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O Bola na Rede esteve à conversa com Dani, o prodígio que é descoberto por Aurélio Pereira na praia em Tróia, com apenas oito anos. Da ocidental praia lusitana, ruma, por caminhos já outrora percorridos, até ao relvado de Alvalade, onde faz toda a formação e se estreia na equipa principal, com apenas 17 anos. Brilha nas seleções jovens, onde passa além da fronteira para conquistar um Campeonato da Europa de sub-18 e encantar tudo e todos no Mundial de sub-20 no Qatar. Em dificuldades e disputas esforçadas, passa meia época no West Ham, mas é no Ajax que alcança mais do que prometia até então. Entre gente remota que nada edificou, passa pelo Benfica e segue para o Atlético de Madrid pela mão de Futre, o seu ídolo de infância. Na capital espanhola, leva o Atlético de volta à Primeira Divisão, naquele que é o último gesto sublime de uma carreira que acaba precocemente. Nesta conversa, está a prova de que há em Dani muito mais do que uma promessa falhada. As palavras fazem-lhe justiça.
– Do areal de Tróia para o relvado de Alvalade –
Bola na Rede [BnR]: Como e quando chegas às camadas jovens do Sporting?
Dani [D]: Chego à formação do Sporting CP com oito anos, através do Sr. Aurélio Pereira, que me viu nas férias a jogar na praia. Ele pediu-me para eu dar uns toques, e passado um bocado diz-me “Posso falar com o teu pai?”. Chamei o meu pai, eles falaram e fui fazer testes ao Sporting.
BnR: Foi nas férias de verão?
D: Sim, em Tróia. Foi engraçado, eu já tinha tentado ir à experiência ao Sporting, mas disseram-me que era muito novo e para voltar quando tivesse dez anos. Nem fiz os testes. Depois fui de férias e aconteceu isto.
BnR: Jogas a que posição na formação?
D: Comecei a lateral esquerdo nos infantis, com o César Nascimento e o Osvaldo Silva. Foi o Osvaldo Silva que me pôs a alcunha, porque eu era muito pequenino, muito magrinho, muito novo comparado com os outros que tinham 11 e 12 anos.
BnR: Como é que começas a jogar mais à frente?
D: Foi uma evolução natural. Fui crescendo, melhorando as minhas qualidades e, desde que comecei a jogar com os da minha idade, passei para médio e extremo esquerdo. Depois, entre os iniciados e os juvenis, passo para extremo, ou “10”, para andar solto. Nos juvenis de primeiro ano, já jogava com os de segundo ano, e nos juniores também.
BnR: Quem são os teus ídolos em miúdo?
D: Futre. Foi logo o primeiro, tinha uma adoração por ele. O pé esquerdo, a técnica, a forma como se comportava dentro de campo… Era uma coisa que me deixava de boca aberta. Maradona também, quando foi o Mundial do México, em ’86. Eu tinha 10 anos e vi-o. Fiquei doido com as exibições dele.
BnR: Campeão da Europa de sub-18, em 1994. Que memórias tens dessa competição?
D: Tínhamos uma equipa… Eu era o mais novo até, mas tínhamos uma seleção que trabalhava muito, que lutava muito, e tínhamos um grupo muito unido. Estávamos há vários anos e tínhamos um núcleo forte: jogadores de Sporting, Benfica, Porto, Boavista…
BnR: Quem eram os outros craques desta geração?
D: Todos (risos). Nuno Gomes, Bruno Caires, Beto, Quim, Madureira. Jogadores de talento, mas de muito trabalho, muito querer e muita garra. Dávamo-nos todos muito bem, tínhamos uma alma enorme. Os treinadores também – Rui Caçador, Nelo Vingada e Agostinho Oliveira. Passávamos muito tempo em estágios, torneios, e, com aquela idade, os estágios davam-nos uma irmandade, uma capacidade de lutar uns pelos outros.
BnR: Temos de falar inevitavelmente daquele lance icónico pelos sub-20, frente à Holanda, no Mundial do Qatar em 1995.
D: Tínhamos treinado aquilo várias vezes, mas nunca o tínhamos feito em jogo. Nunca se tinha proporcionado o momento em que pudéssemos juntar a concentração e as necessidades do jogo com uma jogada que sai um bocadinho da caixa. Há um vídeo, da Eurosport creio, que filma por trás de mim e do Bruno Caires, e ouve-se perfeitamente o relato em inglês “Mas o que é isto? Enganaram-se! O que se está a passar?”. E, se olharmos com atenção, os jogadores holandeses na barreira relaxam os braços e o guarda-redes também. Fica tipo “O que é que se está a passar?”. Eu rapidamente marco o livre, e havia duas opções: ou ia direto à baliza, ou então havia jogadores para cabecear. Por norma, os centrais subiam. O Bóia, o Beto, o José Soares, o Carlos Filipe também cabeceava muito bem. E o Agostinho também aparecia como apareceu nesse lance, a cabecear lá para dentro. Foi um momento fantástico, e nesse jogo eu também marquei um golo de canto direto. Saiu-nos tudo bem.
BnR: Quem é que tem a ideia de criar essa jogada?
D: Creio que foi o Nelo Vingada que trabalhou isso connosco.
BnR: Falavas em estágios. Sendo vocês ainda jovens, os selecionadores sabem o que vocês fazem nos tempos livres?
D: Sim. Tínhamos as duas coisas: tínhamos a responsabilidade e a noção de que, quando era para jogar, dávamos tudo dentro do campo; mas depois fora do campo também tínhamos alguma liberdade nos momentos certos. Também tínhamos alguma irreverência para ter alguns comportamentos menos próprios para o momento, mas se fizéssemos algo de errado tínhamos castigos. Vivíamos muito e intensamente, mas o mais importante eram os jogos. Dávamos tudo dentro do campo.
BnR: Disseste que tiveste um ascendente muito rápido no futebol e, por isso, pouco tempo para ter noção do que se estava a passar na tua vida e naquilo que podias representar como jogador de futebol. Olhando agora com os olhos da maturidade, o que é que te afetou negativamente na altura?
D: Eu digo isso com perfeita noção, mas também digo que não estaria a ser intelectualmente honesto agora, passado tantos anos e olhando para a vida de uma forma completamente diferente, estar a dizer que podia ter tido outros comportamentos. Percebo que devia ter tido outros comportamentos em alguns momentos, mas não era próprio da minha maneira de ser e do momento que eu estava a atravessar.
BnR: Estreias-te na equipa principal do Sporting com 17 anos. Que memórias tens desse tempo?
D: Foi contra o Farense, na Taça. Olha, lembro-me perfeitamente de estar no banco, e, na segunda parte, o estádio começar a cantar o meu nome e a bater palmas, a pedir a minha entrada em campo! Mas tínhamos uma equipa muito forte, e ali na minha posição estava o Balakov…
BnR: Ui…
D: (risos) Exato. Eu não me apercebi dos cânticos, que era o meu nome que estavam a cantar, talvez por ser a primeira vez que estava no estádio a ouvir aquilo. No momento em que me levanto para aquecer, o Capucho diz-me “Isto é o teu nome que estão a cantar. É para ti”, e eu fiquei “Que é isto? Que é que se passa?”. Assim que entrei, ovação, muitas palmas e uma expetativa enorme.
BnR: Como é que te correu o jogo?
D: Há uma ou outra situação logo no início. Iam-me passar a bola, mas depois não passam, e ouve-se o estádio “Ahhhhhh”. Havia uma grande ansiedade em verem-me a jogar e a ver como é que eu me iria comportar. Eu senti isso. Estive ali alguns minutos sem receber a bola, e depois, na primeira vez que me passam a bola, uma situação fácil, quando a vou dominar, deixo passar a bola por baixo do pé. E o estádio todo “Ohhhhh”. Que desilusão.
BnR: Acusaste a pressão?
D: Senti isso. Só que eu não tinha muito receio e não sentia muito o peso do momento, porque as coisas aconteciam de dia para dia, de semana para semana, estava sempre a acontecer qualquer coisa na minha vida no futebol. Muita expetativa e muitas situações a acontecerem. Não tinha tempo para parar e ficar com receios ou medos. Então logo que tive oportunidade, peguei na bola, fiz uma tabela com o Balakov, fui por ali fora e, à entrada da área, rematei. A bola saiu a rasar a trave, e a partir dali os adeptos ficaram mais entusiasmados. Houve ali uma ovação e tal, mas foi pouco tempo que joguei também.
BnR: Quem te recebe na equipa principal do Sporting?
D: Fui muito bem recebido. Já treinava algumas vezes com eles, e conhecia o Figo, o Peixe, o Capucho, o Oceano. Estava habituado a vê-los nos corredores de Alvalade! O Oceano era o capitão – era um grande líder.
BnR: Nessa altura, tu, Sá Pinto e Dominguez são apelidados de “Os três Mosqueteiros”. Quem vos deu esta alcunha e porquê?
D: Acho que foi a imprensa. Na altura, o mediatismo estava a começar. Dentro e fora do campo já se começava a sentir o peso da atenção que a imprensa dava aos jogadores. Nós tínhamos uma relação ótima dentro do campo, e fora do campo ainda mais forte. Somos amigos até hoje. Acabámos por fazer algumas coisas que não eram o normal na altura, situações que foram exacerbadas, em que disseram coisas sem sentido. Tentámos sempre fazer o melhor para a sociedade, para o clube, para nós e para a evolução do jogador de futebol, para aquilo que o jogador pode representar na sociedade. Mas algumas coisas não foram vistas da melhor maneira. Desde há uns anos, o jogador de futebol não é só aquilo que faz dentro de campo. Nós apanhámos essa transição de o jogador ser só o jogador e mais nada para aquilo que começou a representar depois.
– Pesadelo em Londres –
BnR: Na tua chegada ao West Ham, Harry Redknapp diz “My missus fancies him. Even I don’t know whether to play him or fuck him”. O Slaven Bilic disse recentemente “Dani (…) não era só uma cara bonita, era tudo à volta dele, como falava, como sorria, até como tocava na bola. Tudo nele era muito sexy“. Sentes que chegar a Londres com rótulo de “playboy” te prejudica?
D: Sim, sim. Atenção, eu chego a Londres com 18 anos, e também os jornais ingleses me põem o rótulo. Eles normalmente só tinham duas ou três páginas a falar dos jogos nos dias a seguir, era muito pouco. Nos jornais não havia só desporto. Mas eu chego ao primeiro treino, e estavam lá uma série de jornalistas.

Fonte: West Ham United FC
BnR: Não era habitual naquela altura?
D: Não. Os meus colegas comentaram que no West Ham nunca tinham jornalistas nos treinos; e nos jogos, só se fizessem um resultado extraordinário é que apareciam nessas três páginas. Disseram que eu cheguei e estavam logo na primeira página. Ainda por cima num dia de treinos. Foi quando um dos jornais põe “Dads, lock up your daugthers! Dani has arrived”. Quando vi aquilo, disse “Meu Deus, o que é isto? Onde é que eu estou?”. Eu era muito jovem, fui para Londres sozinho e foram umas semanas muito difíceis no início. Em Lisboa, vivia com os meus pais e a minha irmã, tinha muitos amigos. De repente, estou completamente sozinho em Londres. Isso custou-me imenso.
BnR: O que é que o Redknapp te diz na primeira vez que falam?
D: Disse-me que eu vinha para ajudar. O West Ham estava numa situação difícil na tabela classificativa. Eles fizeram duas contratações de inverno, eu e um romeno [n.d.r. Dumitrescu], que fomos para ajudar a equipa a sair da zona de despromoção. E nós logo em dois ou três meses conseguimos isso.
BnR: Tens uma estreia de sonho no West Ham. O que te recordas desse dia?
D: Derby de Londres contra o Tottenham. Marco um golo de cabeça e ganhamos 1-0. Nos cantos, eu ficava fora da área para tentar rematar, mas estava aos papéis. A bola ia para um lado, para o outro. Eu só pensava “Isto não dá nada, não consigo acertar com os tempos, os espaços, onde é que a bola vai cair…”. Ainda não tinha uma boa perceção do jogo em Inglaterra, e não conseguia estar nos sítios certos. Decidi ir para dentro da área no canto, e, se não me engano, é o Slaven Bilic que cabeceia primeiro. O guarda-redes defende, eu estou ali ao lado e, “pumba”, de cabeça. Foi logo a imprensa toda a fazer elogios, os meus colegas todos doidos. O próprio treinador também!
BnR: Que diferenças encontras na mudança para o futebol inglês?
D: Em Inglaterra, havia uma forma de jogar e de ver o futebol completamente diferente de tudo o que eu tinha encontrado. Em termos de futebol profissional, eu tinha uns meses de Sporting, e sem regularidade. Ainda mais, o West Ham era pontapé para a frente, o ponta-de-lança Iain Dowie ganhar as bolas, jogar com as sobras, com a luta. Tudo muito diferente daquilo a que estava habituado e daquilo que eu poderia trazer ao jogo. Nos primeiros momentos, andava a ver a bola voar de um lado para outro. Jogávamos duas vezes por semana e treinava-se pouco. Em um ou dois dias por semana tínhamos um treino mais intenso. E nesses treinos não havia cá trabalho tático. Era aquecer e depois peladinha, estrangeiros contra os ingleses.
BnR: Quais as melhores memórias dos tempos em Londres?
D: [Dani ri-se a bom rir]. Tantos bons momentos. Lembro-me de que na segunda equipa estavam o Frank Lampard e o Rio Ferdinand. Eles tinham o hábito de pôr os jogadores da segunda equipa a limpar as botas dos jogadores da primeira. Era uma forma de fazer com que sentissem a importância de chegar à primeira equipa. Lembro-me de um dia estar a sair do treino e de ver o Lampard e o Ferdinand a limpar botas. Eles tinham a minha idade e já nos tínhamos cruzado nas seleções jovens. Falava muito com eles e dávamo-nos bem. Eu ao vê-los a fazer aquilo, disse “Epá não, então vocês agora vão limpar as minhas botas? Estão malucos ou quê?” (risos).
BnR: É muito à inglesa isso de pôr os mais novos a limpar as botas.
D: É. Lembro-me também de que eu ia para o treino com o Bilic ou com o John Harkes, um americano, e falávamos de futebol, de Inglaterra e aquela fase em que a equipa começou a jogar bem. Fizemos coisas que eles próprios diziam “Estamos a jogar de outra maneira, estamos a jogar pelo chão. Tu pões a bola no chão, pões a equipa a querer trocar a bola, a ter momentos que não é só pontapé para a frente.” Mas depois tínhamos 70/80% do plantel que jogava à inglesa, futebol direto, nada de pôr a bola no chão. Ficou sempre a tentativa de mudar essa mentalidade, de dizer algumas vezes “Calma, não é preciso pôr sempre a bola na frente e tentar ganhar a segunda bola”.
BnR: Tu e o Iain Dowie eram uma boa imagem desse contraste na forma de jogar.
D: Sim. No jogo com o Tottenham, eu fui o “Man of the Match”, e, no final, eu e o Iain Dowie fomos entrevistados. O jornalista pergunta ao Dowie, ele já tinha 10 ou 11 anos de Premier League, “Já se fala que tu e o Dani são a dupla de atacantes mais bonita da Premier League”. E ele responde-lhe “Dêem-lhe 10 ou 11 anos de Premier League e vão ver que ele vai ficar tão feio como eu”. Ele tinha a zona das sobrancelhas toda inchada dos anos todos de cotoveladas e saltos para disputar a bola. Fica a memória da capacidade que houve dos ingleses receberem esta ideia de jogar de outra maneira, ter mais calma na forma como abordamos o jogo e os próprios treinadores estarem um bocadinho mais abertos para isso.
– Herdeiro de Cruyff em Amesterdão –
BnR: Disseste que os tempos na Holanda foram muito violentos a nível pessoal. Porquê?
D: Fui sozinho, mais uma vez. Os meus pais não podiam deixar tudo e ir comigo, embora fossem visitar sempre que possível. Em Londres, foi um choque enorme no início, mas tive de me habituar a isso e tirar o melhor partido da situação e do momento que estava a passar. Não podia estar ali como estive nas primeiras três semanas – sempre a chorar, sozinho, triste em casa. Treinávamos duas horas. À uma da tarde, estava despachado e tinha mais 20 horas até ao próximo treino. Era muito tempo livre e vivi muito fora dos relvados.

Fonte: AFC Ajax
BnR: Na Holanda também?
D: Na Holanda também. Fui aos Jogos Olímpicos e fui logo a seguir para o AFC Ajax, nem voltei ao Sporting. Fui para lá muito novo, e o Van Gaal disse “Ele só vai começar a jogar na equipa daqui a uns bons meses. Vai ter de se habituar à forma de jogar, à forma de treinar”. E eu senti isso. A intensidade dos treinos, a qualidade dos exercícios. Duvidei da minha qualidade muitas vezes, porque os exercícios tinham componentes técnicas e táticas a que eu não estava habituado. A qualidade do passe, da receção, os movimentos, a importância da decisão, ter também a noção de que se arriscares três ou quatro vezes e perderes a bola… Isso para a equipa não funciona. Preferiam a ausência do risco, e eu tive de me habituar a isso. Eu, que era um jogador de risco! Para me habituar a isso foi difícil. Mas habituei-me e cumpri.
BnR: E a verdade é que o Van Gaal aposta em ti mais cedo.
D: É, passado pouco tempo joguei logo a Liga dos Campeões. Por força das circunstâncias, tínhamos vários jogadores lesionados. Era o primeiro jogo da fase de grupos, contra o Glasgow Rangers. No Ajax, só entravas na primeira equipa depois de uns treinos com um treinador que fazia exercícios muito próximo daquilo que é o jogo, com uma intensidade brutal, como eu nunca tinha visto na vida. Quando jogávamos ao fim-de-semana para a liga holandesa, quem jogasse poucos minutos depois à 2ª-feira jogava pela segunda equipa. Eu joguei alguns minutos no campeonato, e depois, na 2ª-feira, fui jogar pela segunda equipa, como era normal. Entretanto, a primeira equipa já estava em estágio para o jogo de quarta-feira com o Rangers. Quando acaba o nosso jogo, o segundo treinador chega lá e diz-me “Faltam jogadores, agarra nas tuas coisas e vais para estágio”.
BnR: E que tal o estágio?
D: Foi logo uma situação diferente. Não era um hotel de 5 estrelas, era perto da praia, a meia hora de Amesterdão. Uma pensão só para nós, quartos abertos e sem chave, como uma família. Tivemos um treino lúdico na praia, na 3ª-feira de manhã, para desenvolver o espírito de grupo, mas ao mesmo tempo para fazer alguns exercícios. Depois ao final do dia, fizemos um treino tático. À noite, o Van Gaal entra-me pelo quarto e diz “Amanhã vais jogar!”. E eu fiquei “O quê?! Então mas o mister tinha-me dito que não ia…”. E ele diz “Eu pus o Kluivert, o Davids, o Seedorf a jogar com 16 ou 17 anos. Tu estás preparado e tens que fazer aquilo que eu digo.”
BnR: E estavas preparado?
D: Eu ia jogar a 10, no lugar do Litmanen que estava lesionado, e o Martijn Reuser a 9. Nós os dois da frente tínhamos movimentos muito específicos de atração, de arrastamento, e os dois extremos, Babangida e Overmars, sabiam perfeitamente os movimentos nos cruzamentos. Quer eles levantassem a cabeça ou não, um atacava o primeiro poste, outro o segundo e havia o extremo do outro lado. Se a bola fosse para aquelas três zonas, tínhamos de lá estar. Eu dizia ao Van Gaal que não tinha esse hábito de jogar de cabeça, gostava era de rematar e ir buscar a bola no pé, e ele “Não, não, faz o que te estou a dizer e vais ver”.
BnR: E fizeste o que ele te pediu?
D: Sim. No final da primeira parte, já tinha marcado dois golos de cabeça, mais uma bola à trave. Fiz uma 1ª parte extraordinária, e os meus colegas todos a dizerem “Espetáculo Dani, já fizeste dois golos”. O Van Gaal chega e diz “Calma miúdo. Se agora na 2ª parte começares a fintar, a inventar e a perder a bola, saco-te logo”. E eu fiz duas ou três assim mais ariscas e ele sacou-me (risos).
BnR: No Ajax, acabas por fazer provavelmente um dos melhores golos da tua carreira, frente ao Atlético de Madrid.
D: Lembro-me de que na primeira mão estava lesionado. Na segunda mão, vou para o banco, mas o Litmanen não estava a 100%, e o Van Gaal põe-me a aquecer logo na 1ª parte, por precaução. O Hélder, massagista português do Atlético, vai assistir um jogador na linha. Eu estava ali a aquecer e disse-lhe “Epá, se o homem me mete, eu hoje dou cabo disto. ‘Tou com uma fé!”. O meu pai e o meu tio tinham ido de Lisboa ver o jogo e tudo. Enquanto eu aquecia, o Danny Blind estava no banco, e eu ia fazendo sinais para ele e gritava “Diz ao homem para me pôr, o Litmanen está à rasca!”.
BnR: E ele?
D: Só dizia “Tu és maluco? Dizer ao Van Gaal para te meter?”. Lembro-me do Calderón completamente cheio a apoiar a equipa do Atlético. Eles estavam a jogar bem, e eu sempre a pedir para me porem. Estava no banco com o Nordin Wooter, e, antes de irmos aquecer, eu disse-lhe “Hoje vamos rebentar com isto. Vamos dar cabo disto”. E acaba por ser ele a fazer o passe para mim. Eu olhei, não tinha mais ninguém e decidi rematar. Pumba! E sai aquele golo.
BnR: É verdade que o Johan Cruyff na altura critica o Louis Van Gaal por não seres titular mais vezes?
D: Sim, estava a fazer comentários num jogo do Ajax, creio que da Liga dos Campeões, e comentou que eu a jogar o fazia lembrar a ele próprio: “O Dani é parecido comigo, tem coisas minhas” e tal. O Cruyff quando falava aquilo era lei.
BnR: Tu até acabas por jogar com o 14, que era o número dele.
D: Sim. No primeiro ano, jogo com o “21”, e no segundo o Ajax dá-me o “14”, como uma operação de marketing. Aquilo foi uma notícia muito forte na Holanda. Esse rótulo nunca saiu, fiquei sempre ligado aos comentários e à opinião do Cruyff. Descobri depois que o Cruyff e o Van Gaal já tinham histórico, aquilo não foi por acaso (risos). Ele queria que eu jogasse mais, e queria que a equipa jogasse mais como eu jogava. Mas o Van Gaal era muito restrito.
BnR: Ele também se deu mal no Barcelona. Houve jogadores que se queixaram disso publicamente.
D: Sim, mas as pessoas pensam que o Van Gaal era uma pessoa com quem não consegues falar. Pelo contrário! Eu adorei trabalhar com ele. Tivemos uma excelente relação. Ainda hoje falo com ele, e ele sempre apoiou. Uma vez perguntei-lhe “Mister, o Ajax joga desta maneira há muitos anos. Os adversários já sabem como é que nós jogamos, não devíamos mudar alguma coisa?”. E ele “Não, nós temos é que ser cada vez melhores na forma como jogamos. Porque se formos muito bons a jogar desta forma, com esta identidade e a filosofia do Ajax, somos fortes e conseguimos ser superiores aos adversários. Agora, temos é que ser praticamente perfeitos.”
BnR: Isso depende muito da qualidade dos jogadores também…
D: Sim, houve ali momentos na história que o Ajax não conseguia ser superior porque não havia qualidade. E o Ajax é de ciclos: nos anos 70/80 com o Cruyff e o Rinus Michels como treinador conquistam a Europa; depois nos anos 90 em que aparece aquela fornada de jogadores, Seedorf, Davids, Kluivert, Danny Blind, Frank de Boer e Ronald de Boer, Van der Sar, Overmars, os nigerianos Kanu e Finidi. Aquilo era uma qualidade extraordinária, e eles ganharam tudo de 1990 a 1995.
BnR: Mas dizias… sobre o Cruyff e o Van Gaal?
D: Quando fui ver a história do futebol na Holanda, percebi a história entre eles. O Van Gaal jogava no Alkmaar e o Ajax ganhava-lhes sempre, com o Cruyff a fazer a diferença. Um dia antes de um jogo, o Van Gaal disse aos colegas que não iam jogar como o treinador disse. Iam fazer marcação homem a homem, com o Van Gaal a marcar o Cruyff. Acho que perderam 10-0 ou 11-0, e o Cruyff marcou uma data de golos (risos). Por isso é que a relação deles nunca foi a melhor.
BnR: É no Ajax que compreendem melhor a tua vontade de aproveitar ao máximo a vida além do futebol?
D: Sim. Eles lá davam-nos muita liberdade – a liberdade própria dos holandeses, de Amesterdão. Um jogador que fosse para o Ajax, viesse de onde viesse e tivesse a idade que tivesse, quer tivesse família ou fosse casado… não havia preocupação nenhuma. Agora, um miúdo com uma apetência para viver a vida com essa vontade e com alguma irreverência, depois com qualidades próprias da minha maneira de ser… eles compreendiam e percebiam onde é que eu estava.
BnR: Em que sentido?
D: Uma vez estava a falar sobre isso com o treinador Jan Wouters, e ele diz-me que eu não podia sair tanto. Eu disse-lhe que só saía depois dos jogos, e ele “Ok, só sais depois dos jogos. Nós jogamos duas vezes por semana, isso num mês, faz as contas ao número de vezes que sais. E eu “Pois, de facto tem razão, mister”. Isto não era uma regra, não quer dizer que eu saísse sempre depois dos jogos, mas gostava de sair e gostava de sentir que “joguei, não tenho ninguém em casa à minha espera. Quero ir jantar” e, se depois acontecesse, “ir sair ou não”.
BnR: Algum episódio na noite no qual algum adepto te chateia por ali estares?
D: Sim, isso havia. Na Holanda não me lembro de sentir essa pressão. Agora noutros países sim. Em Portugal era comum. Quando estava tudo bem, era fotografias, abraços e beijinhos. Quando as coisas não estavam muito bem, as pessoas justificavam um mau momento qualquer, e depois era mais fácil apontar o dedo a quem estavam a ver. Se me vissem às duas da tarde num supermercado, não me iam dizer nada. Mas se me vissem às duas da manhã numa discoteca, se calhar iam-me dizer “Epá, o Sporting não está bem, isto e aquilo…”. Temos que enquadrar os momentos. Por exemplo, em Madrid não queriam saber. Se tínhamos perdido, fosse no supermercado, à hora de almoço ou à noite, os adeptos cobravam de uma maneira…
– Litígio com o Benfica, fúria dos adeptos em Madrid e o adeus prematuro –
BnR: Sabendo o que sabes hoje, terias feito algo de forma diferente no Benfica?
D: Tem a ver com o que disse há pouco. Não estaria a ser intelectualmente honesto se fosse dizer que fazia diferente. Agora olho e penso que podia fazer muitas coisas diferentes, mas, na altura, como a vida estava a acontecer… O Ajax queria dar-me mais cinco anos de contrato, mas eu recusei. Queria voltar para Portugal, para perto da minha família e dos meus amigos. Tive fora não sei quantos anos, e tinha só 23 anos. Já estava farto de estar fora de Portugal. Sentia falta das pessoas e de me sentir como uma pessoa diferente daquela que me sentia lá fora. Apareceu a possibilidade do SL Benfica. Um projeto que estava numa fase, o que me transmitiram foi de aposta, mas depois mudou o presidente, ideias diferentes, objetivos diferentes. Não contavam comigo, e o melhor foi sair.
BnR: Como se dá a tua ida para Madrid?
D: Foi depois do litígio com o Benfica, enquanto este estava ainda a ser resolvido. Estávamos em dezembro, o Atlético estava pela primeira vez na Segunda Divisão. Nessa altura creio que só tinham feito 11 pontos. Saíram muitos jogadores, o clube ficou sem a possibilidade de se reforçar, financeiramente estava a passar por muitas dificuldades. O Futre pegou naquilo como diretor desportivo, e estava a fazer tudo para conseguir voltar à Primeira Divisão. Mas havia muitas limitações. Não estava a correr nada bem. O Futre falou comigo e apostou para eu tentar ajudar o Atlético a voltar à Primeira.
BnR: Qual é o teu primeiro contacto com o Futre?
D: Eu já conhecia o Futre há muitos anos. Quando tinha 17/18 anos e subi à primeira equipa do Sporting… houve uns tempos em que eu não jogava, umas situações em que fui irresponsável. O Aurélio Pereira, que foi quem me descobriu, e por quem eu tenho um carinho e uma amizade extraordinária, falou com os meus pais e foram jantar lá a casa – ele e o Futre. Foi aí que o conheci. Tivemos logo uma empatia, e a partir daí ficámos sempre amigos. Eu acho que sou um bocadinho o irmão mais novo dele e temos uma relação fantástica e um carinho enorme um pelo outro.

Fonte: Arquivo pessoal Dani
BnR: O que é que ele te diz para te convencer a ir para o Atlético?
D: No momento em que o Atlético está a chegar ao final da primeira volta e está muito mal, o Futre ligou-me: “Epá, vens e tal, eu vou pôr a cabeça por ti. Por causa do que se fala, há muita gente que não acredita em ti e no teu valor. Mas eu acredito, podes fazer aqui a diferença”. Eu também apostei um bocadinho pelo recuperar da paixão pelo jogo, pelo mundo do futebol.
BnR: O que te recordas da subida à Primeira Divisão em 2001/02?
D: Quando chego ao Atlético, financeiramente era uma coisa completamente descabida. Não tinha nada a ver com os contratos que eu tinha antes, mas decidi abdicar. Há bocado perguntaste-me sobre episódios com os adeptos a mostrar desagrado com os jogadores. Lembrei-me de um. Cheguei ao Atlético e fui ver o primeiro jogo. Estacionei o carro, tinha um carro porreiro e tal, com matrícula holandesa, e estacionei-o na garagem dos jogadores, que era dentro do estádio e à qual os adeptos tinham acesso.
BnR: Não acredito (risos).
D: É para veres como era na altura. O Atlético perdeu, e, quando eu cheguei ao meu carro, tinha os pneus furados, a capota rasgada, tal como estavam os outros todos. Olhei para o carro e pensei “Mas eu acabei de chegar, ainda não fiz nada, ainda nem joguei e já me estão a destruir o carro?”.
BnR: É como dizias, os adeptos lá cobram… e bem!
D: Sim, mas depois até ao final da época melhorámos, e não subimos por goal average. Fizemos uma segunda volta espetacular. Eu tinha assinado por seis meses, e depois com mais três de opção, se subíssemos. O Futre disse que o contrato estava assinado, mas com alguma abertura. A palavra vale mais do que as assinaturas, e eu acho isso muito importante. No final da época, não subimos. Era tudo um bocado incerto, e eu voltei para Portugal. Nem tinha chegado cá e já o Futre me estava a ligar, a dizer que ia fazer uma equipa espetacular para subir para o ano, e que ía buscar um treinador como deve ser. Eu perguntei “Mas vais fazer como? Então não há dinheiro, não há nada”. Havia uma junta diretiva a tomar conta do clube, que não permitia que ele fizesse contratações ou gastasse dinheiro. Ele só dizia “Não te preocupes, que eu vou fazer”.
BnR: E o Futre cumpriu?
D: Voltei. Ele depois foi buscar o Aragonés como treinador, o Albertini, o Sergi, o Mono Burgos, que é agora o adjunto do Simeone, e apostou no Torres. Fizemos uma temporada absolutamente extraordinária. Acho que dois meses antes da época acabar, nós já estávamos garantidos na Primeira.
BnR: Falei com o Carlos Xavier ontem, e ele disse para te perguntar pelo episódio no qual o Futre disse que te dava dois tiros no joelho.
D: Isso é uma história que foi exacerbada a um ponto… Eu no primeiro ano chego a meio da época, e passado um mês ainda só tinha jogado na Taça. Eu pensava “Jogo melhor do que estes gajos todos, a equipa está mal e o homem não me põe? Ele tem que me pôr a jogar, senão o que é que eu vim aqui fazer?”. E eu comecei a dizer mais vezes que ele tinha que me pôr a jogar. Depois há uma semana em que íamos jogar contra o Bétis, creio, e eu fui jantar numa 5ª-feira. Saí do restaurante à meia-noite, uma da manhã, a pensar que não ia jogar no sábado. Mas com a fama que eu tinha e com o rótulo, começaram logo a dizer coisas. Então o Futre chamou-me ao gabinete e disse “Agora vais jogar no sábado que eu vou dizer ao homem para te pôr a jogar. Pela saúde dos meus filhos, se tu não jogares bem, eu faço e aconteço e tal”. Agora nada disso dos dois tiros (risos). Foi mais uma conversa dele a mostrar que acreditava em mim.
BnR: Do que é que tens mais saudades dos tempos de jogador?
D: O balneário, sem dúvida. E os momentos em que tínhamos de decidir. Lembro-me perfeitamente quando joguei os quartos de final da Liga dos Campeões. Atlético de Madrid-Ajax, estádio completamente cheio. Eu entrei já no final do jogo, e fomos a prolongamento. Alguns desses jogadores tinham estado naqueles cinco anos do Ajax, daquelas vitórias todas. Tinham ganho tudo. Os irmãos de Boer estão os dois a olhar para os adeptos e para aquele ambiente, e comentam a loucura que aquilo era. Eu muito calmo e tranquilo disse-lhes “Vamos calar estes gajos. Deem-me a bola que eu faço isso”, e eles a olharem para mim do género “Mas este miúdo…”. E eu disse “Isto é o melhor, estes momentos. Podermos com as nossas qualidades fazer algo de marcante”. Esses momentos fazem falta.
Outro momento foi no Mundial do Qatar. Logo no primeiro jogo contra as Honduras, o Carlos Filipe é expulso aos 30 segundos. Ao intervalo estávamos a perder, e as Honduras eram a equipa mais fraca. Ele diz-me “Pelo menos dois ou três jogos eu levo. Se não passarmos a fase de grupos, nunca mais jogo à bola na vida, acabou-se aqui a minha carreira”. E saíu-me do coração “Não te preocupes, nós vamos ganhar, nem que eu tenha que agarrar na bola e marcar um golo”. Nunca tive a certeza se marcava ou não, mas o futebol para mim, muitas vezes, era o instinto. Claro que há a tática, a técnica, etc. Mas naqueles momentos, o instinto, a força mental, o sonhar e a paixão que está inerente ao sonho tem muita força. A verdade é que na segunda parte agarrei na bola, fintei não sei quantos e marquei. Fui a correr para ele, mas depois agarraram-me. No final do jogo, ele veio ter comigo e agradeceu-me.
BnR: O que é que pesa mais na tua decisão de terminar a carreira aos 27 anos?
D: Uma parte pessoal, que teve a ver com a minha mãe. Mas, acima de tudo, alguma desilusão com o mundo do futebol.
BnR: Qual a melhor lição que o futebol te ensinou?
D: A melhor lição é que tudo é possível. Não renegar a paixão e a capacidade de sonhar que o futebol transmite. É a noção do que o futebol representa em termos de sociedade, as pessoas ficam… enquanto jogava, não tive tempo para ter essa noção, do que transmite, do quão importante é para os adeptos. É uma realidade que não se pode perder. O mundo do futebol, hoje em dia, está muito ligado à parte financeira, e está-se a perder um bocadinho a paixão. Na raiz do futebol, está a paixão e o permitir sonhar, seja a que nível for. Uma criança que tenha o sonho de ser jogador de futebol pode mudar muita coisa. Não só a sua vida em termos individuais, porque pode alcançar coisas extraordinárias e transcender-se, mas também pode levar consigo um país, uma cidade, um povo, uma família. Isso só o futebol é que permite.
– Passes curtos –
BnR: Qual é para ti o melhor momento da tua carreira?
DA: O Mundial do Qatar.
BnR: Um estádio?
DA: O Vicente Calderón – a jogar nesses quartos de final da Liga dos Campeões como adversário, e depois como jogador do Atlético. Há um jogo, está no Youtube, em que estávamos na Segunda Divisão, contra o Bétis, e, quando nós entrámos em campo, quando fores ver essa imagem, é surreal a quantidade de papel higiénico que os adeptos atiraram nessa entrada em campo. E o do Ajax também, a Arena de Amesterdão.
BnR: Qual foi o melhor jogador com quem jogaste?
D: Figo e Michael Laudrup.
BnR: Um guarda-redes?
D: Baía, Van der Sar, Mono Burgos… o Quim, que fez um Mundial do Qatar espetacular. Difícil escolher entre estes (risos).
BnR: Um defesa?
D: O Beto foi sempre um grande defesa. E o Danny Blind.
BnR: Um médio?
D: O Richard Witschge.
BnR: Um avançado?
D: Nuno Gomes. E Kluivert – parecia tudo fácil com ele.
BnR: Um golo?
D: O golo contra a Argentina no Mundial do Qatar. Para mim, foi o mais difícil que marquei. Ganhámos 1-0, mas levámos um massacre! A Argentina depois acabou por ser campeã do mundo. Foi o mais difícil, porque foi de um lançamento lateral à entrada do meio-campo deles. A equipa não subia, estávamos a defender para anular a qualidade da equipa da Argentina, e eu sempre achei que os lançamentos eram muito difíceis. O que fazer depois de um lançamento? Eu pedi a bola, consegui sair da marcação, fiz coisas que, para mim, são muito difíceis e consegui marcar. Superei-me. Mas também aquele golo contra o Atlético é um momento inesquecível.
BnR: Um treinador?
D: Mais marcantes diria o Nelo Vingada, Carlos Queiroz, Agostinho Oliveira e Rui Caçador na seleção. E depois o Van Gaal, claro.
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