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A Recordista do Mundo – Entrevista a Kendra Harrison

Pedro Pires · 5 min

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Kendra Harrison é a recordista mundial dos 100 metros barreiras, tendo na altura (em Julho de 2016) destronando um recorde com mais de 28 anos! E conseguiu fazê-lo apenas poucos dias depois de ter falhado de forma surpreendente o apuramento para os Jogos Olímpicos do Rio (a única derrota dessa época). É também a campeã mundial dos 60 metros em Pista Coberta e nova recordista dos campeonatos, ao ter corrido em 7.70, marca que é também recorde norte-americano. O Bola na Rede, em colaboração com o Planeta do Atletismo, esteve à conversa com Keni Harrison, logo após essa grande vitória, no primeiro exclusivo da atleta para Portugal.

O Recorde Mundial de Kendra Harrison nos 100 Metros com Barreiras em Londres:

Bola na Rede/Planeta do Atletismo: Antes de mais parabéns por esta prestação. Já eras uma estrela do Atletismo antes mesmo do teu primeiro Ouro global, mas como te sentes hoje depois da vitória? Feliz? Aliviada?

Kendra Harrison: Acima de tudo, feliz. Eu sinto que as minhas derrotas tornaram-me mais forte e hoje sou uma atleta bem mais confiante. O meu treinador acredita em mim desde o primeiro dia. Há altos e baixos, mas ele está lá sempre e eu penso que eu não seria a mesma sem ele. Sinto-me abençoada por ter ganho este Ouro e deixo isso nas mãos de Deus.

BnR/Pda: Foi no Reino Unido, em Londres, que bateste o recorde mundial dos 100 metros com barreiras. É verdade que a experiência no verão nos Mundiais de Londres ficou aquém do que esperavas, mas hoje voltas a conseguir um recorde aqui em e a tua primeira medalha global. Talvez devas voltar cá mais vezes…

KH: (risos) Sim, acho que podes dizer isso! Definitivamente é um país que me traz sorte! Já corri muito rápido aqui noutras alturas também. É excitante correr aqui, muitos fãs que realmente amam o desporto e espero cá voltar mais vezes.

BnR/PdA: Muitos dos atletas consideram este ano um “year-off”, mas para ti já se percebeu que não é. Quais os teus objectivos para esta época outdoor?

KH: Certamente, quero tentar vencer a Liga Diamante e tentar ter assim a qualificação directa nos 100 metros barreiras para os Mundiais do próximo ano. E, claro, quero tentar melhorar os meus tempos.

BnR/PdA: Então…já esqueceste os 400 metros com Barreiras? (a atleta havia afirmado que queria tentar os 400)

KH: Eu sinto-me confortável nos 100 metros com barreiras e quero ganhar, pelo menos, outro evento global aqui antes de tentar isso. E eu acredito que estou muito próxima de o fazer… Mas no futuro, certamente, que irei tentar o regresso aos 400 metros com barreiras.


BnR/PdA: Sei que és uma grande amiga da Kori Carter, a campeã mundial dos 400 metros em Londres, já falaste com ela?

KH: (risos) Não, o meu treinador está com o meu telemóvel, mas eu sei que ela está certamente muito contente por mim, ela acredita em mim desde o primeiro momento.

BnR/PdA: E agora as duas são campeãs mundiais…

KH: (risos)…sinceramente, estou sem palavras!

BnR/PdA: Posso saber o que sentiste ao cruzar a meta em primeiro, diante de um elenco tão competitivo?

KH: Eu não pensei em muito sinceramente. O meu treinador apenas me disse para me focar nos 3 primeiros passos. Apenas me esforcei imenso. De certa forma, tinha a noção que estava em primeiro, mas deixei-me ir e dei o máximo até ao final, mergulhando sobre a meta e ouvir o meu nome no final foi o máximo!

BnR/PdA: Tu falaste que te esforçaste bastante para aqui chegar e conseguir este Ouro, sentiste que isso tornou a tua medalha ainda mais especial?

KH: Sim, eu penso que todos os atletas têm a sua história. Alguns vêm aqui e conseguem o trabalho feito logo à primeira tentativa. Eu, definitivamente, não fui um desses casos. As derrotas definitivamente me tornaram mais forte.

BnR/PdA: Podes contar-nos um pouco da sensação de teres que bater outras norte-americanas, com tanto talento?

KH: Nós estamos habituadas a competir umas contra as outras e sabemos que qualquer uma pode vencer…é bastante entusiasmante competir diante de um elenco tão competitivo e eu penso que todas elas deram o melhor de si hoje.

Kendra Harrison na nossa entrevista
Fonte: Bola na Rede/Planeta do Atletismo

BnR/PdA: Não sei se tens noção, mas a tua primeira eliminatória, em 7.77, foi a mais rápida de sempre da história dos campeonatos. Depois correste em 7.79 na semi-final e estes 7.70 na final – 3 provas abaixo dos 7.80 em 2 dias. Como foram estas duas semanas de preparação para o evento, depois de teres sido apenas segunda nos Trials americanos?

KH: (risos) Eu penso que foi, talvez, um alívio chegar aqui não sendo a nº1 do ranking mundial depois de, como disseste, eu ter perdido nos campeonatos nacionais. Nestas duas semanas, eu apenas pensei em lutar contra todas as adversidades e vir aqui executar o plano. Ajudou muito ter um treinador que acredita em mim, amigos que acreditam em mim e na verdade isso é a única coisa que eu preciso.

BnR/Pda: Recordo-me que depois dos Trials norte-americanos para os Jogos do Rio foste muito criticada nas redes sociais e isso voltou a repetir-se quando foste 4ª em Londres, com muita gente a dizer que não tinhas o que era preciso para brilhar nos grandes palcos. Hoje provaste o contrário, mostrando seres bastante forte nesse aspecto. Como é que reagiste a esses comentários nas redes sociais e como normalmente geres essas situações?

KH: Olha, na verdade, eu esqueço as redes sociais e não entro nelas sempre que vou para um evento ou grandes meetings. Dessa forma, eu não tenho que ler essas coisas e esse negativismo não passa para dentro de mim. Mas sabes…o meu treinador diz que há muitos mais anjos a torcer por mim do que haters e diz-me para não me preocupar com isso. Essas pessoas apenas querem falar…na verdade, só isso mesmo, falar e eu não acredito, nem dou atenção ao que elas dizem.

Foto de Capa: 365dm

Pedro Pires

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