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Héctor Bellerín apela à saúde mental e critica: «Quando o Borja Iglesias pinta as unhas ou quando vou a um desfile de moda dizem que afeta o nosso futebol»

Diogo Ribeiro · 4 min

Héctor Bellerín Real Bétis
Foto: Real Betis Balompié

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Héctor Bellerín, antigo jogador do Sporting, concedeu uma entrevista onde se debruçou sobre vários temas. O lateral direito falou de saúde mental, sustentabilidade e financiamento do futebol.

Héctor Bellerín concedeu uma entrevista à ESPN e à BBC onde se debruçou sobre muitos tópicos paralelos ao mundo do futebol. O futebolista que é conhecido pela consciência social e pela forma como se posiciona falou da importância da luta pela saúde mental, das críticas aos estilos de vida dos jogadores, da masculinidade no mundo do futebol, da sustentabilidade ambiental e da vertente financeira do desporto.

«Para mim, já passámos o tempo da sensibilização. É altura de fazer alguma coisa. Aqui em Espanha tivemos um antigo colega de equipa meu, Victor Camarasa, que precisou de se afastar do futebol por motivos de saúde mental: abriu um precedente. Aconteceu com Ricky Rubio no basquetebol. Aconteceu no ginásio. Aconteceu em todo o mundo. A vida que levamos, as pessoas desculpam-na com a quantidade de dinheiro que recebemos, mas viajamos muito, jogamos muitos jogos, somos agredidos em todos os jogos. Chego a casa com pancadas nas pernas, tive de ser operado, sofri concussões, tudo. As pessoas dizem “sim, mas tu ganhas muito dinheiro”. Sim, mas isso não quer dizer que não seja difícil», afirmou Héctor Bellerín.

«É muito engraçado porque só dizem aos futebolistas para se cingirem ao futebol quando falam ou fazem algo que não é demasiado masculino. Quando jogamos PlayStation, conduzimos carros rápidos ou nos embebedamos, ninguém te diz nada. Mas quando o Borja Iglesias pinta as unhas ou quando vou a um desfile de moda, nessa altura o que fazemos afeta o nosso futebol», destacou Héctor Bellerín.

«Para mim a sustentabilidade sempre foi algo muito importante. É algo que tive em conta em cada uma das decisões da minha vida. Fazer parte de um clube consciente de si mesmo, que tenta pôr em prática sistemas para os adeptos, os trabalhadores e também para os jogadores, de forma a terem um estilo de vida mais ecológico, é importante. Como consumidores, sentimo-nos muito culpados, mas também são o Estado e as grandes empresas quem devem assumir a responsabilidade porque são os que mais contaminam. Cada vez que votamos temos uma grande oportunidade de assegurarmo-nos de que criamos um futuro mais sustentável. Em quase todos os países da Europa, poderíamos viajar de comboio. Com o Arsène Wenger no Arsenal, íamos sempre de comboio para Manchester ou Liverpool, é uma opção mais simples e limpa», frisou Héctor Bellerín, dando um exemplo de como é possível ser mais sustentável no meio futebolístico.

«O futebol foca-se cada vez mais nas margens, em se pode gerar mais dinheiro, e menos nas pessoas que o apoiam. É algo que a cada dia se torna mais elitista, estamos a perder um pouco a essência do que é realmente o futebol e de quem o faz. Ter o Mundial em três países diferentes torna mais difícil para os adeptos seguirem a sua nação. Estamos a perder um pouco da essência do que é verdadeiramente o futebol e de quem são as pessoas que realmente fazem o futebol, que são as pessoas que nos seguem e nos vêem todos os fins-de-semana», criticou Héctor Bellerín.

Héctor Bellerín está emprestado pelo Barcelona ao Real Bétis. Esta época o lateral direito, que representou o Sporting em 2023, realizou 23 partidas pelo emblema espanhol.

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Diogo Ribeiro

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