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O Sporting Clube de Portugal organizou, pelo segundo ano consecutivo, o congresso The Future of Football. Contando com a presença de várias personalidades, nacionais e internacionais, o evento pretendeu suscitar o debate sobre, entre outras coisas, a introdução das novas tecnologias no futebol e as relações dos clubes com os media.
Na abertura do congresso, Bruno de Carvalho, presidente do Sporting CP, realçou o crescimento do projeto, que, no seu entender, demonstra que as pessoas têm cada vez mais interesse em discutir estes temas. Em inglês, porque é a língua oficial do congresso, congratulou-se ainda pelo facto de o Sporting ser pioneiro no levantamento de questões diretamente relacionadas com o futuro do futebol: “Há pouco mais de um ano, o Sporting Clube de Portugal realizou o I Congresso Internacional onde foram discutidos temas como as novas tecnologias, TPO e fundos”.
Logo de seguida, João Paulo Rebelo, recentemente nomeado Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, afirmou que a realização deste congresso se apresenta como “uma mais-valia para o futebol, em particular, e para o desporto ,em geral”.
1º Painel: Inovação no Futebol
O primeiro painel contou com a presença de pessoas com inputs bastante diferentes. Gijs de Jong, que esteve diretamente ligado ao processo de introdução das novas tecnologias no futebol holandês, começou por falar das dificuldades e barreiras que encontrou ao longo de todo este processo. Sobre a questão do vídeo-arbitro, afirmou que “não oferece 100% de certeza, mas garante uma eficácia entre os 95% e os 97%”, realçou ainda que o tempo de demora na tomada de decisão é na grande maioria dos casos inferior ao que existe agora apontando uma média de 12s por cada caso.

Fonte: Sporting CP
Seguiu-se-lhe David Mchugh. Atualmente com funções na federação irlandesa de rugby, Mchugh, fazendo a comparação entre o rugby e o futebol, não teve dúvidas em afirmar que “ O râguebi não quis ficar parado e agiu, quando o devia ter feito. O futebol deve fazer o mesmo para acabar com algumas discussões e começar a ser mais verdadeiro nas decisões tomadas”. Reforçou ainda a importância de, em qualquer circunstância, a última palavra continuar a ser do árbitro.
Darren Bailey, diretor da Football Association, falou sobre a dificuldade em estabelecer regras no que diz respeito à introdução das novas tecnologias no futebol. Disse ainda que é necessário e obrigatório estabelecer um limite até onde o vídeo-árbitro pode ir. Por último, Paul Neilson, diretor da Prozone, focou-se nas melhorias que a tecnologia pode trazer para treinadores e jogadores. Exemplificando com Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, afirmou que os dados estatísticos mostram que o argentino está numa categoria única, enquanto que o português é um finalizador nato.
2º Painel: Relação com os Media
Após um pequeno intervalo, o 2º painel discutiu a relação entre os clubes e os meios de comunicação social. Contando com a presença de Pippo Russo, Paulo Futre, Sergio Fernandez e Roger Navarro, foram várias as perspetivas abordadas.
O jornalista italiano (Pippo Russo) teceu fortes críticas aos fundos de investimento. Segundo o próprio, e exemplificando com o empresário português Jorge Mendes, os fundos de investimento são, na sua maioria, de origem totalmente desconhecida. Um dos momentos que mais agradou aos sportinguistas presentes foi quando Pippo Russo e Bruno de Carvalho comprometeram-se a descobrir quem é Nélio Lucas, o CEO da Doyen Sports.
Sergio Fernandez, editor do jornal MARCA, abordou a questão da parcialidade/imparcialidade nos jornais desportivos. O jornalista salientou que o jornal tem de perceber para que público escreve e não vê qualquer problema nisso. No entanto, e enquanto mostrava algumas capas do jornal catalão SPORT, referiu que há limites, sobretudo no que diz respeito a atos de violência, que não podem ser ultrapassados, sendo o maior exemplo um cartaz feito contra o Figo.
Por sua vez, e com algumas saudáveis picardias com o editor do jornal MARCA, Roger Navarro, diretor das plataformas online do Barcelona, destacou a importância da internet para os clubes. Realçou que, através dos social media, os clubes podem, para além do retorno financeiro, expandir a sua marca por todo o globo.

Fonte: Sporting CP
Contudo, o melhor momento da tarde estava reservado para Paulo Futre. No seu estilo único, Futre começou por fazer várias homenagens: “Fui Bola de Prata, como sabem. Se tivesse sido treinado por ele (Jorge Jesus), tinha sido o melhor do mundo”. Manuel Fernandes foi outro dos visados: “É um mito, uma lenda do futebol português. Sem os teus conselhos eu não conseguiria estar aqui hoje”. Houve ainda tempo para, como não poderia deixar de ser, um “Sócio, estou concentradíssimo”. Mas a abordagem principal de Futre foi nas consequências que as entrevistas podem ter, recordando uma história sua no seu segundo ano no Atlético de Madrid quando foi jogar à Turquia mas antes disse que não tinha boa impressão do país.
Interessante neste segundo painel foi a pergunta de Bruno de Carvalho que perguntou a Sergio Fernandez o que podia fazer para acabar com as não notícias sobre o Sporting, o principal conselho foi a organização pós treino de uma conferência de imprensa com um jogador que não durasse mais que 10 minutos além da disponibilização de dados verdadeiros sobre lesões.
3º Painel: Novas fontes de receitas para os clubes
O segundo dia do congresso arrancou com um tema cada vez mais atual, como podem os clubes fazer mais dinheiro. Quem abriu o debate foi Emanuel Medeiros que falou sobre o mundo das apostas. “Portugal perdeu a oportunidade de acompanhar a Europa nas apostas” foi com esta frase que o CEO da ICSS europeia ganhou a atenção de todos num discurso “para fazer as pessoas pensar”.
Steve Rickless, CEO da Triple Play, foi o senhor que se seguiu. Rickless apresentou os serviços da empresa que representa e mostrou os benefícios que a sua aplicação teve e continua a ter no Manchester City, um dos principais clubes que é parceiro da Triple Play. Guillermo Moraleda, Diretor Geral Comercial do Atlético de Madrid apresentou como o clube se transformou nos últimos 10 anos no mundo do futebol espanhol e mundial. Encontrar novos adeptos é um dos principais objetivos e as redes sociais e a aplicação para o smartphone e tablet contribuíram para isto. O novo estádio do clube – ainda em construção – também foi todo pensado para os adeptos, com o principal destaque a ser a existência de uma Fan Zone nos arredores do estádio.

Fonte: Sporting CP
A finalizar este painel esteve Ebru Koksal, consultora na UEFA e FIFA e que nos veio falar sobre os Direitos televisivos. Koksal começou logo por dizer que Portugal é o único país entre os 22 principais campeonatos europeus que não tem os direitos de televisivos centralizados, algo que penaliza as equipas portuguesas. Durante a sua apresentação abordou vários formatos para a distribuição dos valores televisivos que vão desde a componente desportiva até à utilização de jogadores locais.
Após esta apresentação o Presidente do Sporting CP anunciou que a centralização em Portugal vai voltar a ser negociada brevemente e que o clube a apoia a 200%.
4º Painel: Mercados Emergentes
O painel final desta segunda edição do The Future of Football contou com representantes da MLS, da Ásia e de África. Lino di Cuollo, vice-presidente da MLS anunciou a linha mestra da competição “tudo na liga funciona como um, tirando dentro de campo em que existe competição.”, di Cuollo fez assim uma ligação ao tema anterior sobre a centralização dos direitos televisivos que são prática na MLS, assim como contratos de jogadores, por exemplo, devido principalmente aos jogadores virem das universidades e não da formação dos clubes. O objetivo da MLS é claro, “em 10 anos queremos ser uma liga de topo mundial”.
Julian Kam, diretor geral da ProEvents, explicou que na Ásia o futebol ainda está muito atrasado a nível de referências locais – com as excepções do Japão e Coreia do Sul – e como tal é preciso levar as equipas europeias aos países para promover a modalidade; Kam deu o exemplo do Leicester City que o ano passado não tinha adeptos na Ásia e agora estão por todos os lados, precisamente por não existir referências e as pessoas serem de quem ganha.

Fonte: Sporting CP
Anthony Baffoe, empresário ganês, apresentou uma visão distinta da da Ásia. Se na Ásia existe dinheiro mas falta de paixão pela modadlidade em África é ao contrário, existe a paixão mas falta o dinheiro, o que prejudica a evolução do futebol africano. O investimento estrangeiro tem ajudado a superar os problemas locais em países como a Nigéria, o Gana ou os Camarões – a África do Sul compete sozinha a nível de investimentos – mas no global o continente continua muito parado por não existir dinheiro para investir. A criação de uma Liga dos Campeões dividida por zonas é uma das ideias a implementar com vista ao desenvolvimento do jogador africano.
No painel de encerramento estiveram Pedro Proença, Fernando Gomes e Ángel Maria Villar, vice presidente da FIFA. Os três realçaram o compromisso de evoluir o futebol e que as novas tecnologias precisam de chegar à modalidade para diminuir ao máximo os erros das equipas de arbitragem. Pedro Proença voltou a realçar a envolvimento de Portugal nesta matéria com os testes que vão ser realizados nos próximos dois anos ou a inclusão da tecnologia da linha de golo que vai voltar a acontecer na final da Taça da Liga.
O futuro passou por Alvalade e em 2017 já se sabe que vai regressar. Este congresso é muito importante num país que diz que adora futebol mas que não o discute, pelo menos não com matérias importantes para a modalidade.
Artigo de Duarte Pereira da Silva e Rodrigo Fernandes
Foto de capa: Sporting CP









