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17 jogos! 17 derrotas! 10 golos marcados! 55 golos sofridos!
O passado que deixou de chutar!
Percorremos Portugal de lés-a-lés. Encontrámos neste imenso e apaixonante país à beira-mar plantado quatro realidades distintas e ao mesmo tempo semelhantes.
A primeira paragem foi feita em Croca onde habita o clube da terra: Atlético Clube de Croca é o seu nome.
Clube do concelho de Penafiel, fundado a 14 de Junho de 1981, militou até 2009 na 2ªdivisão da Associação de Futebol do Porto. Nesse ano, decorria a época 2008/2009, quando aconteceu o impensável: “ O Clube esteve na última jornada a 10 minutos de subir de divisão, e por motivos absolutamente estranhos, associados à arbitragem, empatou o jogo que a dez minutos do fim se encontrava a ganhar por três a zero”, recorda Alfredo Magalhães, actual Presidente do AR Croca. A frustração que a direcção na altura sentiu, levou a mesma a demitir-se, deixando o clube “um pouco à deriva”, estando até 2017 somente entregue às camadas jovens.
2017 – O ano zero!
Alfredo Magalhães, natural e residente de Croca, depois de ter também ele vestido a camisola do clube nas longínquas épocas de 89, 90 e 91, encontrando-se ligado ao clube na formação e a recuperar os jogadores desde 2012, foi “identificando várias lacunas em termos de organização, o que fez com que a própria formação estivesse em risco de desaparecer, facto que se veio a verificar na ápoca 2016/2017, em que praticamente não apareceram jovens para se inscrever” refere o próprio.
Assim, em Agosto de 2017, “abertas eleições para os corpos gerentes do Clube, não aparecendo interessados, eu e mais alguns antigos diretores achámos que o clube não devia fechar portas, porque é importante para a integração dos jovens locais e freguesias limítrofes e formámos direção” concluiu o actual Presidente.

Fonte: AC Croca
Entendendo que a formação esta época não tinha pernas para andar, pois a atual direção só havia tomado posse em Agosto de 2017, e já se tinha apercebido que os jovens tinham ido para outros clubes com melhores condições, foram imediatamente lançadas as bases para repor o futebol sénior. Assim, “foi contratado um treinador habilitado com TPTD – Título Profissional de Treinador de Desporto, publicitámos no facebook e publicámos flyers e e rapidamente tínhamos 40 jovens a treinar para formarmos a equipa” explica o actual líder do clube nortenho.
Num clube pronto a fechar portas, com instalações muito degradadas, e sem dinheiro para inscrever jogadores – custaria 6.000 euros a inscrição dos mesmos, o projecto era simples: “passava apenas por beneficiar instalações, tratar da parte burocrática, e cativar pessoas para ajudar nas tarefas do clube, sendo certo que também conseguimos sensibilizar autarquias locais e empresários para a necessidade dos seus apoios para em conjunto conseguirmos o nosso objectivo social”, declara o actual Presidente.
Homem dos sete ofícios dentro do clube e que não conhece a palavra desistir, Alfredo Magalhães, 58 anos, é igualmente oficial da Polícia Marítima em Caminha, onde exerce o cargo de 2.º Comandante. Tem vários cursos de treinador de desporto, de massagista do CEFAD, alem de ser formador de nadadores salvadores, é especializado em educação física militar, como habilitação académica, tem um curso superior em Engenharia Informática, e neste momento está a concluir o curso de especialista em medicina tradicional chinesa.
Assim, para além de Presidente, é também o massagista do clube, trata de toda a parte burocrática do mesmo, ajuda em todas as tarefas que pode, pois como ele mesmo diz “sei fazer um pouco de tudo, e tenho uma diversidade de habilitações legais que me dão uma transversalidade de conhecimentos, e seria uma inconsciência da minha parte não os pôr ao serviço da sociedade”.

Fonte: AC Croca
17 derrotas depois…
Quando questionado sobre o segundo pior pecúlio a nível nacional – 17 jogos, 17 derrotas, 10 golos marcados e 55 sofridos, Alfredo Magalhães é simples e objectivo:
“Neste momento o clube está a conseguir o seu primeiro objetivo que foi higienizar e beneficiar instalações. Seguidamente foi criar o espírito de equipa e de grupo, criar um grupo de trabalho coeso em termo directivos, amadurecer enquanto equipa, pois muitos dos nossos jovens jogadores são promissores mas inexperientes, e, oportunamente, relançar a formação, para no futuro alimentarmos a equipa sénior com atletas da formação. Além de mais, posso dizer que os resultados nem sempre são condizentes com as exibições, pois temos jogos em que em nada somos inferiores aos nossos adversários, mas agora também acontece que as equipas quando jogam contra nós querem-se sempre agigantar, para não terem a humilhação de perderem com o último”, esclarece o Presidente do AC Croca.
Mas será que os habitantes de Croca têm a capacidade de entender que todas estas derrotas são o fruto de uma árvore que esteve quase morta e que começa, muito lentamente, a ser regada e cuidada como merece? Segundo o seu Presidente sim: “Os adeptos não estão desiludidos porque veem uma equipa que joga bom futebol, está organizada, com jovens promissores, que às vezes perdem jogos por pormenores, apoiam-nos e isso também nos dá força. Posso dizer que temos muitos adeptos a ver os nossos jogos e o número tem vindo a aumentar. Nunca ouvi as pessoas a dizerem que jogamos mal e isto é bom. As pessoas de Croca sabem que estamos a recomeçar e o que estamos a fazer é correto e são as bases para alicerçarmos uma agremiação desportiva de futuro e com futuro.”
E os jogadores? Será que não estarão a cair no desânimo? “Os jogadores sempre tiveram a consciência, desde o início, que tudo faríamos em primeiro para lhes criarmos condições. Nunca se lhes pediu resultados. Apenas lhes pedimos dedicação, respeito e disciplina. Eles tinham a consciência que ia ser uma época difícil, mas todos eles estão motivados para ganhar o primeiro ponto a qualquer momento.” declara o mesmo.

Fonte: AC Croca
O futuro risonho!
“Neste momento o AC Croca é um clube bastante eclético, que está preparado para conviver com outras modalidades. Tem pessoas experientes e competentes na direção e na equipa técnica. Nesta fase de inscrições vamos inscrever quatro novos atletas que são de facto reforços e bastante experientes, e não tenho qualquer dúvida que para a próxima época muitas atletas de outros clubes que já jogaram no Croca querem regressar, e apenas já não estão no clube porque como no início da época não tinham a certeza se haveria futebol sénior, mantiveram-se noutros clubes” continua o Presidente do AC Croca.
Assim sendo, os objectivos do clube “estão claramente definidos e são públicos e passam essencialmente por uma renovação total das instalações, reforçar a equipa de futebol sénior, reiniciar a formação das camadas jovens para alimentar a equipa sénior no futuro, criar secções noutras áreas do desporto, tudo isto numa perspetiva de ocupação e integração social dos jovens, num caminhar para um AC Croca muito melhor e muito maior”, esclarece esperançado o líder do clube.
Resta pois desejar ao Atlético Clube de Croca um futuro risonho, merecido e que os primeiros pontos possam acontecer num Domingo qualquer, de preferência num Domingo bem próximo.
Foto de Capa: AC Croca












