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AZ Alkmaar 0-1 SL Benfica : Reinou a lei do mais forte

João Pedro Óca · 4 min

AZ Alkmaar 0-1 SL Benfica : Reinou a lei do mais forte

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Esqueçam o brilhantismo. Este Benfica joga para ganhar, não para encantar. Hoje, em Alkmaar, os encarnados voltaram a vencer mais uma batalha rumo à conquista da Liga Europa. O triunfo por 0-1 na Holanda, frente ao AZ, é um resultado excelente para as contas de uma eliminatória em que as águias, com este resultado, se encontram numa óptima posição para alcançar as meias-finais da competição. A confirmar o favoritismo e a melhor capacidade face ao adversário holandês, a águia que se apresentou em Alkmaar foi, no cômputo geral, personalizada e organizada. A segunda parte dominante da equipa encarnada foi decisiva para o desfecho de uma partida em que o Benfica passou por momentos de aperto, sobretudo no primeiro tempo.

Jorge Jesus seguiu o princípio de rotatividade do plantel e fez seis alterações em relação ao jogo com o Sporting de Braga: Oblak, Sílvio, Fejsa, Enzo Pérez, Markovic e Lima saíram dos titulares para dar lugar a Artur, Maxi Pereira, Rúben Amorim, André Gomes, Salvio e Cardozo. Feitas as contas, era um onze inédito aquele que os encarnados apresentavam em Alkmaar.

Nos primeiros minutos de jogo, os jogadores do Benfica pareceram algo ansiosos e o jogo da equipa tardou em fluir. Aproveitando esses momentos de nervosismo dos encarnados, o AZ Alkmaar, sétimo classificado do campeonato holandês, desdobrava-se para o ataque com alguma facilidade e a velocidade dos três homens da frente da equipa holandesa causava, a espaços, problemas aos defesas do Benfica. Assim, as oportunidades de golo mais visíveis aconteciam na baliza de Artur. Em duas ocasiões, os holandeses poderiam ter inaugurado o marcador – primeiro por Beerens, depois por intermédio de Jóhanasson.

Por seu turno, o Benfica não encontrava um fio de jogo e a equipa tardava em encontrar-se em campo. Gaitán juntava-se com frequência a Amorim e André Gomes, mas era Rodrigo quem mais procurava vir ao meio-campo para se alimentar de bola. Cardozo, por sua vez, mostrava-se desligado do jogo e sem espaço para amedrontar a defesa adversária. Na verdade, apenas por uma vez a equipa do Benfica conseguiu criar uma jogada à sua imagem, num belo lance colectivo que culminou com o remate André Gomes, que esbateu num defesa do AZ. O cenário cinzento da primeira parte ainda pioraria perto do intervalo, quando Ruben Amorim se lesionou, aparentemente de forma grave, cedendo o lugar ao jovem André Almeida.

Depois de uma primeira parte adormecida, a equipa do Benfica voltou para a segunda metade do encontro com uma nova face e a mostrar vontade de resolver a eliminatória. A superioridade encarnada face ao adversário holandês era evidente e o Benfica tratou de a manifestar em campo nos segundos quarenta e cinco minutos. Logo após o intervalo, Rodrigo recuperou uma bola perto da área holandesa e iniciou o lance do golo do Benfica marcado por Salvio, na sequência de uma defesa incompleta do guardião do AZ.

O golo do Benfica revelou-se um tónico decisivo para aumentar a confiança da equipa e consolidar o domínio de jogo das águias. A partir do minuto 47, o Benfica apoderou-se do controlo da partida e passou a implantar o futebol seguro e dinâmico que o caracteriza. Mesmo sem entusiasmar, os encarnados começaram a aparecer mais vezes perto da baliza do AZ, enquanto que a equipa holandesa não conseguia sair do seu meio campo, demonstrando alguma falta de criatividade e qualidade dos seus jogadores.

O conforto que o Benfica conseguiu no decorrer da segunda parte permitiu a Jorge Jesus gerir da melhor maneira o timing das substituições e, pouco a pouco, o treinador lançou jogadores que vieram agitar a partida. Lima entrou para o Cardozo, após nova exibição apagadíssima do paraguaio, que atravessa um péssimo momento de forma, e poderia ter dilatado a vantagem num lance em que o guarda-redes do AZ lhe negou o golo de cabeça. Markovic, que também entrou na segunda parte, criou igualmente uma boa oportunidade para o fazer o segundo, mas o guarda-redes da equipa holandesa não deixou. E foi assim, com o Benfica a dominar a seu bel-prazer a partida, que terminou a batalha holandesa, num jogo que os encarnados acabaram com um jejum de 40 anos sem vencer na Holanda.

Salvio apontou o único golo do jogo e está a voltar à sua forma habitual  Fonte: ASF
Salvio apontou o único golo do jogo e está a voltar à sua forma habitual
Fonte: ASF

A vitória fora de casa abre as portas das meias-finais à equipa da Luz, que em casa só terá de garantir que o AZ não provoca nenhuma surpresa. A julgar pelo registo dos holandeses fora de casa (ainda sem perder nesta prova, mas com dez derrotas em 15 jogos para o campeonato), um Benfica razoável chegará para confirmar a terceira meia-final em quatro épocas.

A Figura
Rodrigo – O avançado hispano-brasileiro está a atravessar um fantástico momento de forma e comprovou-o nesta partida. Foi o elemento mais dinâmico do Benfica na primeira parte e as suas mudanças de velocidade foram importantes para a equipa avançar no terreno. Teve ainda um papel fundamental no golo dos encarnados, quando recuperou uma bola em zona avançada do terreno e iniciou a jogada concluída com sucesso por Salvio.

O Fora-de-Jogo
Óscar Cardozo – O Tacuara continua com falta de confiança e está constantemente escondido do jogo. A lesão que contraiu no final do ano passado ainda condiciona as suas prestações, inclusivamente o faro de matador. Com apenas 20 minutos em campo, Lima foi bem mais eficiente do que o paraguaio em 70.

João Pedro Óca

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