser assim visto como um exemplo para vocês jogadores?
João Pedro: O Paulinho foi uma grande referência para mim, foi, o meu capitão. Ainda hoje mantenho contacto, é um amigo meu, e pela pessoa e profissional que ele é, pelos conselhos que ele me dava, sempre me transmitiu coisas boas e me mostrava como devia ser, para não desistir. Todos os anos dá-me a sua camisola. É uma pessoa que diz sempre: não desistas, faz o teu caminho e mostra-me sempre o bom. E não foi só o Paulinho… Partilhar o balneário com Paulinho, Simy, que sai da II liga para a Liga italiana, e mesmo no caso do Trofense, o Bruno Moraes, o próprio Clemente que trabalha como dirigente no CD Santa Clara. Sempre joguei com pontas de lança de referência que me aconselharam da melhor maneira e me ajudaram em todos os níveis.
Bola na RedeA forma como caracterizas o Paulinho, dá para perceber que é uma pessoa humilde. Achas que essa é uma característica fundamental para um jogador que quer ter essa ascensão?
João Pedro: Eu acho que para um jogador aquilo que mais temos de ter é sabermos aquilo que somos e para onde queremos ir, e isso foi uma coisa que eu aprendi com o Paulinho, pelas conversas e pelos conselhos. A própria chamada à seleção do Paulinho que eu na altura desejava muito e se calhar desejava mais que ele. Ele só me dizia: “Quando eu tiver de chegar à seleção nacional, vai chegar. Eu estou a fazer o meu trabalho bem, e quando chegar a altura, vai chegar”. E viu-se sempre a carreira dele, as prestações dele, é uma pessoa cinco estrelas e um grande jogador.
Bola na RedeOlhando para a II Liga por onde passaste, normalmente fala-se de que este escalão consegue ser mais competitivo que a I Liga pela quantidade de clubes que lutam pela subida. Concordas?
João Pedro: Não digo que possa estar acima. Os níveis dos plantéis são mais equivalentes, mas o nível de visualização não é a mesma que as equipas da I Liga. Equipas como o FC Paços de Ferreira, GD Estoril Praia tem muita qualidade, mas se calhar na I Liga só se fala naquele leque de equipas (SL Benfica, Sporting CP, FC Porto, Vitória SC…). Quando se fala na II liga, já se dá uma atenção a todos. Mas há muita qualidade e competitividade nos dois escalões. Nos últimos anos, quantas equipas ganharam aos grandes? Que criaram dificuldades ao SL Benfica, Sporting CP e FC Porto? Eu ganhei ao FC Porto e pelo Gil Vicente FC cheguei às meias-finais da Taça de Portugal e criei dificuldades ao FC Porto. Em Inglaterra, vê-se a forma como se fala de todas as equipas. Se calhar é mais por aí, porque futebol português tem muita qualidade.
Bola na RedePosteriormente, a tua carreira levou-te ao Campeonato de Portugal e de seguida ao Vitória SC. Podemos dizer que deste um passo atrás para dois à frente?
João Pedro: Pode-se dizer que sim, mas eu vejo que na altura não estava a jogar e achei que seria bom ir para o Trofense e foi a melhor decisão que tive. Na altura não estava feliz, e quando o futebol não corre bem, mais nada corre bem, é a minha saúde: o futebol. Foi uma altura que voltei a ganhar ânimo, força, felicidade a jogar futebol e ajudou-me muito. o Trofense foi um clube que me ajudou muito pela mão que me deu e eu também fui para ajudar o Trofense. Eu não vejo como um passo atrás, mas para voltar a ser feliz.

Bola na RedeNessa altura ainda não existia a Liga 3, mas já se reconhecia as dificuldades de competitividade e condições desse escalão. Sentes que essa passagem te fez crescer como jogador?
João Pedro: Fez-me crescer muito a todos os níveis, porque as condições que eu tinha no Gil Vicente FC não foram as que eu estava a ter no Trofense. Relvados sintéticos, com todo o respeito que há, é sempre muito complicado. As dificuldades que os clubes passam e os apoios que os clubes do Campeonato de Portugal têm não são as mesmas que têm na II Liga e I Liga. Há muita coisa há volta que nos faz crescer. Eu foco-me no meu trabalho e naquilo que eu sou. A vida não é fácil em tudo: há o bom e o meu e só nos cabe a nós vermos o melhor a caminho.
«O mister Ivo [Vieira] disse que gostou muito do trabalho que eu estava a fazer, inclusive no meu segundo jogo treino eu faço golo.»
Bola na RedeDepois surgiu o Vitória SC. Como surgiu a proposta para ingressares no clube vimaranense?
João Pedro: Em relação ao Vitória SC já é um namoro muito antigo. Já desde que estava no CD Santa Clara havia interesse, mas não deu por questões de contratos e porque não me foi permitido se calhar. Mas foi na altura certa, porque já era um desejo meu. O Vitória SC é o meu clube, é um sentimento que quem joga lá e quem vive naquela cidade vai saber o que é. É de outro mundo e diferenciado, o carinho dos adeptos…
Bola na RedeNa equipa B fizeste grandes números (11 golos em 14 jogos. Foi provavelmente o melhor momento da tua carreira?
João Pedro: Foi o melhor momento em que joguei mais. Porque quando um jogador tem minutos os números aparecem. Eu quando vou para o Vitória SC, eu faço a pré-época com a equipa principal e correu muito bem, já com o Bruno Duarte, Bonatini, André Pereira. O mister Ivo [Vieira] disse que gostou muito do trabalho que eu estava a fazer, inclusive no meu segundo jogo treino eu faço golo. E nos primeiros 20 minutos oficiais quase faço. E o mister Ivo viu e sabe. Voltei para a equipa B e ele disse “Trabalha e eu vou estar atento”. Eu trabalhei e ele esteve atento e voltou a recrutar-me. Correu muito bem, foi uma época extraordinária… Se calhar se o Covid-19 não aparecesse, estávamos numa série de jogos sem perder e se calhar voávamos, porque estávamos muito bem. O mister Ivo Vieira é um treinador excelente, muito bom taticamente e gosta de futebol. É o que se quer.
Bola na RedeAinda falando deste Vitória SC, há um momento que decerto ganhas com carinho: a tua estreia a marcar em jogos oficiais e deu-se num jogo europeu [vitória por 6-0 frente ao FK Ventspils na qualificação da Liga Europa]. Quais são as memórias que guardas desse momento?
João Pedro: Teve um sentimento muito especial, mas também fiquei chateado comigo. Quando eu entro, podia ter feito 2/3 golos. Não digo que acusei pressão, mas numa situação que tivesse mais calma fazia mais golos. Mas foi um sentimento muito bom participar nas competições europeias pelo Vitória SC e estrear-me.
Bola na RedeE um momento em que lidaste muito bem com a pressão foi frente ao CD Santa Clara na época 2019/202 quando marcaste um golo importantíssimo para o Vitória SC nos instantes finais e num estádio cheio de adeptos. Deve ter sido uma explosão de emoções…
João Pedro: Foi um misto de emoções porque é muita coisa a acontecer, vem tudo o que está para trás. Não foi o meu primeiro jogo na Liga Portuguesa, mas a equipa estava a jogar bem, a praticar bom futebol, eu volto a ser chamado à equipa principal e vem todo o sacrifício de trás naquele golo. E a emoção está aí. Foi um golo muito importante e muda tudo: para mim, para o clube…
Bola na RedeMas a verdade é que o teu percurso pelo Vitória SC acabou por terminar. O que é que falhou?
João Pedro: São coisas que acontecem, que se calhar não posso falar. Eu renovo com o Vitória SC e saio, se calhar uma certa pessoa não foi tão correta, mas eu no futebol se tiver de sair não fico a dar palmadinhas nas costas para estar num sítio. Toda a gente no Vitória SC sabe o amor que tenho pelo clube e se eu saí foi o melhor para mim. E a minha decisão foi muito bem escolhida, para o FC Paços de Ferreira com Pepa. Um clube humilde, onde não falha nada e com grandes pessoas.
Bola na RedeMas mesmo perante isso, se agora o Vitória te chamasse, sentias vontade de voltar a abraçar o projeto?
João Pedro: O Vitória é o meu clube, é a minha resposta (risos)
Bola na RedeE ainda sobre os Conquistadores, é reconhecido que têm um ambiente que se assemelha aos três grandes. O ambiente que presenciaste na generalidade e dentro do balneário permite-te também dizer que é um clube da dimensão dos três grandes?
João Pedro: Eu digo: É um clube de três grandes! É um clube diferente, com uma alma enorme e com uma raça. Não é qualquer sítio que tu vás em que estás a andar na rua e só se vê camisolas do Vitória SC. Não são todas as cidades que podem dizer isso. Mas o Vitória é um clube diferenciado nesse aspeto. Quem vive na cidade e quem joga no Vitória SC sabe o que é o Vitória SC. Quem vê de fora, consegue sentir um bocado. Vê que “são tramados, vai ser difícil ganhar”. É um clube que tem tudo, é de outro nível e é muito bom.
Bola na RedeE o ambiente também é arrepiante. Fala-se que é o único estádio em que, sem ser os três grandes, os adversários jogam verdadeiramente fora. Vocês jogadores também sentem esse ambiente?
João Pedro: Sentimos! E a qualquer estádio que se vá, vê-se sempre atrás da baliza um montão de adeptos vitorianos. Eles acompanham e estão sempre presentes. Os jogadores têm de dar a vida pelos adeptos. É um clube que move tudo e em que o mínimo num jogo normal de espectadores é 15 mil. É muito bom. Um jogo com o SC Braga, o estádio está cheio! Um jogo com os grandes cheio, mas com vitorianos. Não é em todos os estádios que isso acontece… Por exemplo, no FC Arouca, são só adeptos do SL Benfica, Sporting CP e FC Porto… Isso no estádio do Vitória SC não acontece e não irá acontecer
Bola na RedeAchas que um Vitória SC- SC Braga pode ser mais fervoroso que um SL Benfica- Sporting CP ou SL Benfica-FC Porto?
João Pedro: Pode ser tão ou mais fervoroso! É rivalidade, clássico e é dérbi. Dérbi é dérbi!
“[Ivo Vieira e Pepa] São dois treinadores que gostam de futebol e praticam bom futebol. São homens de H bem grande.”
Bola na RedeNo Norte, a tua passagem seguinte foi pelo mítico FC Paços de Ferreira 2020/2021 de Pepa que conseguiu alcançar as pré-eliminatórias europeias. Olhando para essa equipa, o que é que vos diferenciava dos restantes?
João Pedro: A alegria e a cumplicidade de todos. Inclusive o treinador, presidente e connosco, a relação com as pessoas que nos serviam o pequeno-almoço. Era tudo perfeito. Era uma cumplicidade muito grande de todos. Eramos uma verdadeira família. E o que diferenciou foi o trabalho do Pepa, as pessoas que trabalham no clube e nós jogadores. Só tinha bom porto. Sabíamos aquilo que queríamos.
Bola na RedeAchas que não terem tido pressão no início vos ajudou a ascender a esse patamar?
João Pedro: A pressão estava lá porque queríamos chegar lá e desde o início estávamos na luta. Se calhar, não passávamos para fora, mas dentro do balneário a pressão estava lá. Se nós aqui, porque é que não vamos tentar jogar a partir de trás, praticar bom futebol, se temos qualidade porque é que não vamos fazer? O que é que eles têm mais que nós? Somos 11 para 11! Pensávamos assim e todos dávamos o melhor.
Bola na RedeJá falámos da tua relação com Pepa e quis o destino que ele fosse para o teu clube, o Vitória SC. É o homem ideal para o comando dos conquistadores?
João Pedro: Óbvio, pelo futebol que pratica, por aquilo que ele é e pelo que o clube precisa: estabilidade! Não pode estar a mudar de treinador de ano para ano e as coisas correrem bem. No ano passado as coisas correram bem, a equipa jogava muito bem. É uma pessoa que é coerente, tenta sempre manter a sua maneira de ser e é a pessoa indicada. O Vitória SC está em boas mãos e já com o mister Ivo estava. São dois treinadores que gostam de futebol e praticam bom futebol. São homens de H bem grande.
Bola na RedeE um momento de relevo desta época do FC Paços vem com a vitória em casa frente ao Tottenham FC onde jogaste dois minutos perto do fim. Como é que o balneário lidou com esse momento em que todos os olhos ficaram postos em vocês?
João Pedro: O balneário lidou da forma como eu disse antes. Quando não se tem medo e se joga de igual para igual, tudo é possível. O Tottenham claro que era favorito, mas podemos dizer que ganhámos e ganhamos bem. Lá foi difícil, perdemos, mas também tentamos fazer o nosso papel. E atenção que no jogo lá, os golos que sofremos foram erros nossos. Se tivéssemos tido a matreirice ou a experiência de certas coisas, também podíamos ter conseguido, mas é futebol. Mas podemos dizer que ganhamos e ter o prazer de jogar lá. Foi uma experiência muito boa e faz parte.
Bola na RedeE olhando para a tua experiência particular, defrontares jogadores e uma equipa do nível do Tottenham FC trouxe-te alguma experiência pessoal ou ajudou-te a desenvolver enquanto jogador?
João Pedro: Traz sempre, porque Inglaterra é o melhor campeonato do mundo e estarmos a jogar contra o Tottenham vai-nos dar experiência e orgulho. Estamos a jogar com jogadores que vemos na televisão. Os melhores jogadores do mundo, Harry Kane, só um dos melhores jogadores da atualidade…Vais estar sempre a aprender e a estar atento a cada pormenor e aquilo que eles fazem para aprenderes.
«Em todos os jogos tínhamos 40 mil, 38 mil, 20 mil adeptos. É o Vitória SC da Turquia»
Bola na RedeE mais recentemente, tiveste então a tua primeira experiência internacional na Turquia, ao serviço do Bursarspor. Sentiste que precisavas de mais oportunidades do que aquelas que estavas a ter cá em Portugal?
João Pedro: Senti, por isso a mudança e o risco. Eu não tenho problemas em correr riscos e gosto do risco. No FC Paços de Ferreira não estava a ter as oportunidades que desejava, procurei o melhor caminho para mim e encontrei o Bursarspor. Foi um risco muito bom, porque é um grande clube na Turquia com uns adeptos extraordinários e adorei a experiência. Quase íamos conseguindo o que era muito difícil. Não foi possível, mas é futebol. Em todos os jogos tínhamos 40 mil, 38 mil, 20 mil adeptos. É o Vitória SC da Turquia. E não é qualquer clube que mete 40 mil em jogos em casa sempre.
✍️🤝Ailemize Hoş Geldin João Pedro🐊 pic.twitter.com/Vh8HAeQMYG
— Bursaspor (@BursasporSk) February 8, 2022
Bola na RedeE depois desta experiência, quais foram as principais diferenças que encontraste em relação ao futebol português?
João Pedro: Encontrei muitas diferenças, foi uma adaptação muito complicada, mas graças a Deus correu muito bem. Ajudaram-me muito. É um povo e uma mentalidade diferente. Jogam muito com o coração e o futebol muitas vezes tem de ser com a cabeça. Eu recordo-me que no meu primeiro jogo, os primeiros 10 minutos foi box-to-box com um jogo muito partido. Se calhar aqui em Portugal é mais tático, a formação é outra, têm mais cultura futebolística.
Bola na RedeE já vimos equipas portuguesas a jogar fora frente a equipas turcas. As assobiadelas são ensurdecedoras…
João Pedro: As assobiadelas, as garrafas e os isqueiros, moedas que voam. Tu estás a jogar e tens o relvado cheio de coisas. Estás a meio, tens um tempinho e vais tirando. É uma pressão muito grande para a equipa adversária que vai jogar.
Bola na RedeAchas que não é qualquer tipo de jogador que consegue jogar nessa pressão ou é uma questão de adaptação?
João Pedro: Nós somos jogadores, os jogadores têm de aguentar a pressão seja do que for, acho que a pressão faz parte da nossa pressão. Tu muitas vezes vais jogar num estádio que não sabes o que podes esperar, mas tens de estar pronto.
Bola na RedeDepois desta experiência na Turquia, o que é que podemos esperar do futuro do João Pedro?
João Pedro: Eu tenciono continuar no estrangeiro. Todos sabemos como é que está o futebol português, como é o jogador português em Portugal. Mas também não posso dizer que não ao meu país como é óbvio. Sabemos a realidade do futebol português em relação a outros campeonatos não a nível de futebol, mas em relação a tudo.
❗️Exclusivo. @FC_Panetolikos em negociações com o @fcpf para a contratação de João Pedro. ✍🏼⏳🇬🇷 #Panaitolikos #Panetolikos #Greece pic.twitter.com/HqhcMFcX7J
— Pedro Sepúlveda (@pedromsepulveda) January 22, 2022
Bola na RedeAchas que o problema aqui está na desvalorização do jogador português?
João Pedro: Acho. Todo o jogador português e treinador português fora de Portugal tem sucesso. Se calhar em Portugal não é tão valorizado. É a minha opinião, se calhar outros vão dizer que não.
Bola na RedeAchas que é um problema de dirigismo?
João Pedro: Se calhar isso, porque se calhar as pessoas querem vender um jogador por muito sem o jogador ter feito tanto. Uma coisa é quando um jogador joga e vêm as propostas, outra coisa é um jogador não joga ou vai jogando e basta aparecer uma coisinha e o dirigente já quer milhões por isso. Por exemplo, o Bernardo Silva, João Cancelo, quantos jogos fizeram pela equipa principal do SL Benfica? Sem contar com o Jota que está no Celtic FC. É um jogador de grande qualidade… Não digo que tivesse lugar no SL Benfica, mas se calhar a valorização, o respeito e a forma como são feitas as coisas… Não vamos exigir mundos e fundos quando não deste ao jogador para ele mostrar para isso.
Bola na RedeE agora olhando para a seleção, fizeste um percurso nos Sub-20. A seleção principal é ainda um sonho por concretizar?
João Pedro: Se Deus quiser, está sempre presente. O futebol muda rápido e, como o Paulinho disse, se tiver de ser, vai ser! (risos) É um sonho, quem me conhece sabe. Vou trabalhar para isso!
Passes Curtos
Bola na RedeAntes de terminarmos, chegou a hora de testar a pressão, mas fora das quatro linhas. Melhor balneário por que passaste?
João Pedro: Difícil… FC Paços de Ferreira.
Bola na RedeMelhor treinador?
João Pedro: Não consigo dizer, tive muitos bons.
Bola na RedeMelhor golo?
João Pedro: FC Paços de Ferreira – Vitória SC de bicicleta.
Bola na RedeGolo mais importante?
João Pedro: Vitória SC – CD Santa Clara.
Bola na RedeHat-trick ou golo no último minuto?
João Pedro: Gostava de fazer hat-trick, mas golo no último minuto.
Bola na RedeHaaland ou Mbappé?
João Pedro: Mbappé.
Bola na RedeNúmero preferido?
João Pedro: 45.
Bola na RedeDefesa mais difícil de enfrentar?
João Pedro: Rúben Dias (eu estava na defesa e estava a ouvi-lo) e Pepe (pela experiência e por tudo o que conquistou).
Bola na RedeGuarda redes mais difícil?
João Pedro: Casillas.
Bola na RedeMelhor companheiro da frente de ataque?
João Pedro: Davidson, Edwards, Paulinho.
Bola na RedeGolo de cabeça ou com os pés?
João Pedro: Tanto faz, desde que a bola entre.
Bola na RedeVelocidade ou drible?
João Pedro: Drible.
Bola na RedeFutebol em Portugal ou no estrangeiro?
João Pedro: Futebol no estrangeiro, mas depende de muita coisa.













