CA Boca Juniors 2-2 CA River Plate: Buenos Aires anseia desfecho Monumental

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O futebol deu aos entusiastas uma bênção. Pela última vez em que a final da Copa Libertadores, a competição mais importante do futebol da América Latina [CONMEBOL], será a duas mãos, o embate é entre os eternos rivais argentinos Boca Juniors e River Plate. A «mãe» de todos os clássicos do desporto rei.

De Buenos Aires para o mundo, dois jogos estratosféricos: um na Bombonera e outro no El Monumental. No campo dos «xeneizes», o primeiro jogo terminou empatado a dois golos. O equilíbrio das duas equipas justificou-se pelo calor do jogo – que era para ser disputado este sábado, mas adiado para o dia seguinte devido à chuva – e algumas falhas defensivas de ambas as partes. O desfecho continuará imprevisível até ao apito final no El Monumental, terreno do River Plate. Recorde-se, também, que golos fora não contam nas finais da Libertadores. Portanto, tudo está empatado.

Apesar de La Bombonera estar só com espetadores afetos ao Boca Juniors, o River Plate foi quem mostrou mais facilidade e sobretudo organização para chegar à baliza adversária. Ao quarto de hora de jogo, o guarda-redes dos visitantes Agustín Rossi nega um golo cantado vindo de um cabeceamento de Santos Borré, após um cruzamento de Milton Casco pelo lado esquerdo.

Dez minutos depois, grande contrariedade para o Boca. Cristián Pavón, o velocíssimo e criador extremo esquerdo, sai com queixas musculares e obriga Guillermo Schelotto a lançar Darío Benedetto. A equipa da casa iria ficar mais compactada, apostando menos num jogo mais vertical sem uma das suas estrelas que veste o número sete.

No entanto, isso não deixou de permitir que o Boca Juniors abrisse o marcador e iniciar um momento loco na Bombonera. Ao minuto 33, Ramón Ábila recebe a bola à entrada do lado esquerdo da área adversária, passa com alguma sorte sobre o oponente e remata para defesa do guarda-redes do River Plate. O mesmo avançado argentino consegue chegar à bola para fazer a recarga e o 1-0. Franco Armani ainda defende o segundo remate de Ábila, mas a bola ia muito potente.

No minuto seguinte, chegou o empate, logo após o pontapé de saída. Pity Martínez faz um passe rasteiro do meio campo para encontrar Lucas Pratto isolado nas costas da defesa do Boca Juniors. O argentino remata desde o lado direito da área para o poste mais distante da baliza da equipa da casa (1-1). Já não era a primeira vez que o River Plate estava a conseguir explorar facilmente a defesa do eterno rival, especialmente ao centro. Os ‘millionarios’ ainda deixaram os adeptos do Boca com os cabelos em pé depois de Santos Borré rematar ao lado, mas bem perto da baliza de Rossi ao minuto 40.

Se falávamos em falhas defensivas do lado do Boca, algo semelhante aconteceu no lado oposto do relvado ainda antes do intervalo. À entrada para os minutos de compensação, Sebástien Villa bate um livre picando a bola para a área do River. Benedetto, de costas para a baliza, salta mais alto para cabecear e devolve a vantagem ao Boca Juniors.

A segunda parte foi, em geral, com menos ‘fogo’ que a primeira. Isto para quem esperava muitos remates, defesas e loucura dentro de área. Tivemos mais duelos a meio campo e sangue quente que é apanágio destes jogadores latinos nesta competição.

As falhas defensivas do Boca Juniors voltaram a materializar-se no golo do empate do River Plate, que ditou o resultado final. O lance teve os mesmos contornos do segundo golo do Boca. Livre perto do meio campo, batido por Martínez para a área adversária, e Carlos Izquierdoz cabeceia de costas para a própria baliza, fazendo o auto-golo (2-2). Se não fosse o defesa central do Boca, estava lá Lucas Pratto. No entanto, nova postura deficiente da defensiva da equipa orientada por Marcelo Gallardo.

Já com Carlos Tévez em campo pelo Boca Juniors, a Bombonera fica em suspense mesmo perto do apito final. O ‘apache’ entra pelo lado esquerdo da área do River e passa rasteiro para a direita, onde estava isolado Benedetto. O avançado remata de primeira, mas Armani defende a bola para cima, já no relvado, com a coxa esquerda.

Com este jogo entre duas equipas lendárias e recheado de golos, vamos mesmo querer que a final da Libertadores seja a duas mãos? Fica a questão no ar. Até daqui a 13 dias, no El Monumental!

Onzes iniciais:

CA Boca Juniors: Agustín Rossi, Lisandro Magallán, Lucas Olaza, Carlos Izquierdoz, Leonardo Jara (Julio Buffarini 83′), Pablo Pérez, Nahitan Nández, Wilmar Barrios, Cristián Pavón (Darío Benedetto 28′), Ramón Ábila, Sebastián Villa (Carlitos Tévez 73′)

CA River Plate: Franco Armani, Jonathan Maidana, Milton Casco, Javier Pínola, Lucas Martínez (Ignacio Fernández 58′), Gonzalo Montiel, Pity Martínez (Juan Quintero 77′), Exequiel Palacios, Enzo Pérez (Bruno Zuculini 75′), Santos Borré, Lucas Pratto.

Francisco Correia
Francisco Correiahttp://www.bolanarede.pt
Desde os galácticos do Real Madrid, do grandioso Barcelona de Rijkaard e Guardiola, e ainda a conquista da Liga dos Campeões do Porto de Mourinho em 2004, o Francisco tem o talento de meter bola em tudo o que é conversa, apesar de saber que há muitas mais coisas que importam. As ligas inglesa e alemã são as suas predilectas, mas a sua paixão pelo futebol português ainda é desmedida a par com a rádio. Tem também um Mestrado em Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social, em Lisboa.                                                                                                                                                 O Francisco não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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