Última horaChampions League: Manchester United humilhado em Como e Galatasaray derrota Lille em festa de golos
Publicidade

A batuta nas mãos de Bruno

Fernando Costa · 4 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

sporting cp cabeçalho 2

É já no próximo domingo que Sporting Clube de Portugal e Futebol Clube do Porto voltam a defrontar-se para o campeonato nacional, num ano provavelmente mais próspero para ambos do que no passado. Obviamente que parte disso deve-se à “crise” do Benfica, que parece não conseguir esconder as suas carências no plantel e, apesar de um histórico semelhante nos anos anteriores, parece também revelar grande dificuldade em chegar ao título e ao tão esperado “penta” na presente época. Mas a verdade é que a distância ainda é curta (apenas três pontos para o Sporting), e a Liga NOS encontra-se ainda no início.

FC Porto e Sporting defrontam-se numa altura em que ambas as equipas aparentam estar no seu pico de forma, apesar do recente empate do Sporting em Moreira de Cónegos. A equipa de Sérgio Conceição conta por vitórias os seus jogos no campeonato, enquanto o Sporting, sem ser esse empate (que acontece na mesma semana em que defronta Barcelona… e Porto), também tem somado vitória atrás de vitória na liga portuguesa. Entre os tiros de Bruno Fernandes e os dribles estonteantes de Brahimi, há muito mais que define ambas as equipas, e que permitem, então, esses rasgos de magia de ambas as partes.

Começando pelo lado de Alvalade, o Sporting passou por várias mudanças no plantel na planificação para esta época, mas os sinais parecem ser positivos, se compararmos à anterior: as laterais ganharam profundidade (Piccini e Coentrão são uma diferença brutal em relação a Schelotto e Zeegelaar..), têm uma dupla de centrais fortíssima (Mathieu parece ser o complemento perfeito), e as entradas de Battaglia e Bruno Fernandes trouxeram uma dose de… batalha (salve-se as coincidências fonéticas) e magia que parecia faltar nos lados de Alvalade (só Gelson não chegava). Depois, os complementos como Acuña e Doumbia visam trazer uma outra profundidade na frente, mais à imagem do treinador Jorge Jesus.

Mathieu tem sido o patrão da defesa leonina desde que chegou a Alvalade Fonte: Sporting CP
Mathieu tem sido o patrão da defesa leonina desde que chegou a Alvalade
Fonte: Sporting CP

Do lado do Porto, um cenário diferente: devido às imposições do Fair-Play financeiro, o Porto não contratou absolutamente ninguém (à excepção de Vaná) para o seu plantel (nem podia, diga-se), e apostou literalmente na continuidade, mas com duas enormes diferenças: Ricardo Pereira e Aboubakar (o regresso dos emprestados), e um nome que quase se confunde com o ADN do clube: Sérgio Conceição. Com um discurso direto e um estilo de jogo muito definido, o treinador português veio trazer um estado de alma que nem Lopetegui nem Nuno Espírito Santo estiveram perto de trazer.

Observamos o onze do Porto e vemos claramente uma ideia de jogo, com princípio, meio e fim. Um jogo de posse, segurança total na saída de bola, num 4x4x2 em posse (e muitas vezes um 4x3x3 em processo defensivo, com Marega a descair nas alas), e três processos base: Óliver na transição (onde ele e a bola tratam-se por “tu”), Brahimi no drible – parece menos “inócuo” que no passado – e a dupla Aboubakar/Marega, que mais do que arte ou magia, trazem poder de fogo e profundidade na frente de ataque. Mas os principais destaques desta equipa, em relação aos anos anteriores, são mesmo no processo sem bola: uma pressão enorme, desde o primeiro jogador da frente, que dificulta imenso a saída de bola da equipa adversária, quase que a obrigando a fazer o “chutão” para a frente. Mas, quase paradoxalmente, a fraqueza surge atrás dessa força: quando a equipa adversária consegue passar essa pressão inicial, muitas vezes o Porto tem dificuldade em preencher os espaços, deixando muita liberdade para os avançados em transição rápida. O jogo com o Besiktas foi um bom exemplo disso.

Do lado de Alvalade, uma ideia de jogo muito particular, mas que parece assentar nos jogadores que Jesus tem ao seu dispor: Uma defesa muito mais segura que no passado (Mathieu e Coates são, provavelmente, a melhor dupla de centrais do campeonato), laterais que dão profundidade na ala (Piccini destaca-se pela segurança defensiva, enquanto Coentrão, mesmo “a 60%”, dá o corpo e a alma em campo), um meio-campo muito coeso com Battaglia no poder de choque, onde corta, chuta, passa, corre, salta (enfim, cansa ao vê-lo jogar), e depois William, seja a pivot ou mais à frente, a oferecer uma capacidade de transporte e de circulação de bola ímpar no clube leonino. Acuña e Gelson dão a profundidade desejada nas faixas, com Bas Dost sempre à espreita, mas quem faz a ligação entre o meio-campo e o ataque é o menino nascido, curiosamente, na cidade do Porto: Bruno Fernandes. É difícil chamar-lhe médio quando joga tão bem na frente, e é difícil chamar-lhe avançado quando tem tamanha capacidade de passe e visão de jogo. É, portanto, um jogador de “ataque”, mas que sabe fazer toda a ligação entre os setores. É o coração da equipa, e se o Sporting quer criar espaços no clássico, vai ser através dos pés do internacional jovem português.

Bruno Fernandes é o homem da magia neste Sporting Fonte: Sporting CP
Bruno Fernandes é o homem da magia neste Sporting
Fonte: Sporting CP

Duas ideias de jogo, duas equipas, uma bola. É sob estes alicerces que o esférico vai rolar no clássico de Domingo, em que a pressão alta de Sérgio Conceição (acredito que possa instalar um sistema muito à imagem do jogo no Mónaco) e o meio-campo de Jorge Jesus estarão em evidência. Para “jokers” deste jogo, e onde o resultado se poderá diferenciar, é através de Óliver e Bruno Fernandes. Num jogo onde ambas as equipas pressionam alto, serão estes os dois jogadores que poderão surgir entre-linhas e marcar a diferença através do passe numa partida com ambas as linhas muito adiantadas. Battaglia e Danilo serão certamente os pulmões.

Este clássico não é decisivo, mas pode ser crucial para a restante caminhada (em termos anímicos) para ambas as equipas. Sempre com o Benfica à espreita.

Fernando Costa

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Resto do Mundo

Bélgica | O novo concorrente de Portugal no Ranking UEFA

A Belgica e a Liga Belga já são conhecidas há muito como viveiros de talento. Seja a partir da formação ou do recrutamento de seniores jovens, clubes como Genk, Anderlecht e Gent foram a montra que exibiu vários jogadores de classe mundial. Em anos recentes, os emblemas da Bélgica têm mostrado que sabem vender e, simultaneamente, manter um plantel que lhes permita competir na Europa. Sem o poder financeiro dos três grandes portugueses, os clubes belgas provam que o critério nas negociações e os projetos desportivos coerentes podem dar excelentes resultados.

João Pedro Santos · 3 min de leitura
Ler a crónica
Opinião

Fabiano Freitas | Um velho conhecido das águias

Nesta quinta-feira, Omonia e Benfica defrontam-se para a terceira jornada de Liga da UEFA Europa League. O encontro entre os cipriotas e as águias é também marcado por um reencontro. Fabiano Freitas é um velho conhecido dos encarnados, não por ter jogado no clube da Luz, mas por se terem defrontando muitas vezes no passado, quando o guardião brasileiro (também cipriota com dupla nacionalidade) representou o Olhanense e mais tarde, o FC Porto.  Fabiano Ribeiro de Freitas nasceu a 29 de fevereiro de 1988, em Santo António de Jesus na Bahia. Fez a formação no Rio Branco-SP e ainda se estreou pela equipa em 2006. No ano seguinte, mudou-se para o São Paulo onde também acabou por não se impor, embora estivesse ligado ao clube paulista por três anos e tivesse vencido o Brasileirão Serie A no ano de estreia. Durante este período, fez apenas um jogo pela equipa principal, passou pela equipa sub-20 e foi cedido a clubes como Toledo (não jogou), Santo André (realizou um jogo) e América-RN (oito jogos) onde também não se afirmou. No entanto, chamou a atenção em Portugal, nomeadamente ao Olhanense que o contrata em 2011, a custo zero. 

Jorge Afonso · 4 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.