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É notícia fresca e em primeira mão (“queremos muito que sejam vocês a dar a notícia da nova equipa técnica”): o CD Pinhalnovense SAD vai atacar a época 2017/18 do Campeonato Nacional de Seniores com nova equipa técnica.
O escolhido para a liderar foi Pedro Santos, que terá em Mauro Basto o adjunto principal e em Ricardo Andrade o treinador de guarda-redes.
Este último passa da baliza para o treino depois de 20 anos como profissional, onde passou, entre outros, por Moreirense, Tondela, Leixões, CF Zico ou CD Pinhalnovense SAD. Uma carreira cheia e cujo fim merece ser dissecado, como o fazemos nas páginas que se seguem… no dia em que Ricardo obteve a cidadania portuguesa – “tudo no tempo certo”.
Todas as imagens foram gentilmente cedidas por Ricardo Andrade
Ricardo Andrade mudou de casa 27 vezes ao longo da sua carreira, mas isso não fez com que se desapegasse daquilo que o marcou. Entre Romário, Zico, Cacau, o Vietnam, Moreira de Cónegos (“O meu carro é verde por causa do Moreirense”) e Pinhal Novo, houve espaço para um meio de comunicação que ele privilegiou para dar conta das mais recentes movimentações do seu trajeto como jogador – o Bola na Rede.
Falámos com o Ricardo à hora de almoço do último dia de maio. Sentimos um voz pesada, mas uma consciência leve, e pressentimos o que aí vinha – “estou-te ligando para te contar que vou abandonar a carreira”. Não por ter sido empurrado, claro, afinal a sua qualidade é bem conhecida dos três convites que teve para continuar o seu percurso como guardião, mas por ter decidido colocar um ponto final… irreversível, mesmo que lhe tenham chegado frases como “’Tá maluco? Você ainda tem muito para dar!”, afinal, para Ricardo “branco é branco e preto é preto, e não volto atrás”.

Numa fase em que ponderava os convites que teve, recebeu um que o ajudou a tomar a opção de descalçar as luvas, vindo do próprio Pinhalnovense. Pedro Santos [agora treinador principal] propôs-lhe, com o aval do investidor, continuar no clube, embora com outras funções. E ele aceitou – na próxima época, vai-se juntar “a Mauro Basto [treinador adjunto] e a Pedro Santos [treinador principal] na equipa técnica com a responsabilidade de treinar os guarda-redes da equipa sénior, bem como a da equipa júnior”.
Mas não se ficará por aí. Isso seria pouco para abarcar a paixão que tem pela baliza e as saudades que vai ter de defender as redes – para além dos seniores e dos júniores, Ricardo Andrade vai “coordenar toda a formação dos ‘goleiros’” da equipa de Pinhal Novo.

Ricardo Andrade deixa assim o futebol de campo com um legado longo e do qual se deve orgulhar. Afinal, nem todos os guarda-redes conseguiram ‘encravar’ o Sporting ao ponto de um dirigente (Augusto Inácio) lhe confessar – “só nos tramas, pá!”. Nem todos os guarda-redes foram capazes de segurar um penalti de Lima e nem todos os guarda-redes colaboraram com gente do gabarito de Zico ou Romário.
Podia tentar ser arrogante na hora de saída, mas não conseguiria. Afinal, Ricardo é ‘gente boa’. É ‘gente’ que atravessou um caminho de adversidades, e com as quais soube lidar graças aos ensinamentos da Sra. Ledir Ribeiro, sua mãe, que sempre lhe instigou a olhar para a frente. Ricardo é ‘gente’ leal, fiel e agradecida. É ‘gente’ que reconhece o papel do seus na sua longa carreira – “o que estou fazendo hoje [parar de jogar], a minha esposa não me deixou fazer em 2009 e foi graças a ela que prolonguei a minha carreira por mais oito anos. É a grande responsável por ter vindo para Portugal. Com ela, tive dois filhos, e por eles acredito que posso fazer mais e melhor”.
P.S.: Na próxima página segue uma nota de Ricardo Andrade aos fãs, adeptos, clubes e presidentes com quem se cruzou
Ricardo Andrade na primeira pessoa
Muitas pessoas têm orgulho desse ou daquele. Eu, com toda humildade desse mundo, tenho muito orgulho da minha pessoa, porque não é fácil sair da minha cidade (Quissama, interior do Rio de Janeiro), depois ser acolhido por todos no bairro (Gardenia Azul) com muito amor. Foi essa comunidade que me empurrou para o mundo através do futebol, foi onde conheci meu maior amigo no futebol – Cacau, o meu primeiro treinador e um amigo até hoje.
Não tenho palavras para agradecer a cada um dos meus companheiros/ clubes, roupeiros, massagistas/ treinadores/ torcedores/ presidentes, pessoas que me ajudaram, cada um do seu jeito. Mas nesses dois clubes vivi as maiores alegrias da minha vida – CFZ ( Clube do Zico) Moreirense (minha paixão).

Estou eternamente grato, também, ao meu primeiro clube, Jarepagua f.c e ao Último clube, Pinhalnovense Sad. Minha vida foi feita sempre de muitas escolhas e nunca tive medo, essa é mais uma escolha, que considero importante para o trabalho que eu vou seguir através do futebol que é o mais importante e sempre será.
Sou muito grato a Portugal, que me deu a chance de mostrar meu trabalho para o mundo e dentro das minhas limitações tentei sempre levar uma mensagem positiva e honesta, mesmo sabendo que somos falhos e erramos muitas vezes, mas também somos humildes para pedir desculpas quando necessario. Uma coisa seguirei fazendo com maior certeza – jamais deixarei de expressar o que sinto e abrir mão dos meus princípios isso é o que acredito e passarei aos meus.
Muito obrigado, Futebol!














