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O imbróglio açoriano na subida ao Campeonato de Portugal Prio

Gonçalo Tristão Santos · 3 min

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Cabeçalho Futebol Nacional

O Sport Clube Lusitânia é um dos clubes mais importantes dos Açores, e em especial da ilha Terceira. A delegação número 14 do Sporting Clube de Portugal, fundada em 1922, em Angra do Heroísmo, tem vindo a passar, nos últimos anos, por sérias dificuldades financeiras, que têm dificultado a vida a um clube que tem por objetivo disputar as competições nacionais do nosso futebol.

Esta temporada, a sua terceira consecutiva nas divisões distritais açorianas, depois de ter descido em 2012/2013, o Lusitânia venceu a edição 2015/2016 da Liga MEO Açores, conquistando, por isso, o direito de disputar o Campeonato de Portugal Prio na próxima época. Isto se o único fator em causa fosse o desempenho desportivo dentro das quatro linhas, o que não é o caso.

A legislação aplicada pela Direção Regional do Turismo do Governo dos Açores diz que são apoiadas financeiramente pela região apenas quatro equipas no CPP, ao abrigo dos contratos de promoção da região. Atualmente, na prova, anteriormente conhecida como Campeonato Nacional de Seniores (CNS), estão exatamente quatro conjuntos açorianos, sendo que todos eles já garantiram a manutenção: o Operário e o Sporting Ideal, ambos de São Miguel, são os dois primeiros classificados da fase de manutenção da Série E, tendo assegurado a permanência na prova, ao passo que os emblemas terceirenses, Angrense e Praiense, jogam a fase de subida da Zona Sul, ainda que nenhum tenha hipóteses de subir à Ledman LigaPro (II Liga).

O Lusitânia conquistou a edição 2015/2016 da Liga MEO Açores Fonte: SC Lusitânia
O Lusitânia conquistou a edição 2015/2016 da Liga MEO Açores
Fonte: SC Lusitânia

Há poucas semanas, havia ainda a possibilidade de o Santa Clara descer da segunda divisão, juntando-se aos seus conterrâneos no Campeonato de Portugal Prio, mas o conjunto micaelense já garantiu a manutenção. Desta forma, as quatro “vagas” açorianas no CPP da próxima temporada – que surgem por imposição do Governo Regional e não da Federação Portuguesa de Futebol – estão já preenchidas.

Este é, naturalmente, um cenário pouco conveniente para o Lusitânia, que, a não ser que as regras mudem, vê a sua presença nas competições nacionais de futebol em risco para a próxima temporada, apesar de o clube ter cumprido a sua missão onde realmente lhe diz respeito, isto é, dentro das quatro linhas, onde se faz rolar a bola e se fazem golos. Seria, portanto, injusto para a turma açoriana não disputar a próxima edição do CPP, competição que lhe daria outra visibilidade, ao clube e aos seus jogadores, muitos deles ainda jovens e que podem, assim, ver muitas portas fechar-se… ou nem chegar a abrir. A verdade, porém, é que a vertente financeira é crucial no mundo do Futebol; participar nos escalões nacionais implica custos, ainda mais quando estamos a falar de equipas das ilhas, que têm de se deslocar regularmente a Portugal Continental para realizar os seus jogos.

O Presidente do clube “verde e branco”, João Orlando Rebelo, já admitiu que a situação é muito complicada mas garante que o Lusitânia não pensa, de modo algum, em abdicar da presença no CPP, conforme foi revelado em entrevista ao jornal terceirense Diário Insular. Caso o governo do arquipélago não mude a forma como aplica os fundos monetários disponíveis para apoiar os clubes, o responsável do clube não vê “muitas alternativas a não ser a eventual disponibilidade dos sócios e amigos do Lusitânia e dos nossos habituais patrocinadores”. As próximas semanas deverão trazer novidades em relação a esta matéria.

Foto de capa: SC Lusitânia

Gonçalo Tristão Santos

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